Antes tarde do que nunca…

13 09 2009

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  Sempre é tempo para transformar a vida e continuar a criar…

  Só é preciso uma mente disposta e determinada…

 Fonte: Revista Vida Simples – Maio de 2004.

Por: Eugênio Mussak.

Costumamos ouvir a expressão “antes tarde do que nunca” em duas circunstâncias diferentes. A primeira, mais freqüente, ocorre quando alguém se atrasa com um compromisso e finalmente cumpre com o esperado. Nesse caso, pronunciamos a frase com uma conotação que mistura uma sensação de alívio com uma censura irônica. Algo como: “Ufa! Antes tarde do que nunca. Mas, da próxima vez, vê se não demora tanto”. A ênfase vai para a palavra “tarde”, e os olhos de quem a pronuncia abrem-se em uma reprovação esbugalhada.

 Quando isso acontece, o que está em discussão é o comportamento reprovável de não ter respeito pelo tempo dos outros, ou ainda o de cultivar o hábito de deixar tudo para a última hora e acabar se atrasando. É claro que todo mundo já se atrasou ou demorou para concluir um trabalho, mas para algumas pessoas isso já virou rotina. Dessa forma, dificilmente alguém construirá uma imagem de cidadão responsável.

A segunda maneira de usarmos a famosa frase é melhor, mais alegre e até edificante. Ocorre quando uma pessoa faz algo para o qual estaria muito velha para fazer, pelos padrões convencionais. Nesse caso pronunciamos a frase com ênfase no “nunca”. O tom é outro. A expressão facial também. Há um meio sorriso desenhado nos lábios, ao mesmo tempo em que os olhos se fecham ligeiramente, como se a pessoa quisesse olhar para dentro de si mesma.

 Eu mesmo já falei várias vezes essa frase, ainda que por meio de variações do tipo: “Puxa, que bom, sempre é melhor fazer tarde do que não fazer nunca!”. Lembro-me, por exemplo, de meu velho amigo Sady. Ele era formado em farmácia e, até os anos 60, os farmacêuticos eram autorizados a conduzir a anestesia dos pacientes durante as cirurgias, pois não havia número suficiente de médicos anestesistas.

Só que, de um dia para o outro, os farmacêuticos foram proibidos de aplicar anestésicos durante cirurgias e o Sady perdeu sua profissão. O que poderia ele fazer, considerando que já tinha passado dos 60 anos, o que, na época, dava-lhe status de “idoso”? Que tal uma aposentadoriazinha? Para muitos seria a saída lógica. Mas não para o Sady. Sua opção: estudar medicina.

 O tempo, a gente faz…

Tive a sorte de ser colega do Sady. Ele não tinha a mesma facilidade para acompanhar as aulas, principalmente porque vinha todos os dias de ônibus desde sua cidade no Paraná, Ponta Grossa, para estudar em Curitiba, viajando cerca de 200 quilômetros diariamente. Mas, durante todos os anos de convivência, nunca o escutamos queixar-se das dificuldades, da viagem, do governo, da sorte. Nada disso. Ele não era homem dado a queixas e sim a superações.

Quando cursamos a disciplina de técnica operatória, que incluía muitas cirurgias realizadas em animais, principalmente em cães, quem era o anestesista? O Sady, é claro. Ele anestesiava com arte e com um indisfarçável orgulho. E quer saber? Ele era muito bom no que fazia. Enquanto outros animais muitas vezes morriam, não por causa da cirurgia, mas por causa dos erros anestésicos, aqueles atendidos pelo experiente anestesista nunca tiveram nenhum problema.

 Penso em meu colega toda vez que ouço alguém se queixar de que já está muito velho para um novo empreendimento, para voltar a estudar, para uma viagem longa, para mais um casamento, para ter um filho, ou para qualquer tipo de iniciativa que exija a tal “juventude”, como se isso fosse uma espécie de qualificação profissional e não o que realmente é: um estado de espírito. Conheço maravilhosos “jovens” de 70 anos que continuam a produzir e amarrotados “velhos” de 30, sem disposição para nada.

 Pois é, mas o “antes tarde do que nunca” não se aplica apenas a pessoas mais velhas, mas também àquelas que fazem coisas que são consideradas pela sociedade “fora do seu tempo”: uma mulher que tem filhos depois dos 40 anos não é velha, mas ter filho nessa idade é considerado “fora do tempo ideal”. Da mesma forma que fazer escola de circo aos 40 anos, ou um curso de dança com 50, ou resolver mudar de profissão quando se está no auge da carreira, ou fazer vestibular junto com seu filho mais novo.

Somos o que pensamos…

Na realidade, tudo depende do modo como cada pessoa encara a vida. Ou seja, depende de uma postura, uma atitude. E a atitude começa na cabeça. Há gente que se considera velha, e há gente que parece estar sempre recomeçando, o que absolutamente não significa negar o que já foi feito. Portanto, depende da percepção que a pessoa tem de si mesma.

Perceber significa “apoderar-se de uma imagem”, “aprender pelos sentidos”. E os sentidos variam muito entre os indivíduos. Duas pessoas olham para uma dificuldade. Uma vê um problema; a outra, uma oportunidade. Duas pessoas de mesma idade olham para si mesmas. Uma vê um jovem, a outra vê um velho. E, na maioria das vezes, a diferença está apenas na maneira de ver a si mesmo.

Há um capítulo do estudo da mente humana chamado “psicologia da consciência”. Quem lhe deu início foi o médico americano William James (1842-1910), que, antes de estudar medicina, tentou ser um explorador da natureza, tendo estado inclusive na Amazônia. Depois dessa viagem, declarou que se sentia mais estimulado pelos mistérios do espírito humano do que pelas florestas tropicais.

 De acordo com James, “todo pensamento tende a ser parte de uma consciência pessoal”, o que significa que o raciocínio deriva das experiências e das percepções próprias de cada indivíduo. Inclusive as experiências e percepções sobre si mesmo, o que coloca o indivíduo fora de si, como se fosse um agente externo. E esse agente pode estar “envelhecido” e “derrotado” pelas experiências e pelos estímulos recebidos durante a vida. Ou o contrário disso.

