A Felicidade é aqui, aprenda a controlar suas emoções.

18 11 2009

 

 

Por Marco Antônio Tommaso*

Nunca a humanidade viveu um estado de agitação como neste inicio de século. Insegurança, violência, desemprego, crises sociais, políticas, econômicas de toda ordem, medo do futuro, mudanças, progresso tecnológico vertiginoso, altos índices de obsoletização em curtíssimo prazo. Cada nova solução gera novo problema que requer nova solução. O homem nunca foi tão exigido. Os próximos cinco anos prometem ser mais velozes que os últimos cinqüenta.

Se antes utilizávamos o termo “profissões de alta performance” para atletas olímpicos ou pilotos de Fórmula 1, onde a diferença entre o sucesso e o fracasso está em milésimos de segundo, hoje a utilizamos para todas as profissões. Devido à alta competitividade todos somos “profissionais de alta performance”, significando que a diferença entre vencedores e vencidos é um detalhe. Treinamento, atualização, flexibilidade, preparo emocional, auto-estima no lugar.

Estaríamos psicologicamente preparados para tal?

Se a evolução cultural se deu com muito mais velocidade que a biológica estamos numa encruzilhada. Por um lado a demanda de mudanças ocorre em ritmo alucinante. Por outro, o equipamento biológico é o mesmo de nossos ancestrais da idade da pedra, que acionavam eventualmente o “sistema de alarme” diante do perigo, numa espécie de “susto”, quando se viam diante de ameaças representadas por predadores, intempéries, invasões tribais. Os perigos eram externos, concretos, eventuais. Predadores apareciam episodicamente. Mobilizavam a sensação de medo que os levavam a resolver a situação lutando ou fugindo.

E nós? Nossos “predadores” estão dentro de nós. A necessidade de desempenho, o medo do amanhã, a incontrolabilidade de inúmeras situações com que nos defrontamos, a velocidade com que tudo ocorre nos mantém em estado de prontidão! Isso quer dizer estresse, ansiedade, preocupação, depressão, irritabilidade, que bloqueiam nosso potencial e acabam com nossa saúde.

Hoje, conhecemos a estreita relação entre as emoções e a saúde física e mental. Cada vez mais sabemos que “a cabeça comanda o processo” e que a felicidade depende do uso adequado de nossas emoções. Há quarenta anos atrás o Prof. Alípio Correia Neto dizia que a úlcera gástrica tinha poderoso componente emocional e riram dele. Hoje ririam se ele não dissesse.

E, doenças à parte, a qualidade de vida, como fica? Além de problemas físicos diversos, as emoções bem conduzidas são componentes importantes e fundamentais da autoestima, essencial para a qualidade de vida, para o usufruto desse progresso que ajudamos a fomentar, sem o que ele não se justificaria.

Usufruímos nosso potencial? O realizamos na plenitude? Nos conhecemos o suficiente para controlarmos nossas emoções e fazer bom uso delas? Temos previsibilidade em nosso comportamento ou somos tomados de sobressalto a cada momento com temores fora de hora? Adiamos decisões importantes? Usufruímos nosso direito à felicidade e ao sucesso ou parece que nos auto sabotamos “na hora H” quando tudo parecia caminhar bem? E nossos relacionamentos? Temos medo de lutar por algo melhor ou nos acomodamos por tédio, medo “de não dar certo” (ou de dar certo?…), ou seja lá o que for?

Compreende por que a psicologia pode ajudá-lo mesmo sem considerar casos clínicos? Vislumbra a necessidade do autoconhecimento emocional sem o qual a lógica da razão sucumbe à ilogicidade da emoção, tornando-nos reféns dela ou aprisionando-nos por medo e inércia? Compreende como a Psicologia, longe de ser “tratamento para loucos”ou “sinal de fraqueza ou dependência”, é poderoso instrumento de equilíbrio e eficiência? De otimização do mais perfeito dos computadores que é a mente humana de cujo funcionamento adequado depende, em última análise, a felicidade.

*Marco Antônio Tommaso é psicólogo formado pela USP, especializado em Adolescentes e Adultos, membro da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e especializado em Psicologia Clínica Geral, transtornos de Ansiedade e de Personalidade.

Fonte: www.maisde50.com.br





Nem tudo é psicológico!

12 11 2009

Que corpo e a mente estão interligados, um influenciando o outro, não há dúvida. Mas é preciso cuidado com o exagero de eleger a emoção como a causadora de todas as doenças. A conclusão apressada atrapalha o diagnóstico correto, deixa males sem tratamento e ainda faz o paciente estressado ou ansioso se sentir culpado por adoecer.

Por: Cristina Nabuco.

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Perguntaram a 320 mulheres de São Paulo, Porto Alegre, Rio, Belo Horizonte e Salvador quais eram os fatores de risco para câncer de mama: 87% das pessoas com o tumor e 61% das sadias citaram o stress como vilão número 1. As participantes da pesquisa Câncer de Mama, Experiências e Percepções, realizada pela Pfizer, acreditam que não só o câncer tem origem na alma mas as doenças em geral: 76% das doentes e 68% das sadias. Das primeiras, 47% foram categóricas ao garantir que a causa do tumor delas era emocional. “É um erro de avaliação, um mito a ser destruído”, afirma o oncologista Sergio Daniel Simon, professor-adjunto da Universidade Federal de São Paulo e coordenador da pesquisa. O stress nem sequer aparece na relação de fatores de risco para câncer de mama. Trabalhos científicos apontam as questões da vida moderna: não ter filhos ou ser mãe tardiamente; amamentar pouco; primeira menstruação antes dos 11 anos; menopausa após os 50; dieta rica em gorduras; consumo excessivo de álcool; histórico familiar da doença e terapia de reposição hormonal. “Os estudos globais levam a crer que o stress não tem influência. Os que dizem o contrário trazem amostras pequenas ou falhas metodológicas”, afirma Simon. O oncologista explica que o câncer é uma doença multifatorial, fruto de complexas interações entre o DNA celular e as condições ambientais. Por isso, é improvável que as emoções, por si só, sejam capazes de iniciar a multiplicação desordenada das células – diferentemente do que ocorre nas doenças cardíacas, em que os sentimentos podem ter papel preponderante.

Assim, não se trata de negar a influência do psiquismo nos processos orgânicos. Nem de voltar à época em que o filósofo francês René Descartes (1596-1650) cravou a separação entre corpo e mente. Sabe-se hoje que ambos interagem por meio de uma intricada rede de hormônios, proteínas e neurotransmissores mediada pelo cérebro. Mas é preciso ver o peso de cada um. A pesquisa sobre o câncer alerta para o perigo de ceder ao raciocínio simplista de que toda doença tem origem emocional. “Travestida de interpretação psicanalítica, essa filosofia de almanaque nada mais é do que a versão contemporânea da prática secular de atirar no doente a culpa pela doença”, escreveu o oncologista Drauzio Varella. “Na Idade Média, a hanseníase acometia apenas os ímpios que desafiavam a ira do Senhor; no século passado, morriam de tuberculose as moçoilas desiludidas e os rapazes devassos; e, mais recentemente, adquiriam aids somente os promíscuos.” Para ele, é ridículo esquecer que a hanseníase e a tuberculose são causadas por bactérias desinteressadas no que pensam seus hospedeiros e a aids por um vírus alheio a julgamentos morais.

Transformar as emoções em bode expiatório atrasa o diagnóstico e estende o sofrimento. É corriqueiro tratar arritmia cardíaca como se fosse crise de ansiedade. Sintomas comuns aos dois quadros – falta de ar, palpitações e aperto no peito – favorecem a confusão. Junte-se o fato de que as alterações no batimento cardíaco associadas ao mal-estar nem sempre aparecem no eletrocardiograma ou holter –  é necessário um teste em que se avalia a parte elétrica por meio de um cateter introduzido na veia da perna. Levado até o coração, ele identifica o foco do problema (se houver) e o cauteriza. Como o exame é pouco solicitado – por ser invasivo, exigir  sedativo, anestesia local em hospital –, o problema persiste.  “É mais fácil culpar o doente do que aceitar nossa incapacidade de  dar o diagnóstico”, admite Eduardo Saad, coordenador do Setor de Arritmias  do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro. “Com isso, o paciente carrega o rótulo de ‘portador da síndrome do pânico’ e são grandes as probabilidades de  se considerar a doença refratária, ou seja, com sintomas que não cedem, o que  requer doses mais altas de remédios.” E ainda há pacientes que ouvem do médico que  lhes falta força de vontade para se curar do mal-estar emocional.

Exames medem dor?

