O Lado perverso do trabalho

5 07 2008

E o que é assédio moral?

O assédio moral está disseminado. O atual cenário econômico tem degradado ainda mais as relações. O fenômeno é tão antigo quanto a própria divisão do trabalho, mas suas prática tem se intensificado e alcançado proporções tão elevadas que já considerado uma epidemia.

O assédio moral é caracterizado por atitudes e condutas abusivas de chefias em relação aos subordinados, tem transformado o ambiente de trabalho num lugar de sofrimento e tortura psicológica. De forma sutil é manifestado por meio de apelidos, piadinhas, ironias e insinuações maldosas – ou explícita, marcadas por ameaças de demissão, ofensas e constrangimentos públicos, essa violência frequente e repetitiva, está cada vez mais presente na rotina de milhões de trabalhadores. Na verdade, esse chamado “psicoterrorismo” tem como objetivo desestabilizar emocionalmente a vítima visando a sua demissão. Essa violência está disseminada em todas as categorias e não faz distinção entre setor público ou privado. O que se verifica é que essa violência é mais acentuada nas áreas de comunicação (envolvendo educação), saúde, mercado financeiro (principalmente bancos).

Números do assédio moral no Brasil

42% dos trabalhadores sofreram ou sofrem de violência no trabalho.

36% das queixas são dos homens.

64% das mulheres relatam ter passado pelo tormento.

Em 12% dos casos, envolvendo funcionários, o problema começou com abordagem sexual.

60% das vítimas entraram em depressão em decorrência do assédio.

Situações que caracterizam a violência psicológica no trabalho

- Ter o trabalho desqualificado na frente dos colegas,

- Virar alvo de piadas por causa do modo de vestir ou mesmo de falar,

- Ouvir frases do tipo: “lugar de doente é no hospital, Aqui é pra trabalhar.”

- Ser impedido de se expressar e dar opinião,

- Passar a executar atividades inferiores à sua capacidade,

- Receber ordens confusas e contraditórias,

- Ter de trabalhar fora do horário de expediente,

- Ficar sobrecarregado de atividades e ter prazo mínimo para entregá-las,

- Não se cumprimentado ou ser ignorado,

- Ter o material básico para execução das tarefas retirado,

- Ser ameaçado constantemente de demissão.

A boa notícia é que, apesar de ser um fenômeno recente, já há jurisprudência a esse respeito. Pelo menos 80 municípios e dez estados brasileiros criaram projetos de lei sobre assédio moral. Há propostas que sugerem a inclusão do assédio moral no Código Penal.

Fonte: Revista Diálogos: Psicologia Ciência e Profissão. Ano 4 – número 5. Dez/2007.





A Nova Liderança

5 07 2008

Por Stephen D. Reicher, S. Alexander Haslam e Michael J. Platow

Para ler a matéria na íntegra, acesse a Revista Mente e Cérebro (www.mentecerebro.com.br), O Novo Líder e a Ciência do sucesso em Equipe, ano XV, n◦ 177.

… Não basta ter talentos supostamente inatos – como inteligência e carisma. É desejável que o líder moderno seja flexível, adapte-se às características do grupo e desperte nos colegas o desejo de cooperação, sem imposições ou arbitrariedades…

… Características como carisma, inteligência e empatia sempre foram consideradas fundamentais para o exercício do comando eficaz… Nos últimos anos, porém, vem surgindo uma nova imagem de liderança. Em vez de simplesmente desfrutar o “dom” da autoridade inata, os líderes contemporâneos precisam se esforçar para vender valores e opiniões das pessoas que pretendem comandar, se quiserem estabelecer relações produtivas. Essa conduta permite compreender o funcionamento do grupo, o que resulta em intervenções mais eficazes, sobretudo a longo prazo. O conceito de liderança está relacionado à capacidade de direcionar os interesses do grupo onde está inserido, e não à obediência em troca de recompensas ou obtida com punições; os mais hábeis não são os que conseguem impor que pensam, mas sim aqueles que despertam os colegas o desejo de cooperação, em vez de imposição. Para ganhar credibilidade, os líderes de hoje devem se posicionar na equipe, não acima dela.