Mas ele também afirmou que, “dentro de cada consciência pessoal, o pensamento está sempre se transformando”. Boa notícia. Isso quer dizer que podemos ver o mesmo objeto, ouvir o mesmo som, saborear a mesma comida, e nossa consciência dessas percepções pode mudar a cada vez. Ou seja, cada um de nós pode aprimorar a maneira como se percebe, e isso está na dependência de sua própria vontade. E, claro, das atitudes que decorram dessa vontade. Assim, você estará “fora do tempo” apenas quando decidir.

Disposição para recriar…

Tem gente que organiza seus pensamentos a partir de uma consciência construída sobre bases saudáveis e sempre positivas. Meu amigo Carlos Júlio, bem-sucedido executivo que consegue associar uma grande competência nos negócios com uma contagiante alegria de viver, relata uma experiência que diz muito sobre isso. Esteve recentemente visitando o escritor Peter Drucker, autor de obras clássicas sobre a dinâmica corporativa das empresas, em sua casa, na Califórnia, Estados Unidos.

Ele conta que, no meio da conversa, o velho mestre disse que havia parado de dar aulas há 16 anos. No entanto, logo depois comunicou que teria que se retirar, pois precisava preparar uma aula que daria no dia seguinte pela manhã. Ao ser indagado sobre a contradição, Drucker explicou: ele tinha parado de dar aulas de administração de empresas, mas agora estava lecionando arte oriental.

Havia se apaixonado pelo tema há apenas cinco anos, mas, para ele, tempo suficiente para se transformar em uma autoridade, a ponto de virar professor. E o melhor: relatou ao atônito brasileiro que, quando ele tinha 20 anos (hoje está com 95), tomou a decisão de dedicar-se a estudar em profundidade um tema a cada cinco anos. Passados 70 anos, ele domina muito bem pelo menos 15 assuntos, além daqueles ligados à sua profissão de administrador. O último tema, arte oriental, começou a estudar com afinco aos quase 90 anos. Tarde? Pois se não fosse agora, seria nunca! O que é melhor?

 Ser inteiro em cada ação…

A História está repleta de figuras que realizaram grandes feitos em idades avançadas, pois tiveram a capacidade de perceber que não há limites para a determinação. Para elas, nunca é tarde, pois quem acha que é tarde acaba não fazendo nunca.

O compositor italiano Giuseppe Verdi escreveu sua obra-prima, a ópera Falstaff, aos 80 anos, e ainda continuou escrevendo depois. O artista italiano Michelangelo aceitou a encomenda de pintar o interior da Capela Sistina aos 63 anos de idade. O filósofo grego Platão deu aulas em sua academia já octogenário. O ator e diretor inglês Charles Chaplin dirigiu o filme A Condessa de Hong Kong aos 78. E o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer já está com 96 anos e continua debruçado na sua prancheta em Copacabana, produzindo maravilhas em concreto e vidro.

 Há esses heróis que são eternos por suas obras e por suas atitudes perante a vida. E há também os heróis do cotidiano. Todos conhecemos alguém, uma pessoa comum, ou aparentemente comum, que não passará à posteridade pela literatura, mas que cumpre a missão maior de dar o exemplo de uma vida digna. Que tiveram coragem de buscar a felicidade em uma nova atividade, que não deixaram de arriscar novos rumos, independentemente da idade e do tempo.

O poeta português Fernando Pessoa, assinando em seu nome, ou no nome de um de seus inúmeros heterônimos, escreveu sobre as várias facetas da alma humana. Produziu muito sobre aqueles que cruzam a vida sem sonhos e que, por medo de errar, simplesmente deixam de fazer e de viver. Neste trecho de um poema, ele parece dar um conselho àqueles que se acham pequenos e pensam que já é tarde:

 Para ser grande, sê inteiro

 Nada teu exagera ou exclui

 Sê todo em cada coisa

 Põe quanto és no mínimo que fazes

 Em cada lago a lua toda brilha

 Porque alta vive…

 Afinal, em qual dos dois sentidos você quer ouvir a frase “antes tarde do que nunca”? No sentido de viver correndo atrás do tempo e fazendo as coisas tarde demais, desrespeitando as pessoas ao redor? Ou com o outro significado, de continuar fazendo coisas, desprezando o conceito do tarde e colocando energia para mostrar que o nunca é um tempo que não existe de verdade? A escolha é só sua.

 

Eugênio Mussak é biólogo e educador, consultor na área de desenvolvimento humano, autor e conferencista. www.eugeniomussak.com.br





Desafios para uma profissão

18 08 2009

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Não há dúvidas de que a Psicologia seja uma profissão; mas há enormes desafios no campo de trabalho.

Segundo o sociólogo Jorge Alexandre Barbosa Neves, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, os principais critérios para se caracterizar uma profissão são o conhecimento técnico específico, a identidade profissional consistente e, alguns casos, o controle sobre o acesso à profissão. Considerando-se esses parâmetros, a Psicologia possui todos os requisitos para se caracterizar como uma profissão e, inclusive, a sua lei de regulamentação, a Lei 4.119, também dispõe sobre os cursos de formação em Psicologia.

Se não há dúvida de que a Psicologia seja uma profissão, há entretanto, diversos questionamentos quanto ao atual estado de suas relações e condições de trabalho. “Existem dados que apontam para o fato de que a Psicologia no Brasil é precarizada, mas precisamos investigar isso com mais profundidade”, afirma Rogério de Oliviera Silva, presidente do Conselho Regional de Psicologia de MG. Os “fortes indícios” de precarização, na perspectiva de Rogério, são os baixos salários oferecidos nos concursos públicos, o grande número de trabalhos voluntário “em posições extremamente frágeis e equivocadas” e a falta de um piso salarial. Rogério acredita que esses problemas atingem não só a Psicologia mas todas as profissões lidam com outros seres humanos (serviço social, pedagogos, professores, etc). “Essas profissões passam por certo desinvestimento. É uma desvalorização interessada”, diz.

Já para o psicólogo Marco Antônio de Azevedo, professor da Pontífica Universidade Católica de MG, apenas num primeiro momento se poderia dizer que o fato de lidar com o subjetivo, com o humano, é um elemento que potencialmente desvaloriza a Psicologia atualmente. “Num mundo com uma ética econômica, com relações mercantilistas, falar da subjetividade parece não interessar muito”. No entanto, explica Marco Antônio, “ao mesmo tempo que o psicólogo incomoda ele também é demandado. “Há uma dinâmica aí”, afirma o psicólogo, que também acredita que há uma precarização geral das profissões que lidam com o conhecimento.