Pessoas com dores crônicas estão particularmente sujeitas a tais distorções. “A dor é um dado subjetivo. Não existe máquina para averiguar sua veracidade”, explica Claudio Corrêa, coordenador do Centro de Dor e Neurologia Funcional do Hospital Nove de Julho, em São Paulo. Por exemplo, na fibromialgia, hipersensibilidade que acarreta dor no corpo, o diagnóstico é feito por exclusão. Os exames de imagem e de laboratório dão resultado normal e a pessoa parece bem fisicamente, embora viva se queixando. “A falta de dados objetivos e a aparência de normalidade levam parentes e até médicos a desacreditarem a dor”, afirma Corrêa.

Nesse caso, o sintoma pode ser qualificado de “psicológico”, como se fosse provocado (deliberada ou inconscientemente) e houvesse controle sobre ele. Enquanto isso, o paciente peregrina por consultórios sem obter alívio. “Recebo pessoas que ficam alegres só por eu acreditar que elas têm algo errado”, conta Corrêa. A validação traz alento para quem já começa a achar que está ficando maluco. “Ter causa indefinida não significa que a dor seja psicológica”, diz o médico, lembrando que a dor mais prevalente no mundo, a de cabeça, tem causa desconhecida em mais de 95% dos casos. “A medicina convive com a dúvida. Nem tudo tem explicação”, diz o psiquiatra gaúcho Pedro Prado Lima, presidente do 5º Congresso Brasileiro de Cérebro, Comportamento e Emoções, realizado em junho passado, em Gramado (RS). Para o médico, o mais honesto seria admitir isso em vez de apelar para a suposta origem emocional. Afinal, nem tudo é psicológico. Isso vale até para as doenças psiquiátricas. De acordo com Pedro Lima, um estudo canadense comparou ratos que foram mais lambidos pela mãe com outros privados desse contato. Na fase adulta, os dois grupos foram submetidos a stress intenso. Os animais menos lambidos desenvolveram depressão. A falta do cuidado os predispôs à doença, o que era de se esperar. Existem casos, porém, em que as pessoas desenvolvem o transtorno (além de esquizofrenia e síndrome do pânico) sem apresentar passagem trágica na sua história. Têm bom emprego, dinheiro, casamento equilibrado e mesmo assim perdem o interesse pela vida. Suspeita-se, então, de uma justificativa orgânica, um desarranjo na química cerebral. O tratamento adequado depende de um bom diagnóstico diferencial, salienta o psiquiatra. Mas aí surge outro entrave: a forma como a medicina é praticada hoje. “Não dá para fazer grandes descobertas em 15 minutos de consulta.”

O peso das emoções

Não se trata do jogo de “tudo ou nada”. Há situações em que as emoções repercutem tanto no corpo que podem provocar doenças. Veja quais são as áreas do organismo mais suscetíveis.

SISTEMA CARDIOVASCULAR
No estressado e deprimido, o risco de infarto é 60% maior. Cresce o perigo de acidente vascular cerebral e hipertensão.

ESTÔMAGO E INTESTINO
Dos distúrbios gastrintestinais (úlcera, gastrite, prisão de ventre, intestino irritável), 80% são causados pelo emocional.

PELE
Cerca de 40% das doenças de pele em geral (caso de acne, vitiligo, psoríase, queda de cabelo e herpes) estão ligadas aos transtornos psíquicos.

SISTEMA IMUNOLÓGICO
O stress estimula a produção de cortisol, que enfraquece as defesas. Resultado: cai a resistência a infecções, demonstrou o professor de psicologia Sheldon Cohen, da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, ao revisar 319 artigos médicos sobre o assunto. Aumentam os casos de lupus e artrite reumatoide.

Parecia síndrome do pânico

“Acordei de madrugada com o coração disparado e dificuldade para respirar como se alguém estivesse me enforcando. Fui ao médico, fiz exames cardiológicos e tudo estava normal”, conta a advogada carioca Daniela Oliveira, 38 anos. “Um mês depois, a terrível sensação voltou. Fui parar no pronto-socorro. Desde então, a taquicardia começou a se repetir quando eu menos esperava. Como meu ritmo de trabalho era intenso, eu estava me separando do marido e tinha um filho de 1 ano, os médicos diziam que era síndrome do pânico e me davam ansiolíticos. Cada um aumentava a dose do remédio, sem melhora. Tinha medo de sair à rua, passar mal e não ter a quem pedir socorro. Até que um amigo me recomendou um especialista em arritmia cardíaca. Ele indicou um exame com cateter para avaliar a atividade do meu coração. Em caso de anomalia, uma veia aberta, por exemplo, faria a cauterização no ato. Na data marcada, o plano de saúde me avisou que não pagaria o procedimento. Entrei com liminar e fiz assim mesmo. O médico detectou uma anomalia e curou na hora. Nunca mais tive nada. Como eu tomava doses cavalares de ansiolíticos, precisei reduzir aos poucos. Em dois meses, eu estava livre de tudo. Passei dois anos sofrendo e sendo tratada de maneira equivocada.”

http://claudia.abril.com.br/materias/3762/?pagina4&sh=33&cnl=43&sc=





Aprenda a viver melhor com menos

9 11 2009

Hora de trocar o supérfluo pelo que é essencial.  A agenda planetária já apitou que produção e consumo têm limite.  E a economia mundial reafirmou a necessidade de respeitá-lo. Portanto, aperte os cintos e assuma o comando. O piloto é você!

Por: Melissa Diniz/Ilustração Andres Sandoval

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Imagine como seria conviver mais com a família e os amigos e ainda ter tempo para se dedicar às atividades prediletas. Não, não se trata de férias, mas de uma nova rotina. E o que seria preciso para colocá-la em prática? Mudança de foco: deixar de pautar as escolhas pelo poder de compra e priorizar a qualidade de vida. Ou seja, parar de correr atrás do supérfluo e dar mais atenção ao que é realmente necessário.

A tônica aqui é a simplicidade, a redescoberta de prazeres frugais, como receber os amigos e cozinhar para eles em vez de comprar tudo pronto ou sair para jantar. Difícil? Talvez, mas bastante compensador.

Para a terapeuta e professora de filosofia da PUC SP Dulce Critelli, a sociedade atual vive uma intensa mercantilização, já que todos os aspectos se resolvem pelo ato de consumir algo. “A gente não se dá conta, mas o consumo acaba sendo nosso motor de vida. Sem tempo para ficar com os filhos, compramos um brinquedo para eles. Se estamos tristes, vamos ao shopping. O consumo não é ruim, sem ele é impossível viver. O problema é agir em função disso, criando uma dependência dos signos externos”, explica.

“Passamos a nos perguntar se tudo o que tínhamos era mesmo necessário”

Embora gere satisfação imediata, um estilo de vida baseado no poder de compra acaba por se revelar vazio. Foi o que descobriu a publicitária paulistana Suzana Pamponet, 39 anos. Acostumada a um padrão elevado e a uma rotina bastante estressante, ela viveu, ao lado do marido, Reinaldo, uma verdadeira revolução de valores. “Há seis anos, tínhamos dinheiro, sucesso profissional e todas as facilidades que se podem comprar. Gostávamos de viajar, de ir a bons restaurantes, mas não tínhamos tempo para cuidar de nós mesmos nem da família. Uma crise de coluna fez meu marido repensar a carreira. Ele deixou o alto cargo que ocupava em uma empresa e criou a ONG Eletrocooperativa, que forma garotos carentes”, conta. Aos poucos, Suzana foi sendo contagiada pela transformação do marido. “Passamos a nos perguntar se tudo o que tínhamos era mesmo necessário. Percebi que eu não precisava de mais um sapato só porque a loja havia lançado um modelo novo.”

Quando estava grávida da segunda filha, Suzana resolveu sair da agência de propaganda em que trabalhava para se juntar ao marido na ONG. “Nossa renda diminuiu, mas os ajustes no orçamento não prejudicam nosso conforto, apenas cortamos o excesso. Vendemos o apartamento no Morumbi (bairro de luxo) e fomos morar perto do escritório, na Vila Madalena (bairro boêmio). Tínhamos dois carros, ficamos somente com um. Hoje, vamos trabalhar a pé e usamos o mesmo veículo para ir ao clube e à academia. Apesar de mais modesta, nossa rotina ganhou em qualidade, pois temos tempo para conviver”, afirma.

Os hábitos de consumo também mudaram. “Antes, não tinha um minuto para ir ao supermercado, comprava pela internet. Hoje, vou pessoalmente para comparar os preços. Levo meus filhos, Tomás, de 5 anos, e Joana, de 2, à feira e é bem divertido. Quero ensinar a eles que o conceito de riqueza vai além do dinheiro, inclui as relações, os amigos e o meio ambiente.”