… Segundo essa abordagem, não é possível determinar um conjunto de traços de personalidade que garantam a boa liderança: as características desejáveis de um líder dependem da natureza do grupo… Liderar de forma competente implica em escolher ações que o grupo considera legítimas. Evidentemente, não se trata simplesmente, de acatar normas da equipe. É preciso, muitas vezes, ajudar a definí-las. Flexibilidade e empatia são as palavras-chave.

… Líderes eficazes são protótipos do grupo e, ao mesmo tempo, expressam comportamentos que os diferenciam dos outros…

… Alguns exemplos corroboram a idéia de que comportamentos têm de afinar com a cultura do grupo liderado. Até mesmo a inteligência pode ter sua necessidade questionada em determinadas situações. Muitas vezes ser realista ou confiável é mais importante que se mostrar inteligente. Parecer “esperto” demais compromete a credibilidade perante a coletividade, em alguns casos… Os seguidores podem repudiar certos traços de personalidade que em outra situação, seriam desejáveis.

… Outro fator capaz de comprometer o exercício da liderança é o contraste financeiro… Empresas com dificuldades para atingir objetivos normalmente têm em comum o fato de pagar altos salários a um ou dois profissionais em posição de comando… Segundo Peter Drucker, “salários muito altos no topo abalam a equipe, que passa a considerar o próprio gerente como adversário, em vez de colega. Essa estratégia apaga qualquer disposição das pessoas em pensar coletivamente e se esforçar para algo além do próprio interesse imediato”… A diferença de remuneração pode ser vista pelos integrantes da equipe como injusta. O conceito de comando ético, em geral, está relacionado à capacidade de se sacrificar pelos outros e não obter vantagens individuais.

… O líder não apenas resgata identidades, mas leva os seguidores a vivenciá-las, o que pode permitir intervenções revolucionárias em equipes, em organizações e na sociedade. Mas se o elemento comum proposto para o grupo estiver fora de sintonia com a realidade, será descartado em favor de alternativas mais viáveis…

… A criação de rituais e símbolos para reproduzir o sentido de identificação exerce o papel fundamental na preservação do grupo… Seja qual for o caso, o desenvolvimento de uma identificação social compartilhada é a base da liderança influente e criativa.





Maternidade e Profissão

5 07 2008

Coragem. Essa é uma das palavras mais ditas de uma mãe para outra. Ainda que a dupla missão seja difícil, enfrentar as mudanças para viver a alegria da maternidade é a opção de muitas. Mas ao contrário das gerações passadas, em que a mulher tinha como papel principal ser mãe e dona-de-casa, hoje em dia, cada vez mais, a gravidez é uma escolha que vem depois do sucesso da carreira, da casa própria e do MBA. O “eu profissional” é anterior ao “eu mãe” e até ao “eu esposa”.

A redistribuição desses papéis, com a chegada da maternidade dá início aos dilema feminino. Iniciar a carreira após o nascimento dos filhos é muito difícil e pouco freqüente. Só 6% das mulheres começaram a trabalhar após a chegada dos filhos. Muitas delas tiveram filhos cedo e cursaram a faculdade durante ou depois da maternidade. A opção de começar a trabalhar com os filhos já crescidos é das mais raras e funciona melhor quando a pessoa é empreendedora, autônoma, abre negócio próprio ou vai trabalhar em empresa de familiares. O mercado corporativo atualmente é muito rigoroso e até preconceituoso, principalmente se considerarmos um currículo de mulher com filhos e sem experiência profissional. Furar a barreira de um avaliador, essa sim, é uma missão quase impossível.