“Mas como deixar de falar da subjetividade?”, se pergunta o professor. “A subjetividade é tão concreta quanto as outras dimensões das relações humanas. Pode ser até incomodo falar do mal estar produzido por certas relações humanas, mas a subjetividade está sempre presente, faz parte da realidade também”, diz.

PSICOLOGIA E CAPITALISMO?.

“A Psicologia nasce, enquanto profissão, com a clareza que é voltada para a inclusão”, explica Rogério Oliveira, contrapondo o modelo que caracteriza como tutelar, no qual os “homens de bem” escolhem quando e quais direitos serão acessados pela população, ao modelo que chama de inclusivo. “A Psicologia não é uma profissão que tenha ‘talento’ ou ‘vocação’ para servir ao modelo econômico. A tentativa de colocar a Psicologia a serviço de um determinado modelo de dominação das minorias foi uma tentativa que não deu certo”. Para ele, a “Psicologia deixa de ser Psicologia quando ela abre mão de trabalhar pela inclusão do outro.”

Para o professor Marco Antônio Azevedo, um dos problemas da “convivência” da Psicologia com o sistema econômico vigente é que “ela não gera produtos muito concretos“. O trabalho do psicólogo é pouco visível, snedo difícil de avaliar, quantificar.

Mas como sobreviver como uma profissão preocupada com o subjetivo e voltada para a inclusão neste mundo capitalista? “É preciso que as instituições de Psicologia lutem contra qualquer tipo de expropriação e exploração, e que elas garantam as condições para que essa profissão exerça esse papel de favorecedora da inclusão”, responde Rogério Oliveira.

TRABALHO: EIXO NORTEADOR PARA A PROFISSÃO.

Para Rogério, o psicólogo precisa se reconhecer e ser reconhecido como um profissional responsável pela inclusão social. “E isso não deve ser apenas um projeto profissional, corporativista”, diz. “Tem que ser um projeto de sociedade, de nação.” A defesa de Rogério é de que o trabalho é o centro norteador de todas as questões. “Não existe hoje, outra atividade humana tão central na vida das pessoas quanto o trabalho.”

Há concordância entre Rogério e Marco Antônio: “o psicólogo tem que ser um mediador da subjetividade humana no trabalho”, diz o professor da PUC Minas. Para ele, o psicólogo deve assumir-se no trabalho, qualquer trabalho, como um produtor da subjetividade. “Há uma negligência do psicólogo de não pensar na categoria trabalho como constituidor da subjetividade e a Psicologia está pagando um preço alto por isso”, afirma.

“É preciso hoje, reunirmos mais psicólogos para estudar e nos comprometermos com as questões do trabalho e da subjetividade. Precisamos de mais pesquisadores e estudantes”, diz Marco Antônio, que considera que esses são elementos muito importantes para o avanço da Psicologia. Para o presidente do CRP-MG, os psicólogos precisam se conscientizar de que a Psicologia não será apenas importante no processo de inclusão dos cidadãos – no acesso aos direitos – mas, também, para “garantir que esses sujeitos possam viver com o que conquistaram”, conclui.

Fonte: Jornal do Psicólogo, ano 26, número 94 – julho de 2009.

 





Juventude, emprego e educação no Brasil

12 07 2009

 

 

 

School Kids Diversity

 

Por Simon Schwartzman e Mauricio Blanco Cossío

Fonte: Associação Brasileira de Orientação Profissional

Até aos 14 anos de idade, a pressão econômica sobre as crianças não é grande, a renda que ela conseguiria trazer para casa é reduzida, e o trabalho, quando existe, tende a ser de tempo parcial, não impedindo, necessariamente, que a criança estude. Para as famílias, ter uma escola que receba seus filhos, lhes proporcione uma boa merenda e a perspectiva de, um dia, de conseguir um trabalho estável e bem pago, são incentivos suficientes para mandá-los para a escola. Os dados disponíveis revelam que, de fato, a quase totalidade das crianças até 12 anos de idade estão matriculadas em escolas, e freqüentam as aulas.

A situação começa a se alterar dramaticamente a partir dos 13-14 anos. Nesta idade, os fatores que expelem as crianças as escolas começam a se tornar mais fortes, a autoridade dos pais sobre os filhos diminui, e as necessidades financeiras começam a se fazer sentir.

Tudo indica que, neste primeiro momento, os fatores de expulsão de dentro da escola são mais fortes do que os fatores de atração do mercado de trabalho, ou a pressão da necessidade financeira. Existe uma extensa literatura que mostra que o desempenho escolar no Brasil está fortemente associado ao nível socioeconômico dos estudantes, e que ele é pior nas escolas públicas do que nas escolas privadas, para os mesmos níveis  socioeconômicos de alunos e professores (Soares 2005). A quase totalidade dos alunos das escolas públicas, em todos os níveis, têm desempenho inferior ao prescrito pelas respectivas séries, e muitos permanecem como analfabetos funcionais através dos anos. A tradição brasileira de reprovar os estudantes que não aprendem, em geral, não faz com que eles aprendam mais, mas que fiquem segregados em turmas consideradas, na prática como irrecuperáveis, e terminem por abandonar a escola. As experiências de progressão automática, ou social, não resolvem o problema, por não estarem associadas a políticas pedagógicas adequadas para recuperar e reintegrar os estudantes.

Existe um consenso crescente de que, embora as condições socioeconômicas e culturais das famílias tenham um grande peso no desempenho escolar de seus filhos, é possível, pela adoção de métodos pedagógicos adequados e pelo gerenciamento competente dos recursos humanos e materiais disponíveis, obter resultados significativos. É necessário, além disto, investir recursos para aumentar o tempo de permanência dos alunos na escola, hoje limitado a 3 ou 4 horas diárias; reduzir o ensino público noturno, que hoje absorve a metade da matrícula pública no nível médio, geralmente por falta de espaços próprios para escolas deste nível nas redes escolares. E é necessário, finalmente, investir na qualidade e na carreira dos professores, tornando-a mais atrativa e competente.