A busca por um modo de viver mais focado na essência do que na aparência não começou agora. Em plenos anos 1980 – quando o estilo yuppie consumista imperava no mundo –, o ativista americano Duane Elgin lançou o livro SIMPLICIDADE VOLUNTÁRIA (ED. CULTRIX). Ele já previa a necessidade de mudar. Cada um de nós sabe em que aspectos nossa vida é desnecessariamente complexa. Simplificar é aliviar nossa carga. É estabelecer um relacionamento mais direto, despretensioso e desimpedido em todos os aspectos”, afirma o autor. Diferentemente do que muita gente pode pensar, descomplicar não significa fazer voto de pobreza. “Ninguém é pobre porque quer, mas só é simples quem decide ser. Quando fazemos essa opção de forma consciente e livre, reduzimos a demanda por elementos externos, que só proporcionam uma dose limitada de satisfação”, explica o terapeuta Jorge Mello, um dos principais divulgadores da simplicidade voluntária no Brasil.

Desejos autênticos

Segundo Dulce Critelli, muitas pessoas confundem felicidade com a satisfação gerada pela aquisição de um produto. Daí, acabam descontando sentimentos como o medo, a ansiedade ou a insegurança em compras. Afinal, vende-se tudo no mercado, até segurança e alívio para qualquer dor. Mas o mundo das apólices e dos remédios não trouxe felicidade nem garantiu a diminuição da violência, como sabemos. O erro” não é da indústria, mas da ideia de que a alegria poderia ser fabricada como mercadoria. Não pode.

Uma pesquisa recente realizada na Universidade de Hertfordshire, na Inglaterra, demonstrou que mulheres na TPM gastam mais em compras compulsivas. Os cientistas afirmam se tratar de um mecanismo de compensação para aliviar as emoções negativas do período. “O consumo exagerado é baseado na saciedade, assim como a fome. O problema é que esse sistema é cíclico e, portanto, inesgotável”, diz Dulce. E não custa pensar: nossa menstruação não é problema, é natureza. E é da nossa natureza feminina ser criativa – saberemos achar modos mais sustentáveis de lidar com nossas tensões. Sejam elas hormonais ou não.

Na opinião da terapeuta, quanto mais segura de suas potencialidades uma pessoa é, menos dependente dos elementos externos ela será. Isso significa que, em períodos de crise, como agora, mesmo que perca o poder de compra e o status, não perderá de vista suas qualidades, seus desejos autênticos e as reais possibilidades de dar a volta por cima. Conquistar essa segurança passa pela revisão de valores.

Do que a gente precisa mesmo? Gente bacana por perto, trabalho que faça sentido e em que nosso talento seja valorizado, ar fresco, sol, música, segurança de ser amada e não segurança armada. Simples assim.

American way of life – o estilo capitalista

Acontece que o século 20 foi marcado pelo American way of life, que se resumia em trabalhar, ganhar e comprar. O estilo de vida americano ganhou força e espalhou-se por todo o mundo capitalista, ancorado nos apelos da publicidade. Em um planeta lotado de inovações tecnológicas e anúncios sedutores, que associam produtos a status, sensualidade, poder e conforto, ficava difícil remar contra a maré. Mas agora o barco afundou, o consumo exagerado trouxe consequências desastrosas, como o aquecimento global e a ameaça de esgotamento dos recursos naturais.
“Esse modelo está esgotado porque não faz bem ao planeta e não traz felicidade. As pessoas descobriram que as cenas das propagandas não são reais”, afirma a consultora de sustentabilidade Rita Mendonça, diretora-presidente do Instituto Romã e autora do livro COMO CUIDAR DO SEU MEIO AMBIENTE (ED. BEI).
Do ponto de vista econômico, esse tipo de prática gerou um grave endividamento. “O resultado é a crise que vivemos hoje”, lembra Dulce. Quais seriam então as novas leis do consumo para o século 21? “É importante ter autonomia para pensar e agir. Poder escolher o que se compra é mais valioso do que poder comprar o que se quer. E uma postura mais consciente pode se revelar bem prazerosa”, garante Rita Mendonça.
“Quando recuperamos a lucidez, percebemos que o mais simples é bom para o corpo, o bolso e o ambiente. Isso beneficia nossa saúde integral”, diz Jorge Mello. Para Dulce Critelli, não se trata apenas de escolher quanto ou o que consumir, mas que pessoa você quer ser. “Um consumidor voraz, que não pensa em consequências, perde a sua humanidade e passa a viver como as amebas. Melhor seria assumir a vida em todas as suas possibilidades, aprender a lidar com a morte, o envelhecimento, as perdas e as dores sem adotar mecanismos de fuga”, garante. Grandes artistas sabem disso, temos de reativar o farol que eles nos deixaram, lembra Jorge Mello. “Picasso disse que a arte é a eliminação do desnecessário e Leonardo da Vinci afirmou que a simplicidade é o mais elevado grau da sofisticação.”

Compradora contemporânea

Como evitar as armadilhas do consumo e manter a compostura diante das vitrines? Segue um guia de etiqueta para os tempos modernos

Aprenda a diferenciar necessidades e desejos e observe o grau de satisfação proporcionado pela compra de um item supérfluo. Você verá que essa alegria dura muito pouco e provoca desperdício.

Algum produto chamou sua atenção? Reflita até que ponto seu estilo de vida está vinculado a trabalhar para pagar contas e prestações. Vale a pena fazer mais uma dívida?

O que você consome revela seus valores. Hoje em dia pega muito mal levar em conta apenas o preço do produto e desprezar o impacto que o consumo causará ao ambiente ou às pessoas.

Seja poderosa mesmo. É você quem manda, não o vendedor, a propaganda, o corretor etc. No século 20, poderosa era considerada a mulher que podia comprar qualquer coisa. Hoje, poderosa é quem sabe escolher e compra apenas o que quer.

O consumo sustentável baseia-se na aplicação dos cinco erres (reflita antes de comprar, recuse o que é desnecessário, reduza o que é excessivo, reutilize sempre que possível e recicle o que não tem mais utilidade).

Fonte:http://claudia.abril.com.br/materias/3630/?pagina5&sh=29&cnl=25&sc=





Mãe realizada, filho feliz!

25 10 2009

Você morre de culpa quando tem de sair para trabalhar e deixar o filho em casa? Não se preocupe tanto: o seu trabalho traz uma série de benefícios para a criança Jeanne Callegari.

Fonte:http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI3774-10513,00-CARREIRA+MAE+REALIZADA+FILHO+FELIZ.html

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É só você se levantar para ir ao trabalho, de manhã, que seu filho faz uma carinha de tristeza. Desde que as mulheres começaram a sair em massa para o mercado de trabalho, há 40 anos, precisam enfrentar esse tipo de dilema. Pensam que estão abandonando os filhos e que eles vão sofrer muito com sua ausência. E pensam nas conseqüências que isso trará para o futuro deles. Se isso passa por sua cabeça com freqüência, não se preocupe. Seu trabalho traz mais benefícios para seu filho do que você pode imaginar.

A primeira vantagem é óbvia: o dinheiro. A maioria das mulheres trabalha, hoje, por necessidade. As famílias precisam do salário de homens e mulheres. É uma tranqüilidade não depender apenas de uma fonte de renda. Se o marido ou a mulher perdem o emprego, situação não incomum, existe uma rede de segurança, algo que protegerá a todos, principalmente os filhos, durante a crise. Mesmo quando não há nenhum problema, o dinheiro permite que as crianças tenham acesso a coisas que não poderiam de outra forma. Uma escola de qualidade, aulas de natação, dança ou inglês. Essas atividades podem fazer a diferença no futuro, quando ela entrar no mercado de trabalho, e mesmo para se tornarem adultos mais equilibrados e saudáveis. Claro que não é preciso, nem recomendável, colocar a criança em milhares de atividades, deixando-a sem tempo livre para brincar e aprender livremente. Mas uma boa escola e uma ou duas atividades extras são bem-vindas. E isso custa caro.

Se o marido ganha o suficiente para os dois, a mulher se sente culpada em trabalhar, afinal, teoricamente, a família não precisa. Mas a situação não é tão simples. A jornalista americana Leslie Bennetts, autora do livro The Feminine Mistake (O Erro Feminino, inédito no Brasil), que fala das razões para as mulheres não pararem de trabalhar, argumenta que, nesse caso, as mulheres ficam dependentes do marido. E se ele pedir o divórcio? E se você quiser o divórcio? E se ele perder o emprego? E se acontecer um acidente? Nesses casos, toda a família fica vulnerável. Principalmente a criança, que vai se encontrar em uma situação difícil de repente.

