Você vive se cobrando e, vira e mexe, acha que não é uma boa mãe, que deveria dar mais atenção às crianças, à casa, ao marido? Saiba que não é a única.
Fonte: http://revistacrescer.globo.com - outubro de 2009, edição 191.
Por Tamara Foresti

Eu sou a pior mãe do mundo.” Quantas vezes você já se martirizou com esse pensamento? Você faz o melhor para os seus filhos, mas se culpa por ter demorado para trocar a fralda do bebê ou porque não colocou um casaco na mochila da filha. Enquanto observa as outras mães, sempre organizadas e sorridentes, se pergunta se vai dar conta da maternidade. Será que é só você que não tem tudo sob controle?
Definitivamente, você não está sozinha nesse barco. Muitas mulheres amam os filhos, mas não se sentem completamente felizes com a maternidade. Nesse quadro se encaixam as americanas Trisha Ashworth e Amy Nobile, que fizeram mais de 100 entrevistas para escrever Eu Era Uma Ótima Mãe Até Ter Filhos (Ed. Sextante). O livro conta a história de mães possíveis, dando conselhos bem-humorados de como superar as dificuldades do dia-a-dia. Veja trechos da nossa conversa com as autoras, que analisam o que é ser mãe hoje:
ESCOLHAS
Um dos maiores desafios da mãe moderna é ter muitas opções, todas acompanhadas de uma pressão imensa em fazer a escolha certa. Se decidimos e nos arrependemos, vem a culpa. Crescemos achando que queremos e podemos fazer tudo. Por causa disso, nossas expectativas são altas demais. Pessoalmente, fizemos escolhas duras (Amy continuou trabalhando depois de ter filhos e Trisha optou por ser mãe em tempo integral), muito mais difíceis do que imaginávamos.
A CULPA
Culpa é o resultado das expectativas inatingíveis. Ela aparece quando não fazemos perfeitamente tudo o que planejamos. Precisamos alinhar nossas expectativas com a realidade. Uma vez feito isso, aprendemos a fazer escolhas conscientes e convivemos em paz com elas. Assim, deixamos a culpa de lado e paramos de nos comparar com outras mães. A primeira coisa para exorcizar esse fantasma é lembrar que não existe uma mãe perfeita. Em nossa cabeça, criamos um modelo materno cheio de atividades que achamos que deveríamos fazer e, para a maioria das mulheres, ele é irreal. Deveríamos sentar e pensar nas nossas expectativas, procurando priorizar algumas e deletar outras. Só assim começamos a fazer as melhores escolhas para a família.
HUMOR E HUMILDADE
O primeiro passo para aprender a amar a maternidade o tanto quanto amamos nossos filhos é sermos honestas, conversando abertamente sobre nossos problemas com outras mães. Acreditamos que manter o senso de humor e humildade é importante – estamos todas juntas nesse barco e, se pudermos rir dos nossos escorregões e triunfos, o caminho vai ser mais gostoso. Muitas vezes ficamos obcecadas em planejar o futuro ou lamentar o que poderíamos ter feito de diferente no passado. Aprender a viver o aqui e o agora é melhor para a família toda. Uma mãe nos disse que 10 minutos dançando com seus filhos de manhã aumentava o astral do dia inteiro. Esse é um exemplo de como uma atividade simples pode transformar a rotina.
O CASAMENTO
Após o nascimento, as crianças passam a ser a prioridade da vida. Queremos que os maridos leiam nossas mentes e saibam, por intuição, quando precisamos de ajuda e quando devem ser proativos. Entrevistamos vários homens que disseram que fariam qualquer coisa pelas esposas, mas precisavam de um manual para saber como se portar.
CRIANDO FILHAS
Para criar as mães do futuro livres de culpa, precisamos ficar de olho no nosso comportamento. As meninas observam o jeito como nos tratamos. Se colocarmos sempre os outros na nossa frente, a ponto de nunca termos tempo para nós mesmas, é assim que elas serão quando crescerem. Mas se conviverem com uma mulher que se ama, se cuida e aproveita a vida, é isso que aprenderão. Nem todas as mulheres nascem sabendo ser mães. Esse é um dos maiores preconceitos (e expectativas) que criamos. Nem sempre temos instinto materno ou sabemos o que fazer. Na verdade, muitas das habilidades que tínhamos antes dos filhos não valem para a maternidade! Precisamos aprender a ser mães, o que é surpreendente e frustrante. Saber que muitas mulheres também sofrem com isso é um alívio.
SER MULHER
Não somos a mesma pessoa que éramos antes dos filhos. A chave para descobrir o nosso novo “eu” é lembrar que, além de mães, somos mulheres. Para sermos felizes com a maternidade, não podemos esquecer de nós mesmas, nos priorizando de vez em quando. Não se culpe por isso, pois é saudável para a família toda. Queremos que nossos filhos sejam felizes e, um dia, bons pais. Por isso, precisamos dar o exemplo.
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