Do lado da demanda, é importante liberar os jovens que, a partir de 14 ou 15 anos, precisam trabalhar para ajudar no sustento da família, a se livrar desta obrigação. O Programa Bolsa Escola, assim como seu sucessor, o Bolsa Família, limitava sua contribuição a famílias com crianças até 14 anos de idade, e por isto era redundante.

Recentemente, o Ministério da Educação anunciou que haveria um programa de apoio financeiro a jovens de 15 a 17 anos, o que significa uma melhora importante de focalização. É necessário, no entanto, que este programa esteja fortemente associado um programa educacional efetivo voltando para a reinserção e recuperação dos jovens que saíram da escola, ou que estejam a ponto de sair, para que possa ter efeito.

Não parece haver solução para o problema dos altos níveis de desemprego e da má qualidade do trabalho para os jovens até 17 anos de idade, e sem qualificação. A legislação brasileira não permite que o jovem trabalhe antes dos 18 anos, e mesmo nesta idade, suas chances de inserção no mercado de trabalho são muito reduzidas, se tiver tido uma educação de má qualidade e não puder sequer apresentar os títulos escolares correspondentes à sua idade. A combinação adequada entre melhoria da educação básica e o apoio financeiro aos jovens que realmente o necessitam e tenham condições de permanecer na escola é o único caminho possível, embora difícil, para resolver ou pelo menos ajudar a minorar o círculo vicioso da má educação, pobreza e desemprego, e todas suas seqüelas.

 

Os jovens brasileiros de baixa renda vivem em uma situação dramática, espremidos entre um sistema de educação pública de má qualidade e, a partir da adolescência, à necessidade crescente de ganhar dinheiro em um mercado de trabalho precário e de difícil entrada. As políticas necessárias para tentar resolver esta situação devem lidar com o problema da qualidade da escola, com as necessidades de renda, e fazer isto tomando sempre em consideração as importantes diferenças que existem para os diferentes grupos de idade.





Por que o salário nunca é suficiente?

28 06 2009

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Por: Jerônimo Mendes*

Milhares de profissionais acordam todos os dias e, contrários à sua vontade, seguem para o trabalho onde, na maioria dos casos, vão fazer o que não gostam, sorrir para quem não querem e ganhar menos do que poderiam. Por outro lado, outros milhares acordam todos os dias, e contrários à sua vontade, correm para a próxima banca a fim de comprar o jornal para procurar emprego e enfrentar a fila da última vaga disponível onde, em muitos casos, ela existe porque alguém chegou à conclusão de que era melhor tentar um novo emprego ou ainda porque foi disponibilizado para o mercado.

Assim é o mundo corporativo. Existe sempre alguém disponível para ocupar a sua vaga pela metade do seu salário, portanto, mudar de emprego não basta. Reflita sobre os seus ganhos. Sai dissídio, entra dissídio, sai chefe antigo, entra chefe novo e, mesmo assim, você continua ganhando pouco. Vinte anos se foram na mesma empresa e você não foi reconhecido. Muitos vieram de fora e você não foi promovido. Qual a razão para isso?

 É muito simples, mas antes permita que eu compartilhe uma história que ocorreu comigo há muito tempo. Certa vez tomei coragem e abordei o diretor da unidade onde eu trabalhava numa grande companhia e fui direto ao ponto:

- Grande chefe, o meu salário não sobe faz muito tempo, o dissídio foi pouco e não resolveu o meu problema. Existe algo que possa ser feito por mim? Na época eu ganhava um bom salário, nada mau para quem saiu do interior, galgou a escada corporativa e, de emprego em emprego, foi melhorando, mas, para minha surpresa, ele foi mais direto do que eu:

- Grande Jerônimo! Como eu gosto de você e do seu trabalho, juro, mas deixa eu te dizer uma coisa: esse negócio de aumento é besteira, vai por mim. Eu, por exemplo, ganho quase 30 mil por mês e não me sobra nada. A única coisa que eu posso fazer é ajudá-lo com a rescisão e a multa do FGTS.

Na hora eu fiquei mudo e dei aquele sorriso infeliz, porém o fato me fez repensar a maneira de ver o problema. De lá para cá prometi a mim mesmo que nunca mais pediria aumento de salário, mas faria tudo para construir a minha própria renda. Ele não deixava de ter razão, pois o importante não é quanto você ganha, mas como você gasta e administra a parte que lhe cabe.

O maior erro que se pode cometer é não saber viver com o salário que se recebe e, por conta dos “brinquedinhos” que a mídia incute diariamente na sua mente e na mente dos seus filhos, você acaba levando uma vida de empréstimos e mais empréstimos e faz do cheque especial a extensão do seu salário. É necessário muito amor e equilíbrio para resolver o problema da falta de dinheiro na família. O salário nunca será justo e suficiente para as suas necessidades e você está sempre querendo mais, pois a despesa cresce na mesma proporção da sua receita.

De fato, 5% de dissídio ou 10% de meritório não vão resolver a sua vida, portanto, greve, pressão, cara feia, conversa séria com o chefe e até mesmo um novo emprego não será suficiente para amenizar a insatisfação se você não praticar uma virtude essencial para o sucesso na vida pessoal e profissional: DISCIPLINA.

Sem disciplina, não importa se você ganha salário mínimo ou dez mil reais por mês, você será eternamente infeliz. Por essa razão é que testemunhamos diariamente na mídia pessoas sorridentes que ganham de um a três salários por mês e pessoas extremamente vazias e infelizes que ganham salários astronômicos que os primeiros nem imaginam conseguir durante uma vida inteira de trabalho e mesmo assim são felizes. Nas palavras de Henry Ford, “se o dinheiro for a sua única esperança de vida, você jamais a terá. A única segurança consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência”.

Penso que a maneira mais fácil de conseguir aumento de salário é fazer algo diferente e produtivo, principalmente quando você constrói o próprio negócio e torna-se um empregador por excelência. Não reclame do patrão nem do salário, pois é deselegante e antiético. Legal mesmo é perseguir os sonhos e uma renda maior de outra forma, com cabeça, coração e criatividade.

Há um provérbio iídiche que diz o seguinte: com dinheiro no bolso você é bonito, inteligente e sabe até cantar. Portanto, pense nisso, seja disciplinado, poupe mais, construa a renda ideal, sofra menos e seja feliz!