Ter filhos nos dias de hoje é um anseio genuíno ou apenas fruto de pressão social. Ser mãe é um compromisso que exige muito esforço, paciência, persistência e dedicação, entre outros predicados. Quem prioriza a vida pessoal acima de tudo, dificilmente abre espaço para um filho ou acaba adiando a maternidade. Quem valoriza muito a carreira espera cada vez mais por um momento “certo” para ter filhos. Quanto maior a responsabilidade na empresa, mais a pausa pode abalar a vida profissional – ou não. Tudo depende da disposição, da tranqüilidade em relação ao próprio potencial. Mas será possível descobrir a hora apropriada para se ter filhos? Como tudo na vida, até mesmo a escolha do marido me parece muito mais uma aposta, um investimento, uma intuição, do que uma certeza. Depende do que a pessoa está valorizando naquele momento e se tem a preocupação de não deixar passar o período fértil. A fase reprodutiva da mulher é limitada e muito menos extensa do que a masculina. A idade para conceber muitas vezes não coincide com a vontade psicológica. Quantas profissionais com mais de 35 anos estão sofrendo com tratamentos porque deixaram para tomar a decisão nesse prazo último!

O envolvimento profissional define a hora de ser mãe em quase 1/3 dos casos e o adiamento do plano de ter filhos é de 5 anos, em média. A enxurrada de informações em que estamos submersas, a sensação de impermanência, o individualismo e a cultura do descartável, além de nos encontrarmos rodeadas de coisas temporárias, existe uma cobrança para que as pessoas se atualizem constantemente. O fato da mulher precisar se reconfigurar constantemente, gera um enorme stress.

Num especial da revista Cláudia, de 1 de Abril de 2006, chamou a atenção a reportagem: “Acredite: a maternidade pode impulsionar sua carreira”. Nela, consultoras de RH apontaram várias vantagens de mãe profissional. Veja:

Tolerância: mãe tem paciência e tolerância para aceitar que as situações não são exatamente como se espera e sabe que não dá pra ter tudo sob controle. No contato com as próprias limitações e com as das crianças, fica menos rígida nas relações e aceita melhor as limitações de cada um.

Organização: Depois da chegada dos filhos, aumentam tarefas e responsabilidades. É preciso priorizar as tarefas e organizar-se.

Concentração e foco: Como o tempo é precioso, a ordem é concentrar-se e focar as prioridades, ou seja, fazer o dia render.

Flexibilidade: Além da capacidade de lidar com imprevistos, a mãe costuma ter jogo de cintura para encontrar soluções. Adapta-se a novas exigências e novos cenários com facilidade.

Versatilidade: As múltiplas funções do dia-a-dia (mãe, esposa, profissional) geram habilidade para trocar de assunto ou tarefa rapidamente e transitar com desenvoltura por várias áreas e atividades.

Negociação: Convencer as crianças a tomar banho ou ensinar o dever exige habilidade de negociação, ponto valorizado pelas empresas.

Capacidade de delegar: Já que não dá pra resolver tudo sozinha, é inevitável delegar alguém os cuidados com os pequenos em pelo menos parte do dia. Saber delegar se traduz em não sobrecarregar e ainda valorizar os outros da equipe.

Observação: Capacidade de observar e compreender o que significa cada choro do bebê é um talento que se adquire. E a percepção aguçada pode ser trunfo na vida profissional.

Comunicação: Para educar bem os filhos, é preciso lançar mão da comunicação. Dar feedbacks à equipe fica mais fácil depois de exercitar essa habilidade com as crianças.

Perspectivas: A maternidade faz a gente perceber o que realmente importa, dando aos problemas o tamanho que eles têm de fato. O resultado é menos stress e mais chances de levar a vida profissional de maneira equilibrada.

Fragmentos do livro: Vida de Equilibrista: dores e delícias da mãe que trabalha. Cecília Russo Troiano. Ed. Cultrix.

www.vidadeequilibrista.com.br