Ainda na prmeira metade do século XIX, era muito comum a menção aos quatro temperamentos. As diversas características do homem eram explicadas pelo fato de os elementos existentes nele serem “temperados” de diversas maneiras. Contudo, é somente a Rudolf Steiner que devemos uma compreensão fundamental dessa teoria. Esse conhecimento trouxe valiosas indicações para uma nova psicologia e sua aplicação na medicina e na pedagogia. Os quatro temperamentos segundo essa teoria são: o melancólico, o fleumático, o sanguíneo e o colérico. Nesse post, discorrerei sobre o temperamento melancólico.
O melancólico é reconhecível pelos olhos. Ele olha o mundo com pouco interesse; seus olhos, portanto, não costumam estar muito abertos – as pálpebras ficam mais ou menos cerradas, como se seu portador estivesse muito cansado para levantá-las. Nos olhos do melancólico, é especialmente digna de nota de falta de brilho, uma luz opaca. Isso resulta do fato de a pessoa melancólica ter mais dificuldade em permear seu corpo com a alma e com o eu individual, não possuindo, portanto, a leve mobilidade de seu ser espiritual. Na testa de uma pessoa melancólica ocorre, com frequência, o fato de a formação óssea ser acentuadamente densa em sua parte inferior.
Quanto ao nariz, cumpre observar principalmente duas formações distintas. A primeira delas apresenta nariz estreito e alongado, cujas asas não se pronunciam muito. As narinas, neste caso, são estreitas e longas, sem arredondamento como ocorre com as largas. A ponta do nariz durante o andar ereto, aponta para baixo, em direção ao solo. Tudo denota o caráter introvertido e destituído de humor.
A outra formação nasal encontrável em pessoas com temperamento melancólico consiste também num nariz muito longo, mas que somente na parte superior apresenta um cana estreita, enquanto a continuação inferior se torna tosca e carnosa. A ponta do nariz ainda se dirige claramente para baixo, e essa pessoa parece realmente, “de tromba caída”. A metade inferior das faces é em geral espessa, acentuando a impressão de tudo é atraído para baixo.
A primeira forma descrita do caráter melancólico representa a pessoa de constituição mais delicada. Ela se preocupada principalmente consigo mesma, porém ao mesmo tempo esforçando-se em não cometer erros voltados ao exterior e dando, portanto, facilmente a impressão de um homem muito tímido ou de uma mulher que olha com medo ao redor.
O segundo tipo também está atendo ao que se passa consigo, mas ao mesmo tempo demonstrando certa indolência, à qual ele se abandona sem ser exatamente um preguiçoso; é tomado como grande egoísta.
Ambos os tipos que se procurou delinear aqui nem sempre são encontrados nessa forma pura, muitas vezes se superpõem.
O lábio superior afinado é retraído, como de alguém que reflete intensamente; em compensação, o lábio inferior muitas vezes pende um pouco. Rugas marcantes podem ser visíveis, emprestando ao semblante a expressão de dor.
Os membros superiores costumam ser especialmente longos, mas em geral têm conformação delicada, sobretudo as mãos com seus dedos compridos. As pernas e pés são grosseiros, não sendo rara a tendência às chamadas pernas ” x”, bem como os pés chatos. A toda a postura da pessoa falta certa sustentação. O melancólico ditingue especialmente por gostar de manter sua cabeça inclinada para frente, e algumas vezes também para o lado. No sentar e no andar, os ombros são relaxados para a frente o que favorece a postura curvada, arredondada das costas. Tal pessoa, especialmente quando se crê sozinha e não observada, anda meneando os braços, enquanto as plantas dos pés se elevam com grande esforço do solo. Dessa forma o andar se torna muitas vezes pesado ou arrastado.
Mas de que sofre tanto a pessoa melancólica – mais do que um temperamento diverso? Na realidade, ela sofre principalmente sob o peso das sólidas substâncias dos quais é constituído seu corpo. Por que? Porque nem com sua alma e nem com sua individualidade ela pode permanecer ou dominar suficientemente seu corpo. É como se esse corpo lhe fosse muito denso. O melancólico sente-se justamente bem inserido na gravidade. Essa sensação é tão intensa pelo fato de seus ossos terem uma constituição muito densa. Quando essa sensação se itensifica, conduz a mal estares e depressões.
Os chamados ” tranquilizadores” modernos nada mais fazem, do que provocar na pessoa a perda dessa sensação de peso. É dispensável frisar que isso não passa de ilusão, pois apenas são desativados os nervos que levam a gravidade à nossa consciência. Na constituição da pessoa que sofre o mal-estar, nada é alterado.
É especialmente importante compreender que numa pessoa sadia o temperamento nunca deveria desenvolver-se unilateralmente. Sendo esse o caso, conduz facilmente a uma doença; a pessoa excessivamente melancólica adoece sob certas circunstâncias, de uma verdadeira melancolia.
Após descrever o temperamento melancólico, justifica-se formular a seguinte pergunta: o que se pode fazer para ajudar o melancólico adulto a superar suas dores anímicas, que continuamente sofre em decorrência do modo como se sente em seu corpo? Poder-se-ia inicialmente receitar-lhe os medicamentos que proporcionam mais luz e leveza à corporalidade. A maneira de fazê-lo terá, obviamente, de ser dosada de forma individual.
A atividade artística pode contribuir muito para superar a gravidade do temperamento em questão. Em especial pode ser mencionada aqui, como um importante fator terapêutico, a euritimia criada por Rudolf Steiner. A pintura também exerce uma influência antroposófica. Nesse contexto, naturalmente, tampouco se pode esquecer a música.
Referência bibliográfica:
GLAS, Norbert. Os Temperamentos. A face revela o homem – II. Ed. Antroposófica.