 

Jerônimo Mendes*

Graduado em Administração de Empresas pela UNIFAE.Pós-Graduado em Logística Empresarial pela UNIFAE Especialista em Processo de Consultoria pelo IEA – Santa Catarina. Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local pela UNIFAE Consultor e Palestrante Motivacional. Sócio-Gerente da Consult Consultoria em Gestão e Treinamento Autor dos livros Oh, Mundo Cãoporativo! (Qualitymark), Encontro das Estrelas (Cançào Nova) e Benditas Muletas (Vozes) Professor de Empreendedorismo (Graduação) e Processo de Consultoria (Pós-Graduação)

Site: www.jeronimos.com.br





Mulheres investem no Coaching…

31 05 2009

Garantia de Sucesso

 

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As mulheres estão tomando conta do mercado de trabalho. Isso está acontecendo porque o pensamento de muitas profissionais brasileiras, que querem aliar o sucesso pessoal ao trabalho, é de chegar até a presidência das empresas. Para isso, é preciso ser dedicada e comprometida com os resultados e estabelecer um planejamento em que as competências sejam o foco de desenvolvimento.

No Brasil, alguns dados de pesquisas desenvolvidas pelo IBGE, juntamente com outra empresa de anúncios de empregos, indicam que as profissionais da “sociedade pós-moderna” estão invadindo o mercado de trabalho. Hoje, 44% da população economicamente ativa são mulheres. Nas faixas de 30 a 39 anos, elas ocupam postos de trabalho na proporção de 26,5% contra 20,8% ocupados pelos homens e na de 40 a 49 anos, 20,8% contra 19,1% de homens. A participação de executivas em cargos de gerência cresceu cerca de 10% de 1994 para o inicio de 2007. Hoje, são mulheres gerentes 22,16%, em 94 eram apenas 12,42%. Já existem 15,14% de executivas ocupando cargos de presidência em empresas.

Entretanto, o sexo nada frágil, para alcançar prestígio profissional tem acumulado cada vez mais funções e atividades e, administrar toda essa demanda, é um desafio. A psicóloga e diretora do Instituto Saber, Márcia Dolores Rezende, explica que algumas têm encontrado apoio em profissionais que as auxiliem na hora de tomar decisões, de enfrentar pressões, medos e, ainda que ensinem a como aumentar as competências pessoais da equipe. “Essa grande dificuldade em conciliar o trabalho e vida pessoal e também de alcançar cargos de liderança fazem delas as maiores usuárias de sessões de coaching eficaz com PNL, processo que dá oportunidade para o desenvolvimento de talentos de forma estruturada. Através dessa ferramenta, é possível gerenciar limitações por meio de instrumentos práticos e vivenciado seu dia-a-dia”, destaca.

Márcia afirma que as mulheres se cobram mais que os homens, e lutam mais para chegar onde desejam, sempre querendo mais. Mesmo em pleno século 21, ainda sofrem pressões de crenças que permeiam a atuação profissional.

Segundo as observações da psicóloga, a vontade de receber uma orientação profissional coincide com algumas transformações no plano pessoal e para reestruturar a carreira, as gestoras optam pelo coaching eficaz. “O treinamento personalizado oferece dados para motivar e permitir que as mulheres acreditem em sua capacidade, catalisando mudanças e mobilizando os outros a fazerem o mesmo. Para realizar esses anseios, é fundamental desenvolver competências, liderança, autoconfiança, iniciativa e comunicação, e o coaching eficaz, aliado a uma das áreas da Programação Neurolinguística e da Psicologia Transformacional, facilita e ajuda as executivas a chegarem às metas que almejam”, defende a psicóloga.

Márcia ressalta que o uso das ferramentas da PNL é indicada especialmente para quem deseja devolver o potencial interno de habilidades emocionais. “As instruções transmitidas são feitas a partir de explicações didáticas e exercícios passo a passo que ensinam, na prática, como utilizar o poder da mente a seu favor, equilibrando o profissional com o emocional. Num mercado competitivo o uso da inteligência emocional e social são facilitadores num processo de desenvolvimento”, finaliza.

Fonte: SEGS Portal Nacional





Teste vocacional é apontado como alternativa na escolha da profissão

24 05 2009

MANAUS – Existem pessoas que desde cedo, já sabem qual profissão seguir. Mas a maioria chega à idade adulta sem saber qual profissão seguir. Um bom auxiliar nestes casos são os testes vocacionais.

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Os testes vocacionais, ou de OP (orientação profissional), só podem ser feitos por psicólogos e seu acerto é de 99%, garantem estes profissionais.
De acordo com a psicóloga Grizelda Leonardo Amorim da Silva, “uma das mais difíceis decisões, para a maioria dos indivíduos, se encontra na escolha da carreira ou profissão. Sem o conhecimento de si mesmos, de seus interesses, aptidões e expectativas, as pessoas correm o risco de optar por profissões que estejam na moda ou que sejam mais lucrativas”.

Já a psicóloga Consuelo Barroco da Rocha completa dizendo ser maior o problema da dúvida durante a adolescência “em virtude dos jovens viverem a descoberta de si mesmos, sentindo-se perdidos e confusos. A insegurança, a falta de informação e a personalidade, ainda em formação, tornam difícil para o adolescente a escolha do que ele pretende ser no futuro”, disse.

Para as duas psicólogas, que mantém um consultório no centro de Manaus, apesar de o acerto dos testes de orientação profissional serem de praticamente 100%, a procura pelas pessoas que precisam deles é pouca, principalmente porque há pouca divulgação nas instituições educacionais junto aos seus alunos. “Sugerimos que essas instituições possuam um serviço de OP, visando divulgar informações sobre as profissões existentes, minimizando, assim, as dificuldades na escolha profissional dos alunos. Podemos dizer que o acerto dos testes é imediato em 99% dos pacientes e 1% numa aceitação futura”, concluem.

Na hora da escolha

O objetivo dos testes de OP é mostrar à pessoa, com segurança e precisão, qual a profissão ideal ela deve seguir, dando uma visão geral da área profissional em que ela se enquadra e das profissões que existem nessa área. Os testes são um processo que ajudam na resolução de um conflito na hora da escolha.