Para o homem, é um alívio quando a mulher trabalha. “A responsabilidade de ser o único provedor é muito grande”, diz a psicóloga Ceres Alves de Araújo. A pressão diminui sobre ambos, o que melhora o astral em casa. Mais uma vantagem para os filhos, que podem contar com pais menos estressados e um clima leve.

Com as mulheres trabalhando, abre-se um espaço importante para que o homem participe mais da vida em família. A situação ainda não é a de uma divisão meio a meio, o que sobrecarrega muitas mães, mas aos poucos os homens começam a cozinhar, trocar fralda, levar ao médico. A criança ganha um pai participativo, mais presente que em qualquer geração anterior, que brinca e cuida dela. O dinheiro e a segurança não são os únicos motivos pelos quais as mulheres trabalham. A realização pessoal também conta. E aí acontece um paradoxo. “Quanto mais gostam do trabalho, mais as mulheres se sentem culpadas”, diz Ceres. Elas encaram como se abandonassem os filhos não por uma necessidade simples, mas por um motivo muito mais egoísta, que é se sentir bem com projetos pessoais.

Gostar do trabalho, porém, não deve ser motivo de culpa. “Uma mãe realizada e satisfeita com o trabalho transmite confiança para o filho”, diz a psicóloga Simone Savaya. O contrário também é verdadeiro: se a mãe decide ficar em casa e se sente frustrada por não trabalhar, isso vai refletir na relação com os filhos. Ela pode até, inconscientemente, culpar a criança por afastá-la da atividade de que gosta. Para o filho, então, vale muito mais ter uma mãe que trabalha, realizada e feliz, que uma mãe que fica com ela o tempo todo mas é frustrada, infeliz e dependente.

O trabalho dos pais, hoje, é motivo de orgulho para os filhos. Antigamente, ocorria o contrário. Dois estigmas pendiam sobre as crianças: o da mãe que trabalhava, pois significava que a família era pobre e precisava de duas rendas, e o dos pais separados. As crianças que viviam essas situações sofriam preconceitos e se sentiam diferentes do grupo. Hoje, o divórcio é uma situação normal, assim como o trabalho das mães. “É mais comum o contrário: se a mulher não trabalha, o filho vai querer saber o que há de errado com ela”, diz Ceres. As crianças se orgulham do trabalho dos pais, gostam de saber o que ocorre no escritório, perguntam, têm curiosidade.

Esse orgulho é um dos maiores presentes que os pais podem dar aos filhos. Sem perceber isso, muitos pais dizem a eles que vão trabalhar porque precisam. Melhor seria dizer, também, que vão trabalhar porque gostam, porque é legal. E que, um dia, ele também vai crescer e ter um trabalho bacana. O orgulho dos pais acaba se transformando em referência para as crianças. Como em todas as outras coisas, eles são seu modelo. Um pai que dá banho, troca fralda e faz o jantar mostra para os filhos que é normal para um homem realizar essas tarefas. Da mesma forma, a mãe que trabalha mostra para a filha que as mulheres também são responsáveis pelo sustento da casa; o mesmo vale para os meninos. “A gente observa que os filhos de mães que trabalham se tornam companheiros muito mais colaborativos quando crescem”, diz Ceres. Os pais dão o exemplo; as crianças ganham modelos que vão orientá-las para o resto da vida.

 Existe ainda outra vantagem. Se você trabalha fora, a tendência é que se preocupe com o que realmente importa. Quando as mulheres começaram a ter empregos, a culpa era muito, muito grande, ainda maior que hoje. Isso resultou em mães permissivas, que não conseguiam dizer “não” aos filhos ao fim do dia. De lá pra cá, a situação melhorou muito. A culpa existe, mas não impede que os pais imponham limites às crianças. Por outro lado, se você passa menos tempo com os filhos, a tendência é que se preocupe apenas com os hábitos mais relevantes. Você entende a importância da flexibilidade e sabe que de vez em quando não tem problema ele ficar acordado até mais tarde ou tomar um sorvete.

Desde que não sejam hábitos diários, tudo bem. Para seu filho, o resultado é uma mãe menos focada em detalhes, que se preocupa com o que é importante e não vai brigar por coisas à toa. A criança não precisa ficar do seu lado o tempo todo para ser feliz. Ao longo da história, mesmo com as mulheres trabalhando em casa, os filhos não passavam o dia grudados em suas saias. Eles corriam e brincavam ao ar livre, sendo cuidados por toda a comunidade. “Criança precisa de criança”, diz Ceres. Precisa brincar, correr, fazer amigos, desenvolver suas próprias habilidades e interesses. Ela tem mais chances de fazer isso se não passa o dia inteiro grudada na barra da saia da mãe.

Isso não significa que dá para ser uma mãe virtual, que mal está presente. “Se a mulher sai antes da criança acordar e volta depois que ela dormiu, não vejo benefício”, diz a terapeuta de família Magdalena Ramos. Claro que é legal conversar com o filho por telefone, matar a saudade durante o dia, mas isso não pode ser tudo. É importante tocar, abraçar, brincar. “Quando está com a criança, a mãe deve estar inteira. Corra, ria, se jogue no chão”, diz a terapeuta de família Magdalena Ramos. De nada adianta ficar assistindo à novela enquanto ele brinca sozinho no quarto.

A vida é feita de fases. Nos primeiros anos, seu filho vai exigir mais a sua presença, precisar de cuidados constantes. Talvez essa não seja a melhor hora para iniciar uma pós-graduação, um MBA ou aceitar um emprego que exija muitas viagens. E isso vale também para o marido, que, afinal, está mais presente na família. Depois de alguns anos, as crianças vão entrar na escola e ficar mais independentes. Aí é hora de voltar a investir pesado na carreira.

Mesmo sabendo de tudo isso, as mulheres podem balançar. Isso porque as crianças mostram, de todas as maneiras, que preferiam que os pais estivessem em casa. Elas reclamam. E são espertas, vão reclamar daquilo que sabem que vai magoar. Se ela percebe que você se sente culpada por deixá-la, é exatamente nessa tecla que ela vai bater. Portanto, se você se sentir mais segura ao sair, vai passar esse sentimento para o filho, que ficará mais tranqüilo. Claro que um emprego flexível, que permitisse a você controlar seus horários, ajudaria bastante.

A correria seria menos intensa. Essa questão, e as mudanças que já estão ocorrendo, são discutidas na próxima reportagem. Mesmo sem elas, porém, você pode se sentir segura. Pense em todas as coisas para as quais arruma tempo. A lista é extensa, não? Isso porque a mãe que trabalha tem muitos interesses.

Nenhum papel a limita ou define. Para a criança, essa mãe poderosa, capaz de dar conta de tantas coisas, é uma heroína. Um modelo que vale a pena ser seguido. Por isso, não se preocupe em dar conta de conciliar trabalho e filhos: você já faz isso.





Complicada e perfeitinha: como lidar com as dificuldades do dia-a-dia das mulheres

25 10 2009

Você vive se cobrando e, vira e mexe, acha que não é uma boa mãe, que deveria dar mais atenção às crianças, à casa, ao marido? Saiba que não é a única.

Fonte: http://revistacrescer.globo.com - outubro de 2009, edição 191.

Por Tamara Foresti

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Eu sou a pior mãe do mundo.” Quantas vezes você já se martirizou com esse pensamento? Você faz o melhor para os seus filhos, mas se culpa por ter demorado para trocar a fralda do bebê ou porque não colocou um casaco na mochila da filha. Enquanto observa as outras mães, sempre organizadas e sorridentes, se pergunta se vai dar conta da maternidade. Será que é só você que não tem tudo sob controle?

Definitivamente, você não está sozinha nesse barco. Muitas mulheres amam os filhos, mas não se sentem completamente felizes com a maternidade. Nesse quadro se encaixam as americanas Trisha Ashworth e Amy Nobile, que fizeram mais de 100 entrevistas para escrever Eu Era Uma Ótima Mãe Até Ter Filhos (Ed. Sextante). O livro conta a história de mães possíveis, dando conselhos bem-humorados de como superar as dificuldades do dia-a-dia. Veja trechos da nossa conversa com as autoras, que analisam o que é ser mãe hoje:

 ESCOLHAS

Um dos maiores desafios da mãe moderna é ter muitas opções, todas acompanhadas de uma pressão imensa em fazer a escolha certa. Se decidimos e nos arrependemos, vem a culpa. Crescemos achando que queremos e podemos fazer tudo. Por causa disso, nossas expectativas são altas demais. Pessoalmente, fizemos escolhas duras (Amy continuou trabalhando depois de ter filhos e Trisha optou por ser mãe em tempo integral), muito mais difíceis do que imaginávamos.