Durante o processo, que dura em média 15 dias, podem ser utilizados diversos testes de comprovada eficiência científica, sendo aplicados no mínimo três e no máximo cinco, ficando a escolha do que vai ser aplicado a critério do profissional. “Os testes visam medir aptidões, interesse, personalidade, maturidade e inteligência do indivíduo”, disse Griselda, ressaltando que o processo inicia-se com a entrevista, continua com a aplicação dos testes com técnicas projetivas gráficas, não gráficas e psicométricas, que irão originar um laudo com posterior devolução ao indivíduo.

Fonte: Jornal do Commércio – SK





DO SONHO AO PESADELO…

8 02 2009

DO SONHO AO PESADELO…

O desejo de conseguir uma vaga no serviço público, muitas vezes, pode acabar se transformando em desmotivação e frustração.

Texto: Vanessa Jacinto

Fonte: Estado de Minas, domingo, 08 de Fevereiro de 2009.

A possibilidade de aliar bons salários à estabilidade tem feito a conquista de uma vaga no serviço público se transformar no sonho de nove entre dez profissionais. Embora nem todos, efetivamente, se rendam à maratona de provas que elegem os premiados, uma espécie de mito ronda os cargos públicos, quase sempre associados a uma série de regalias.

Parece óbvio afirmar, portanto, que a dedicação em busca de um cargo público pode ser um ótimo investimento para a carreira profissional. Contudo, em meio ao que para ser o paraíso do mercado de trabalho, muitos servidores não encontram a realização profissional e, fora de suas áreas originais de formação, grande parte também enfrenta o chamado desvio do função, a falta de autonomia, o peso da burocracia e as insuficientes oportunidades de crescimento.

Assim, a chamada euforia da premiação, simbolizada pela difícil e disputadíssima conquista de uma vaga, em pouco tempo de atuação, muitos servidores acabam se tornando profissionais insatisfeitos e doentes. O sonho, então, acaba se transformando em pesadelo…

Foi mais ou menos o que aconteceu com Maria Ernestina Cotta, que, em grande parte dos 16 anos em que trabalhou no serviço público, foi vítima de desmotivação e de uma paralisante burocracia. Ela conta que a insatisfação era inevitável. A constante mudança de políticos, a falta de verbas, as dificuldades enfrentadas até resolver questões básicas e operacionais do dia-a-dia, sempre esbarrando na burocracia, foram minando sua tranqüilidade e gerando uma frustração que logo refletiu no ganho de peso e numa dificuldade enorme para perdê-lo. Quando Maria Ernestina percebeu que não dava mais para continuar, investiu na abertura de um negócio próprio, com o qual se identificasse. A motivação logo restabeleceu e as dificuldades comuns a qualquer negócio logo foram dando lugares aos resultados. No novo trabalho pode exercer sua criatividade e empreendedorismo.

No entanto, como em qualquer emprego, a satisfação no trabalho depende da adequação do profissional à função que vai desempenhar, o que muitas vezes, não acontece no funcionalismo. Antes de decidir largar tudo para ingressar num concurso público, é preciso pensar nos prós e contras, veja quais são eles:

Vantagens:

- Possibilidade de atuar para um público maior, prestando um serviço que melhore a qualidade de vida das pessoas;

- Saber que seu trabalho tem um impacto direto em termos de cidadania;

- Segurança financeira e estabilidade no emprego;

- Em virtude do rigor nos concursos, o nível de escolaridade é alto, o que facilita o treinamento das equipes dentro das novas atribuições;

- O governo tem investido muito em tecnologia, transparência de gestão e treinamento de pessoal.

Desvantagens:

- A sensação de segurança pode ser o caminho mais rápido para a acomodação;

- Sem a possibilidade de exercer sua criatividade e autonomia, muitos profissionais se frustram no serviço público;

- As regras que limitam a autonomia e a progressão de salário são muito rígidas e nem sempre claras para todos os funcionários e nem em quantidade adequada;

- Há muito preconceito com o funcionalismo.

Enfim, vantagens e desvantagens coexistem. Um problema comum relatado pelos servidores públicos é a falta de oportunidade de crescimento. A partir da Constituição de 1988, o servidor público ocupante do cargo efetivo ficou impossibilitado do crescimento na carreira. O inciso II no artigo 37 diz que “a investidura em cargo ou emprego público depende da aprovação prévia de concurso público de provas ou provas e títulos, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração”.

Diante do excessivo rigor desse texto constitucional, provocado pelo discurso de moralização e eliminação de privilégios, os servidores ocupantes de cargo efetivo foram engessados no cargo ou emprego de ingresso, sem qualquer perspectiva de mobilidade a não ser de dentro do mesmo cargo por promoção ou progressão.

Não importa o esforço para capacitação, a conclusão de curso de nível superior, especialização ou o desempenho de tarefas de alta complexidade de um servidor público. As promoções quando ocorrem, também costumam estar ligadas a políticas e bons relacionamentos pessoais.

Portanto, os seis primeiros meses de pós-aprovação num concurso são um alívio e alegria. Entretanto, quando começam a ter que apresentar produção, nasce a consciência e conflito, já que muitos estão fora da sua área de atuação e formação acadêmica. Podem surgir sintomas como: dor de cabeça, insônia, problemas intestinais, estresse entre outros. Os acomodados viram colegas de trabalho apáticos e pouco confiáveis. Os que decidem ficar de maneira positiva, acabam descobrindo uma maneira pró-ativa de construir o que desejam O desafio é maior, mas isso não quer dizer que a solução para todos os insatisfeitos seja abandonar o serviço público e partir para a iniciativa privada.





Leituras de um retrato da realidade…

5 08 2008

Carreira profissional não é a maior preocupação entre os jovens de 16 a 25 anos, segundo pesquisa realizada pela Data Folha.

Outro dia, eu estava pensando nisso. Como os jovens de hoje são poucos engajados nas questões sociais, políticas e descompromissados consigo mesmos. Aí leio essa matéria e penso: o que eles pensam então? Isso reflete a crise na Educação?  E a família? qual o papel dela na formação desses jovens? Onde está a família desses jovens? O que as famílias pensam sobre isso? Como orientam seus filhos para a vida adulta? E a escola? Qual o papel dela? Qual o perfil do jovem de hoje? Que profissionais teremos no futuro?

Então, o que pensam os jovens de hoje? Outro dia, eu estava pensando nisso. Como os jovens de hoje são poucos engajados nas questões sociais, políticas e descompromissados consigo mesmos. Aí leio essa matéria e penso: o que eles pensam então? Isso reflete a crise na Educação? E a família? qual o papel dela na formação desses jovens? Onde está a família desses jovens? O que as famílias pensam sobre isso? Como orientam seus filhos para a vida adulta? E a escola? Qual o papel dela? Qual o perfil do jovem de hoje? Que profissionais teremos no futuro?

Sonhos, medos, vontades, dúvidas e certezas do jovem brasileiro. Com esse ambicioso título, a Folha de S.Paulo divulgou o perfil da geração entre 16 e 25 anos. A pesquisa do Datafolha fez 120 perguntas a 1.541 entrevistados, em 168 cidades do País e, com base nos resultados, traçou um retrato de 35 milhões de pessoas (19% da população), sobre as quais repousam as esperanças de um futuro melhor para o País.

Dois dados são desanimadores. Enquanto parcelas de 21% e 17% consideram a violência como o maior problema, respectivamente, do mundo e do País, apenas 1% sonha com um mundo em paz. Sinal de acomodação, de aceitação passiva da realidade? Os números provocaram indagações e opiniões amargas, sintetizadas com perfeição numa manchete de página interna do mesmo suplemento, que proclama: “A economia soterrou o sonho”.

O dado principal para o desânimo é o valor dado à soma dos quesitos trabalhar/formar-se numa profissão, ter emprego, ter negócio próprio e ser bem-sucedido, que se aproxima do índice de 40%. Isso mesmo: a carreira profissional e a renda dela advinda (com tudo que representa em conforto, segurança, etc) é a aspiração de menos da metade dos jovens brasileiros que, quanto ao grau de ensino, se dividem em fundamental (22%), médio (63%) e superior (14%). Na faixa dos 16 e 17 anos, uma maioria de 34% tem como aspiração formar-se numa profissão, enquanto o maior desejo, para os que têm entre 22 e 25 anos é a realização profissional (17%). Anseios compreensíveis de ascensão social e econômica, quando se leva em conta que 73% dos jovens vivem em famílias com renda abaixo dos cinco mínimos. Mas o que fazem e como planejam concretizar seus objetivos? Mais da metade (54%) estuda e aqui surge um dado interessante (pelo menos na quantidade): 91% dos garotos de 16 e 17 anos estão na escola. Mas a ducha de água gelada vem em seguida: 54% dos jovens repetiram de ano – um fracasso ainda mais grave quando se considera a baixíssima qualidade do sistema educacional brasileiro e as frágeis provas escolares de avaliação. Em outras palavras, esses lamentáveis 54% levantam uma dúvida: o que aconteceria se as escolas oferecessem ensino de melhor qualidade, com maior exigência e professores melhor capacitados? A pesquisa do Datafolha não só lança luz sobre uma realidade cinzenta, mas também mostra a necessidade de se oferecer aos jovens meios eficazes para que possam conquistar seus sonhos. Alguns depoimentos publicados no suplemento traduzem a saga dos que buscam o primeiro emprego, tendo de enfrentar, já de início, uma taxa de desemprego que abarca quase metade dos jovens entre 16 e 25 anos. Em seguida, vêm as alegadas falta de experiência profissional e de competências indispensáveis para quase todas as vagas – conhecimentos de informática e de outro idioma -, além de atitudes como disciplina, vontade de aprender, trabalho em equipe. Outra pesquisa, esta do instituto TNS InterScience, mostra que o estágio é um promissor caminho para milhares de estudantes que conseguiram treinamento prático em empresas: 64% dos estagiários do CIEE conquistam a tão sonhada carteira assinada. Sem considerar seu valor como fator de desenvolvimento pessoal, educacional e profissional dos novos talentos, o estágio merece o lugar que conquistou na mente e corações dos estudantes. E que, felizmente, vem ocupando no planejamento estratégico de um número crescente de empresas.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e diretor da Fiesp.

(Gazeta Mercantil – Luiz Gonzaga Bertelli)





O Lado perverso do trabalho

5 07 2008

E o que é assédio moral?

O assédio moral está disseminado. O atual cenário econômico tem degradado ainda mais as relações. O fenômeno é tão antigo quanto a própria divisão do trabalho, mas suas prática tem se intensificado e alcançado proporções tão elevadas que já considerado uma epidemia.

O assédio moral é caracterizado por atitudes e condutas abusivas de chefias em relação aos subordinados, tem transformado o ambiente de trabalho num lugar de sofrimento e tortura psicológica. De forma sutil é manifestado por meio de apelidos, piadinhas, ironias e insinuações maldosas – ou explícita, marcadas por ameaças de demissão, ofensas e constrangimentos públicos, essa violência frequente e repetitiva, está cada vez mais presente na rotina de milhões de trabalhadores. Na verdade, esse chamado “psicoterrorismo” tem como objetivo desestabilizar emocionalmente a vítima visando a sua demissão. Essa violência está disseminada em todas as categorias e não faz distinção entre setor público ou privado. O que se verifica é que essa violência é mais acentuada nas áreas de comunicação (envolvendo educação), saúde, mercado financeiro (principalmente bancos).

Números do assédio moral no Brasil

42% dos trabalhadores sofreram ou sofrem de violência no trabalho.

36% das queixas são dos homens.

64% das mulheres relatam ter passado pelo tormento.

Em 12% dos casos, envolvendo funcionários, o problema começou com abordagem sexual.

60% das vítimas entraram em depressão em decorrência do assédio.

Situações que caracterizam a violência psicológica no trabalho

- Ter o trabalho desqualificado na frente dos colegas,

- Virar alvo de piadas por causa do modo de vestir ou mesmo de falar,

- Ouvir frases do tipo: “lugar de doente é no hospital, Aqui é pra trabalhar.”

- Ser impedido de se expressar e dar opinião,

- Passar a executar atividades inferiores à sua capacidade,

- Receber ordens confusas e contraditórias,

- Ter de trabalhar fora do horário de expediente,

- Ficar sobrecarregado de atividades e ter prazo mínimo para entregá-las,

- Não se cumprimentado ou ser ignorado,

- Ter o material básico para execução das tarefas retirado,

- Ser ameaçado constantemente de demissão.