A CULPA


Culpa é o resultado das expectativas inatingíveis. Ela aparece quando não fazemos perfeitamente tudo o que planejamos. Precisamos alinhar nossas expectativas com a realidade. Uma vez feito isso, aprendemos a fazer escolhas conscientes e convivemos em paz com elas. Assim, deixamos a culpa de lado e paramos de nos comparar com outras mães. A primeira coisa para exorcizar esse fantasma é lembrar que não existe uma mãe perfeita. Em nossa cabeça, criamos um modelo materno cheio de atividades que achamos que deveríamos fazer e, para a maioria das mulheres, ele é irreal. Deveríamos sentar e pensar nas nossas expectativas, procurando priorizar algumas e deletar outras. Só assim começamos a fazer as melhores escolhas para a família.

 

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Quem são as autoras Trisha  fazia propagandas para a TV até o nascimento dos filhos. É casada há 15 anos e mãe de Alexandra, de 8, Pierce, de 6, e Julia, de 4. Amy, casada há 10 anos, é relações públicas. Além de brincar com os filhos, Sam, de 5, e Emily, de 4, adora sair com as amigas

 

 

HUMOR E HUMILDADE

O primeiro passo para aprender a amar a maternidade o tanto quanto amamos nossos filhos é sermos honestas, conversando abertamente sobre nossos problemas com outras mães. Acreditamos que manter o senso de humor e humildade é importante – estamos todas juntas nesse barco e, se pudermos rir dos nossos escorregões e triunfos, o caminho vai ser mais gostoso. Muitas vezes ficamos obcecadas em planejar o futuro ou lamentar o que poderíamos ter feito de diferente no passado. Aprender a viver o aqui e o agora é melhor para a família toda. Uma mãe nos disse que 10 minutos dançando com seus filhos de manhã aumentava o astral do dia inteiro. Esse é um exemplo de como uma atividade simples pode transformar a rotina.

O CASAMENTO

Após o nascimento, as crianças passam a ser a prioridade da vida. Queremos que os maridos leiam nossas mentes e saibam, por intuição, quando precisamos de ajuda e quando devem ser proativos. Entrevistamos vários homens que disseram que fariam qualquer coisa pelas esposas, mas precisavam de um manual para saber como se portar.

CRIANDO FILHAS

Para criar as mães do futuro livres de culpa, precisamos ficar de olho no nosso comportamento. As meninas observam o jeito como nos tratamos. Se colocarmos sempre os outros na nossa frente, a ponto de nunca termos tempo para nós mesmas, é assim que elas serão quando crescerem. Mas se conviverem com uma mulher que se ama, se cuida e aproveita a vida, é isso que aprenderão. Nem todas as mulheres nascem sabendo ser mães. Esse é um dos maiores preconceitos (e expectativas) que criamos. Nem sempre temos instinto materno ou sabemos o que fazer. Na verdade, muitas das habilidades que tínhamos antes dos filhos não valem para a maternidade! Precisamos aprender a ser mães, o que é surpreendente e frustrante. Saber que muitas mulheres também sofrem com isso é um alívio.

SER MULHER

Não somos a mesma pessoa que éramos antes dos filhos. A chave para descobrir o nosso novo “eu” é lembrar que, além de mães, somos mulheres. Para sermos felizes com a maternidade, não podemos esquecer de nós mesmas, nos priorizando de vez em quando. Não se culpe por isso, pois é saudável para a família toda. Queremos que nossos filhos sejam felizes e, um dia, bons pais. Por isso, precisamos dar o exemplo.





Sucesso na carreira é sinônimo de solidão?

25 10 2009

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Cada uma na sua área, estas mulheres chegaram ao topo. São respeitadas pelas empresas, lideram equipes e, quase sempre, ganham mais que o marido. Descobriram, porém, que tantas conquistas podem custar caro. Numa conversa franca, elas discutem as ciladas da ascensão profissional e os truques para não cair nelas

Por Sibelle Pedral | fotos Fabio Heizenreder

Fonte: http://claudia.abril.com.br/materias/1779/?pagina1&sh=28&cnl=24&sc=

Agosto de 2004.

 

 

Depois de semanas negociando agendas carregadas, conseguimos reunir um timaço para discutir um tema que ainda é tabu: o quociente de solidão de executivas poderosas.

Cristiane Almeida, 43 anos, divorciada, é mãe de um garoto de 9. Formou-se médica fisiatra e coordena o Centro de Reabilitação do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Eneida Bini, 45 anos, casada, um filho de 17 anos, ex-presidente da Avon no Brasil, dirige hoje a Herbalife, multinacional de suplementos alimentares.

Vânia Curiati, 35, casada, tem gêmeos de 7 anos e uma menina de 4. É diretora de softwares da IBM no Brasil.

Beth Meger, 44, separada, tem dois filhos, um de 22 anos e outro de 5 meses. Ela criou e comanda a NS&A, agência que cuida da intermediação de negócios em publicidade.

Rosi de Castro, 38, casada, um garoto de 8 anos, é diretora administrativa da Bamberg, consultoria de imóveis de alto padrão em São Paulo.

Atuando como mediadora ao lado de CLAUDIA, a psicóloga Valéria Meirelles, que organiza workshops sobre mulher, carreira e vida pessoal.

CLÁUDIA: Foi preciso fazer renúncias para chegar aonde vocês chegaram?

 Eneida: Minha maior renúncia foi o tempo que não pude dedicar ao meu filho. Até ele completar 8 anos, cumpri muito bem o meu papel de mãe. Ainda era supervisora, executava as minhas tarefas e ia cedo para casa. Tirava férias de 30 dias! Quando assumi mais responsabilidades como diretora, acabaram-se as férias longas e passei a trabalhar após o expediente. Aí mudou a forma de me relacionar com a família. Felizmente, não houve ruptura: o César já tinha os amigos da escola, se preocupava com outras coisas. 

Rosi: Praticamente não tive licença-maternidade. Vinte dias depois da cesárea, estava na empresa com o bebê no moisés. Antes de completar 3 meses, ele já ficava dez horas por dia num berçário. Hoje me arrependo: perdi um momento importante da história do meu filho. 

Beth: Por causa da carreira, adiei muito a maternidade. Além de trabalhar sem parar, viajava demais. O resultado é que me tornei mãe só agora, aos 44 anos, depois de encerrar o segundo casamento, que durou mais de 20 anos – apesar de ter adotado o Ricardo, um garoto de 9 anos que certa manhã encontrei dormindo na porta da minha empresa. O fim daquela relação me fez repensar meus valores e quis ser mãe. Cheguei a procurar um banco de esperma, mas desisti quando o geneticista alertou que não podia dar nenhuma garantia sobre o caráter do bebê. Nessa época, numa viagem de trabalho, uma pessoa que eu conhecia havia muito tempo disse que gostaria de me dar um filho. Eu já conhecia bem o caráter dele. Fizemos uma viagem e voltei grávida.

 Valéria: Em nenhum momento você pensou em conciliar as duas coisas, o filho e a carreira?

 Beth: Em todos os momentos pensei nisso, mas meu marido não queria. Então, como na época a carreira supria as minhas necessidades de felicidade, eu me alimentava dela.

CLAUDIA:Tantas renúncias na vida pessoal não deixaram um gosto amargo? Sucesso pode ser sinônimo de solidão?

Rosi: Acho que sim. Na verdade, tem menos a ver com as renúncias e mais com o fato de não encontrar ninguém com quem dividir decisões. Já contei histórias da empresa para meu marido e ouvi críticas à minha atitude. No setor empresarial, você vai subindo e fazendo inimigos naturalmente. A tendência é ficar só e limitar a convivência às pessoas em quem realmente confia, ou seja, a família. Se nem na família existe apoio, tenho um problema.

 Beth: Nossa convivência fica restrita, o que pode causar solidão. Até dois anos atrás, por exemplo, não comemorava meu aniversário com festa. Minha grande dúvida era: as pessoas virão porque gostam de mim ou simplesmente porque sou a chefe? Outro momento de solidão vinculado à ascensão profissional é o final de semana. Você não tem para quem ligar, porque não sobrou espaço para amigos fora do trabalho.

 Vânia: Isso para mim é prioridade – e uma questão de disciplina. Pelo menos uma vez por mês, saio para jantar com os amigos da faculdade. Faço três horas de almoço para encontrar uma pessoa querida. Em contrapartida, se um dia for preciso trabalhar 15 horas seguidas, a empresa sabe que pode contar comigo.