A boa notícia é que, apesar de ser um fenômeno recente, já há jurisprudência a esse respeito. Pelo menos 80 municípios e dez estados brasileiros criaram projetos de lei sobre assédio moral. Há propostas que sugerem a inclusão do assédio moral no Código Penal.

Fonte: Revista Diálogos: Psicologia Ciência e Profissão. Ano 4 – número 5. Dez/2007.





Vocação

29 06 2008

Jerônimo Mendes*
No mundo globalizado e competitivo todos sabem o que é vocação, seja pelo instinto ou pela informação. O problema é entender e aceitar a vocação como a salvação ou a decadência do ser humano.

Mais difícil ainda é entender as razões que distanciam as pessoas da sua vocação natural, ao aceitarem o fato de que uma vida confortável, do ponto de vista financeiro, e status, são suficientes para amenizar a insatisfação temporária, enquanto não encontram meios de canalizar energia e inteligência para fazer o que gostam.

Há um bocado de gente que se diz feliz fazendo coisas muito distantes da sua real natureza. Pessoas que sorriem durante o dia e choram durante a noite ao lembrar do dia seguinte quando devem voltar a fazer algo detestável e sem sentido, pessoas cuja segunda-feira é um martírio e sexta-feira um festival.

Durante uma vida inteira o ser humano insiste em carregar o fardo da indiferença e da falta de reconhecimento em troca de alguns míseros trocados. Muitos o fazem em troca de milhões de reais, mesmo infelizes, pois a ambição é uma virtude que corrói a inteligência e o bom senso se não aplicada na medida certa.

Afirmar que a vocação do homem é ganhar dinheiro para sobreviver e desfrutar de uma aposentadoria tranqüila seria muita pobreza de espírito. A Revolução Industrial e a modernidade pregada no século passado apagaram parcialmente o senso de vocação no mundo corporativo. A lei da sobrevivência continua fazendo vítimas, destruindo sonhos e talentos, em razão da sua natural seletividade.

Até a metade do Século XIX, quase todas as pessoas tinham profissão definida, por herança ou afinidade. Embora o termo não fosse utilizado na época, eram verdadeiros empreendedores, profissão que vai ganhar intensidade neste século com a redução considerável dos empregos no mercado de trabalho formal.

A industrialização do ser humano, o respectivo confinamento da força de trabalho em local determinado, por tempo determinado e a falsa sensação do emprego seguro, fez ressurgir o mito da tecnologia e modernidade 1 e sugou do trabalhador o pouco que lhe restava de senso crítico e naturalidade.

Hoje, mais do que nunca, nossos filhos são tentados a optar pela profissão de maior prestígio, dinheiro, poder e sucesso, por conta da nossa incompetência em afastá-los da mídia e mostrar a eles que, apesar da competição levada ao extremo, é possível ser feliz com menos.

Muitos pais insistem no mesmo erro dos antepassados empurrando os filhos para profissões onde eles não têm a menor chance de dar certo, ou seja, para a qual eles não têm a mínima vocação. Quanta falta de respeito pelos filhos!

Olhe ao redor e veja quantos médicos incompetentes, infelizes, cujos pais, também médicos, imaginaram que o melhor para os filhos seria seguir a mesma profissão, como se vocação e aptidão fossem transferidas geneticamente.

Felizmente, o trabalho é uma necessidade biológica. A questão não é se devemos trabalhar ou não, mas qual trabalho melhor se aproxima da nossa vocação. O melhor da vida seria acordar todas as manhãs para fazer o que se gosta, mas poucas pessoas gozam desse privilégio.

O desgaste na relação profissional inicia quando as pessoas não se imaginam com o direito de encontrar prazer e significado no trabalho. Em razão disso, é muito provável que estejam na profissão errada, sufocadas pela pressão constante do ambiente corporativo.

A permanência não é uma escolha, mas uma necessidade idêntica à do prisioneiro que faz da cela um ambiente melhor do que as ruas onde foi discriminado e passou fome.

Mais do que um direito, a vocação é um dever. Talvez por esse motivo seja tão difícil encontrá-la e mais cômodo contentar-se com o primeiro emprego onde possamos gozar das benesses criadas pelo esforço alheio, oferecidas em troca do nosso precioso tempo e inteligência.

Quando abraçamos uma profissão, mesmo não escolhida por vontade própria, vemos um sentido de realização, seja como médico, engenheiro, escritor ou algo que o valha, sem necessidade do reconhecimento propriamente dito, sinal de que estamos no caminho certo e a competição será menor empecilho para o sucesso.

Esse é o verdadeiro sentido da vocação: gostar do que faz. A maioria das pessoas continua fazendo o que não gosta imaginando um dia fazer o que gostam. Não está totalmente errado, mas a tendência natural é a acomodação e uma razoável aposentadoria, se tudo correr bem até lá.

Ter trabalho para encontrar trabalho, não desejo isso a ninguém. A segurança não está no trabalho formal, mas no reconhecimento da nossa capacidade de realizar o impossível, a qualquer tempo, por conta de uma vocação.

Você pode comandar uma grande empresa, ser o centro do mundo e mesmo assim estar completamente isolado, vazio em si mesmo. Você pode passar a vida inteira fazendo o que não quer, a exemplo de Babbitt no romance de Sinclair Lewis, e pagar um preço alto por ignorar sua vocação ao seguir uma profissão sem significado algum.

Como disse há pouco é mais difícil encontrar a vocação do que segui-la. Ter uma boa conta bancária é mais cômodo e aparentemente seguro. Seguir a vocação pode soar modéstia e falta de ambição, imperdoável nos dias de hoje.

Se não encontramos a vocação, é nosso dever perseguir a felicidade nas pequenas coisas, lutando contra o tempo que vai calando nossa voz interior e dizimando todas as esperanças de fazer do mundo um ambiente melhor.

Ceder com freqüência aos nossos desejos é uma armadilha, cuja vítima somos nós mesmos. Não é possível que, de cem metros possíveis, não consigamos avançar pelo menos alguns centímetros. Ter vocação é juntar cabeça e coração.

(1) O Feitiço das Organizações. Schirato, Maria Aparecida Rhein

*Administrador, Escritor, Palestrante e Professor Universitário. Autor do livro Oh, Mundo Cãoporativo! Lições e Reflexões.