 Eneida: Para mim a solidão aparece no momento das grandes decisões. Não posso compartilhar meus pontos de vista com muitas pessoas nem buscar opiniões diferentes. Por outro lado, amadurecemos à medida que a carreira progride. Procurei não me isolar nesse processo: fui aprendendo com as pessoas, me aproximando delas. Quando eu estava em plena ascensão, tinha que me empenhar tanto que aí, sim, me distanciava dos outros. Para mim, a solidão foi muito maior no começo.

 Valéria: É possível sair da solidão e administrar bem o estar sozinha. São coisas muito diferentes…

 Cristiane: Outro dia, li isso num livro budista. A solidão é a ausência do outro. Já a solitude é sentir-se feliz simplesmente por estar consigo mesma. A maturidade traz essa capacidade de ver a vida com outros olhos.

 CLAUDIA: Qual o papel dos maridos no sucesso profissional de vocês?

 Eneida: O meu é um “maridaço”. Se não fosse ele, acho que não teria feito nem metade do que consegui fazer. O Paulo já estava no nível gerencial quando entrei na Avon. Aí vieram as promoções e meu salário se aproximou do dele. Há um momento em que o homem começa a ficar um pouco inseguro, como se tivesse que ganhar mais sempre. Mas meu marido me apoiou o tempo todo, eventualmente cuidando do filho, ajudando no supermercado…

 Cristiane: Meu ex é uma das melhores pessoas que conheci na vida. O problema é que ele é um grande sonhador e eu sempre fui uma pessoa prática. A situação degringolou depois que fiz especialização em trauma de crânio nos Estados Unidos. Como é uma área que pouca gente estuda, na volta comecei a me projetar na profissão. Ele passou a implicar com o fato de eu trabalhar demais, e as coisas ficaram difíceis.

 Beth: Minha primeira separação tem uma história parecida: um marido sonhador, e eu numa situação de ascensão, inclusive salarial. Quando eu tinha uma reunião ou viagem, ele fazia um escândalo. A certa altura, precisei optar entre a relação amorosa e o trabalho. Escolhi o trabalho.

Rosi: Todas nós temos o sonho de encontrar uma pessoa que queira crescer com a gente, criar filhos. Mas isso é difícil. Muitos homens acham que a carreira deles vem em primeiro lugar. Se a mulher é forte e bem-sucedida, pensam: “Já não sou o primeiro na vida dela, tem a carreira”.

 Vânia: Sempre tive muito apoio. Este ano, pela primeira vez, não pude ir à festa de Dia das Mães da escola dos meus filhos. Meu marido me disse: “Não tem problema. Deixa que eu vou, mesmo que tenha que me vestir de mulher”. Era o único homem.

 CLAUDIA: Os filhos são os maiores afetados pela dedicação à carreira?

 Vânia: Os meus levam numa boa. Sabem que eu gosto do meu trabalho. Mas é claro que eu faço lição pelo telefone e o fim de semana é deles.

 Eneida: Uma vez disse para o meu filho: “Você gostaria que a mamãe parasse de trabalhar e ficasse com você em casa?” Ele tinha uns 12 anos e me respondeu: “Ficou louca? Imagine, o que você iria fazer aqui dentro?” É um menino ótimo, de cabeça boa, ajustado. Agora que está na Austrália, estudando, me preocupo com a solidão do meu marido. Trabalho até tarde e não estou em casa quando ele chega.

 Cristiane: Se meu filho me liga a qualquer momento e diz que precisa de mim, largo tudo na hora para atendê-lo. Ele sabe que é a coisa mais importante da minha vida.

 CLAUDIA: Se fosse preciso deixar cair um dos pratinhos que a gente equilibra – os filhos, o trabalho, o relacionamento amoroso e outros mais -, qual vocês escolheriam?

 Cristiane: Deixei cair o da relação. E hoje acho que foi uma coisa boa. Meu marido está melhor, encontrou seu espaço. E eu me vi inteira para cuidar do meu filho.

 Eneida: Para mim, é o do trabalho. Se acontecer alguma coisa com o atual emprego, arrumo outro. Com a família, é bem mais complicado. As pessoas acham que, quando atingimos um determinado patamar profissional, a carreira se torna tudo na vida. Não é verdade. Meu trabalho pode ou não durar muito tempo e, no final, quero olhar para trás e encontrar a família, os amigos, a saúde em dia.

 Beth: A família é importante, mas não posso dizer simplesmente que deixo cair o pratinho do trabalho. A empresa é minha. Vários empregos dependem de mim. Se eu fechar a porta, prejudico muita gente.

 Valéria: A escritora e feminista Rosiska Darcy de Oliveira afirmou certa vez que a mulher, ao entrar no mercado de trabalho, fez um acordo secreto: ao empregador, prometeu que ele não perceberia que ela tem família; à família, que nem sequer notariam que ela tem um emprego. Pelo visto, não é bem verdade…

 Vânia: Se for verdade, devemos virar esse jogo. As empresas precisam aceitar que a mulher tenha uma família e criar condições flexíveis para que ela cresça na carreira. A culpa também é das mulheres, que insistem em tentar se adaptar mesmo que a empresa não mostre nenhum jogo de cintura. Na minha, procuramos conciliar as coisas. Um dia, cheguei tarde para uma reunião com o presidente porque tinha ido à festa de final de ano dos meus filhos na escola. Todos estavam me esperando. Como sabiam o porquê do meu atraso, alguns tentaram fazer gracinhas. Cortei na hora: “Estou vindo da festinha das crianças”. Nos sentamos e a reunião começou.

 CLAUDIA: Vocês têm truques para afastar a solidão?

 Eneida: Mesmo que você não tenha tempo para sair, o que custa pegar o telefone e ligar para alguém? Ontem, fiquei uma hora e meia parada no trânsito. Liguei para minha mãe, falei com duas amigas… Não perco o contato com as pessoas.

 Beth: Não sou de sair com amigos, mas não esqueço aniversário de ninguém. Não deixo passar batido. Outra estratégia é sempre encontrar um tempo quando alguém me procura para conversar. Minha agenda pode estar cheia, mas paro e ouço.

 CLAUDIA: Que conselho vocês dariam às mulheres que estão batalhando para subir na carreira talvez sem imaginar que triunfo não é necessariamente sinônimo de bem-estar?

 Rosi: Acho que elas devem se valorizar e repetir sempre: “Eu mereço”.

 Vânia: Elas precisam acreditar em sua força interior.

 Beth: Tudo na vida tem seu ônus. Todas terão que fazer escolhas. Então, é pesar os prós e os contras e seguir em frente. Quando a gente muda de emprego para ganhar mais, não sabe se os novos colegas vão nos respeitar tanto quanto os do trabalho anterior. O importante é ter foco e saber o que se quer conquistar.

 Eneida: É isso. E não se sujeitar a situações que as façam infelizes só em nome da carreira ou do dinheiro.

 Cristiane: Só quero lembrar que sucesso na carreira não é sinônimo de felicidade. Você pode ter a admiração dos colegas e não ser feliz.





Afinal, até onde as mulheres querem chegar na carreira?

15 10 2009

O preço que estamos… ou não estamos dispostas a pagar pelo topo.

Por: Iracy Paulina.

Reportagem de Liliane Simeão, Revista Cláudia, outubro de 2005.

DBU011  Ótimos salários, cargos de prestígio, benefícios e.. muitas horas extras são os prêmios de algumas executivas. Boa parte das mulheres, porém, tende a repensar suas metas e não apenas por buscar uma rotina mais tranquila.

Um estudo da Catalyst, organização americana que faz pesquisas sobre a participação feminina no mercado de trabalho, mostrou que uma das pedras no caminho das mulheres rumo aos cargos de comando é a dificuldade encontrada para incorporar uma jornada muito extensa. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão ao detectar que uma em cada três americanas com título em MBA não estava empregada em período integral, enquanto a proporção masculina era de um para 20. Com a experiência de quem já provou o gostinho do topo quando era presidente de uma indústria de embalagens metálicas, em São Paulo, a administradora de empresas Ana teresa Meireles, 45 anos, corre dessa tendência: sempre aceitou numa boa o trabalho em período integral. Messmo assim, ela resolveu dar uma guinada profissional. “Somos formados por várias facetas e, a cada momento, uma toma dianteira, ganha prioridade. Cumpri uma etapa importante e decidi que já era hora de ter mais liberdade de escolher os projetos que realmente queria tocar. A sabedoria está em não nos tornarmos refém de uma parte de nossas vidas, seja ela a carreira, os filhos, o casamento, o social, o status ou poder”, observa a administradora, que atualmente comanda a própria consultoria, a Focus.

Um executivo competente, segundo Ana teresa, não pode ser obsessivo, precisa ter uma mente aberta e receptiva. Ela cultiva o relacionamento com os amigos, viaja com a família de férias, dedica-se à corrida quase diariamente, curte os filmes que adora, saboreia a leitura de um bom livro, exercita o prazer da escrita. “Essas coisas são como alimentos vitais para mim”, explica Ana, que não se arrepende nem um pouco de ter deixado a presidência de uma grande empresa.

HOMENS SÃO MAIS COMPETITIVOS?

De acordo com uma pesquisa recente feita na Universidade de Pittsburgh, Estados Unidos, o apetite feminino pela competição é menor que o masculino. No experimento, homens e mulheres tinham que fazer o máximo de contas possível no prazo de cinco minutos. Os pesquisadores notaram que, mesmo se saindo bem sozinhas, elas evitaram as rodadas em que os grupos competiam entre si, o que não ocorria com os homens. Há quem defenda essa diferença seria inata e explicaria o fato de eles encararem a hierarquia corporativa como um ringue de luta, enquanto nós pisaríamos mais manso nesse terreno. Para a socióloga Clara Araújo, da Universidade Estadual do RJ, isso é bobagem. “As diferenças de expectativa são fruto da socialização. Com o avanço feminino no mercado de trabalho, mulheres bem sucedidas provavelmente são tão ambiciosas quanto os homens.”

Como gerente de RH da América Latina da unidade de negócios Health-care da General Eletric, a psicóloga Sandra Rodrigues, 39 anos, acredita que já chegou onde desejava. “Poderia ir mais longe, pois tenho talento e a GE investe nos colaboradores”, diz. Não faltaram oportunidades. A última aconteceu meses atrás, quando foi convidada a participar de um processo seletivo dentro da própria GE. “Teria que ficar muito tempo fora do Brasil”, explica. Estava aí um ônus com o qual ela não se dispunha a arcar. Desarranjaria toda a vida doméstica. “Quero acompanhar o desenvolvimento dos meus filhos. Por isso, não aceitaria um cargo que implicasse um volume muito grande de viagens, reuniões e encontros de negócios, restringindo assim os momentos de convivência com as crianças.” No atual posto desde 1999, ela chega a trablhar por volta das 9 horas, porque faz questão de tomar café da manhã todos os dias com os pequenos. Não sai depois das 8 da noite, por acreditar que o excesso de carga horária prejudica o rendimento. Quando é possível, nem vai à empresa, já que montou um home office e resolve os problemas em casa. Mas é sobretudo a sua função que a faz feliz. “Gosto de ajudar as pessoas a crescer, indicando cursos e orientando sobre posturas.”

Claro que existem muitas mulheres que entraram para valer na batalha pela liderança, como demonstra um levantamento feito desde 1994 pelo Grupo Catho, consultoria em RH de São Paulo. No primeiro ano da pesquisa, o porcentual de mulheres ocupando o topo da hierarquia nas empresas era de apenas 8% – número que dobrou em uma década. O mesmo estudo mostra, porém, que elas têm suas preferências: o último levantamento apontou que as áreas com maior número de executivas são as de recursos humanos (62%), relações públicas (57%) e administração (39%). Já aquelas que menos atraem as mulheres são as de processamento de dados (16%) e a industrial/engenharia (12%).

Postos avançados – Pesquisa do GRupo Catho, feita entre 2004/2005, mostra o porcentual de executivas em cargos-chave de 60 mil empresas:

Vice-presidente: 15%

Presidente: 16%

Diretoria: 21%

Gerente: 25%

Chefe: 34%

Supervisora: 37%

Coordenadora: 47%

Empregada: 48%





Ficar em casa ou romper a casca?

5 10 2009

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Por Liane Alves. Revista Vida Simples, Março de 2006.

É um fenômeno mundial: cada vez mais os filhos prolongam sua estada na casa dos pais, desfrutando de benesses como carinho e apoio quase inesgotáveis, liberdade, a comidinha predileta e outros confortos. Os pais parecem aceitar essa adolescência quase perpétua numa boa e, em muitos casos, estimulam a permanência dos filhos em casa até como uma estratégia para enfrentar o próprio envelhecimento. Mas há muita gente se perguntando se essa realidade é apenas mais uma faceta de um mundo em que os valores estão mudando rapidamente ou se há efetivamente algo de negativo nisso. Por isso, pais e filhos, leiam com carinho esta matéria. E experimentem, nem que seja por alguns momentos, trocar de papel e imaginar o que sente e pensa cada lado dessa história devidamente apresentada para filhos e pais abaixo.

A história dos filhos
A cosquinha que dá vontade de sair de casa já começou? Pode ser até que ela já tenha dado um pouco antes, ao sair da faculdade, aos 22 anos, ou quem sabe quando seus irmãos se casaram e você ficou para trás, aos 25, ou quando um amigo ou amiga o convidou para morar junto, aos 27. Mas parecia muito cedo ainda. Nesses momentos de dúvida, você olhou para seus pais, viu que ainda era muito ligado a eles, que gostava do conforto do seu quarto, que tinha muita liberdade e, principalmente, que a vida lá fora seria dureza. E não saiu. Não precisa se martirizar por isso: saiba que você está em ótima companhia. Filhos que ficam mais tempo em casa, até os 28, 30 ou 32 anos (se não for mais), transformaram-se num fenômeno recente, observado não só na classe média do Brasil como em vários países do mundo é a chamada geração canguru. Na Itália, por exemplo, filhos como você ficaram conhecidos como mammone (palavra que vem de mamma, a soberana mãe italiana que adora ter seus rebentos na barra da saia). Na França, o pessoal anda ficando mais com os pais porque os empregos também estão difíceis por lá. No Brasil, segundo o levantamento feito pelo geógrafo Arlindo Mello para sua tese de mestrado na Escola Nacional de Estatísticas do Rio de Janeiro, 25% por cento dos filhos que ainda moram na casa dos pais na Cidade Maravilhosa têm mais de 30 anos. É gente pra burro. Embora esse universo ainda não seja quantificado com a devida exatidão (segundo o IBGE, os jovens brasileiros que caem na vida mais cedo ainda são a maioria), a dificuldade para sobreviver e as facilidades dadas pelos pais andam conservando muita gente em casa. Portanto, você não é uma exceção isolada: muitas famílias estão mesmo abraçando seus filhos por mais tempo.

O mercado imobiliário, por exemplo, já detectou a mudança. Os enormes apartamentos com quatro suítes e cinco garagens ou os flats que se intercomunicam muitas vezes são vendidos para casais de alta renda com filhos adultos. Os proprietários mais velhos que têm apartamentos grandes não estão se desfazendo mais deles para ir para um menor. Ou os filhos ficaram com eles ou, se saíram, podem voltar, afirma Ely Whertheim, vice-presidente imobiliário do Sindicato das Construtoras de São Paulo (SindusCon-SP).

Fátima Fachin sabe muito bem disso. Aos 28 anos ela viu, abismada, seu pai comprar um apartamento com três suítes quando ela estava prestes a sair de casa para se casar, dois anos depois de sua irmã mais nova. Fátima questionou a decisão. E o pai respondeu na lata: Dou um prazo de carência de cinco anos para o casamento de vocês duas. Se der errado, estou esperando vocês aqui com sua mãe. Se não der, vendo o apartamento, compro um veleiro e vou para a Martinica. A Martinica, para o pai de Fátima, é a imagem de uma utopia, uma Pasárgada. Ele decidiu adiar seu sonho idílico por desconfiar da durabilidade do casamento de hoje e também por achá-las incapazes de sobreviver sozinhas, a partir mesmo de suas escolhas profissionais (música e artes plásticas). Pode ser pragmático, até generoso, mas, puxa, não dá para controlar a vida assim…, diz Fátima.

Luciana Alves Pereira é outra moça de 28 anos que desfrutava de um ambiente e tanto com a família. Filha de pai arquiteto, morava numa casa belíssima de madeira e vidro, fotografada por várias revistas de arquitetura. Mas, no fim do ano passado, começou a sentir que seu prazo de validade por lá já estava expirando. Por ser muito amiga e próxima dos pais, foi duro convencêlos de que queria deixá-los para experimentar a grande aventura da vida independente. Mas o destino ajudou: De repente, vi que se havia formado uma brecha em que eles não precisavam tanto mais de mim. Minha mãe estava bem, meu pai também e minha irmã já estava casada. Se não aproveitasse aquele momento em que tudo fluía, acho que depois ficaria muito difícil. Na sua decisão, está embutida bastante responsabilidade. Saí porque estava ganhando o suficiente para alugar um apartamento de quarto e sala no centro. Não tem sentido viver sozinha e esperar que pai e mãe ajudem a cobrir o cartão de crédito, diz a ajuizada Luciana. Também se sentiu feliz porque não precisou sair de casa por causa de namorado. A gente é de uma geração acostumada a zapear no controle remoto da televisão. Imagine se saísse por causa de alguém e não desse certo. Teria de voltar para casa com um gosto de fracasso na boca, com a sensação de que não conseguia sobreviver sozinha. Mesmo tendo a certeza de que pai e mãe a receberiam de braços abertos.

A história de Luciana mostra que a casa dos pais certamente estará aberta quando você precisar (ufa!). A psicóloga Lidia Aratangy, por exemplo, viu sua filha voltar com duas crianças pequenas após a moça ficar viúva com apenas 30 anos. Garanti que ela teria nosso apoio para o tempo que fosse necessário. No caso dela, isso durou um ano e meio. Mas minha filha sabia que ficar conosco era uma solução provisória, paliativa, afirma a psicóloga. Um tempo até ela poder se arrumar de novo na vida. Mesmo quando saem com menos idade, muitos jovens ainda conservam uma parte do seu ninho com os pais. É o caso do administrador de empresas Paulo Henrique (que pediu para ter o nome trocado nesta reportagem), 25 anos, que responde por um cargo de chefia numa multinacional da indústria química de São Paulo. Aluno brilhante e responsável, veio de Belo Horizonte aos 18 anos para estudar na capital paulista. Seus parcos recursos para se manter, porém, o fizeram morar em todos os ambientes possíveis.

Mesmo no último ano, já formado, trocou oito vezes de endereço, na maioria das vezes nada recomendáveis. É famoso entre os amigos como Mister Pig (ou Senhor Porco), numa alusão à infinidade de muquifos (também conhecidos como cabeça-de-porco) em que teve de morar em São Paulo. Só agora, num bom emprego e ganhando bem, Paulo decidiu se estabelecer. Mas quem vê seu desembaraço e independência como profissional nem desconfia que quase todo fim de semana ele arruma sua malinha e vai para Belo Horizonte para ver seus pais e ter a roupa lavada. De quebra, ainda volta com um a quentinha com aquela comida que só a mamãe sabe fazer.

Então, como você vê, existem dos acomodados aos que só querem uma força da família para cumprir seu projeto de vida. Aliás, essa é a grande pergunta que você deve fazer a si mesmo quando começar a coceirinha de querer sair de casa. Saber qual é seu projeto de vida esclarece a situação. Querer ficar na casa dos pais para fazer um mestrado ou curso de especialização para ter melhores chances no mercado de trabalho é uma coisa. Ficar porque tem certeza de que seu padrão de vida vai abaixar quando começar a pagar suas próprias contas é outra, diz a psicóloga Lidia Aratangy, que aconselha, inclusive, os pais a sentarem com seus filhos e perguntarem bem claramente o que eles pretendem fazer de suas vidas. Autora de livros sobre a relação de pais e filhos, Lidia, que já é avó, perturba-se com a infantilização exagerada dos jovens adultos de hoje. A infantilização começa cedo. Aos 12 anos, por exemplo, os adolescentes de hoje lêem as Aventuras do Capitão Cueca, um livro quase infantil. No meu tempo, a gente lia Erico Verissimo e boa literatura adulta. Isso faz diferença mais tarde, diz Lidia. Uma das razões para isso ocorrer talvez seja o excesso de mimos dos pais, que infantilizam os adolescentes e os deixam pouco tolerantes às frustrações como as crianças. Acontece que uma boa relação com as próprias frustrações é um dos alicerces da maturidade. Nesse caso, então, o que fazer? Terapia é bom. Mas também vôos rasos, curtos, só para sentir qual é sua autonomia. Que tal passar um tempo na casa de uma irmã? Ou de um amigo? Mesmo que o desempenho não seja muito bom, não desanime. Aprender é o maior capacidade do ser humano. A gente pode ir para a nova casa não sabendo fritar um ovo, sim. Os primeiros podem sair queimadinhos, mas depois a gente aprende, lembra a advogada Sueli Nunes, que saiu de casa aos 30 anos sem saber cozinhar, passar roupa ou limpar banheiro. Em seis meses de tentativas, já rodopiava pelo seu apartamento de lencinho na cabeça como uma borboleta feliz.

Além dos mimos, a sedução e a chantagem emocional dos pais podem gerar um aumento no tempo de estadia dos filhos. Quando eles ameaçam abrir as asas, chega uma passagem de avião para longe. Quando tentam de novo, uma fragilidade súbita de um dos genitores estanca o processo. Mas dá para saber quando é fita ou suborno,garante a dentista paulista Caritas Marcondes, que tentou sair de casa quatro vezes antes de conseguir realizar a proeza. Na verdade, a descoberta da mentira e da manipulação ajuda muito a concretizar a decisão de partir.

E, se você não quiser sair de casa, pergunte-se sinceramente por quê. Pode ser que realmente esse não seja o momento de sair. Por mil motivos que só você tem condições de descobrir. De qualquer forma, o autoconhecimento sempre vai colocar mais luz na situação. Até você conseguir resolvê-la um dia.

Isso posto, boa sorte. Mas antes leia abaixo “A história dos pais” para entender melhor o que passa na cabeça deles.

Demorô!
Planeje sua saída. Sente, faça contas, calcule seus gastos.
Tenha um dinheiro reservado para os primeiros meses.
Visite o apê que possa pagar até encontrar um de que goste.
Converse com quem já saiu e aprenda com suas experiências.
Fale francamente com seus pais e resista às seduções.
Estabeleça um prazo razoável para a saída.
Saiba antes a quem recorrer se precisar de algum dinheiro.
Decidida a questão, alugado o apê, vá em frente.
Tenha um plano B na manga (que não inclua a volta à casa dos pais).

A história dos pais

Lembra aquela vontade de sair de casa, arriscar o pescoço, meter os peitos, enfrentar desafios e cair na estrada com uma calça velha azul e desbotada? Pois é, parece não existir mais. Ou, se existe, não é bem assim. Calça desbotada ainda pode ser, mas hoje a passagem de avião dos filhos tem ida e volta bem definidas, com certeza com o mesmo endereço da hora da partida: a casa dos pais. Passar dificuldades e perrengues, vamos ser sinceros, em nome do quê? Independência? Liberdade? Bens materiais? É o que mais eles têm em casa. Porta do quarto fechada, vale tudo, ou quase tudo, desde que não se acordem os vizinhos ou prejudique a saúde, é claro. Com a vantagem de não ter de pagar pela roupa limpinha, pelo canelone de ricota e, muitas vezes, nem pela conta do celular.

Não há como negar: seus filhos gostam do ninho, da plumagem macia que você deu para eles, que os defende em parte de uma vida mais competitiva, insegura e com um número bem menor de oportunidades do que você próprio teve. Além disso, confesse, é gostoso ver as crianças ainda por perto, mesmo que elas já sejam bem grandinhas. Você se delicia com suas aventuras o namorado, a namorada, aquela viagem maluca nos Andes, as histórias dos amigos, os desafios do início da vida profissional… A presença deles traz vida, frescor, um certo encanto, a juventude que todos nós tanto amamos. Não é para se envergonhar,portanto. Os filhos ficam mais tempo em casa porque a vida mudou. E muito. Em primeiro lugar, ela esticou temos mais tempo para viver e, com isso, as fases da vida também se alongaram. A expectativa de vida hoje no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de quase 72 anos. Casa-se mais tarde também, um ano a mais, em média, do que quando você era jovem, se estiver na casa dos 50. A adolescência tornou-se compridíssima. No seu tempo, dizia-se que ela ia dos 13 até os 18, vá lá,19 anos. Isto é, um adolescente (teenager, em inglês) estava no período de vida que vai dos thirteen (13) aos nineteen (19). Ao se completarem 20 anos, mudava-se de década e status o adolescente passava a ser um jovem adulto.

A própria lei brasileira considera que, aos 18 anos, uma pessoa já é plenamente responsável por seus atos. Mas certamente não pela sua sobrevivência, como se sabe. Com essa idade, um jovem (da classe média, pelo menos) ainda está no primeiro ou segundo ano da faculdade, com pouquíssimas chances de emprego e auto-suficiência. Também não pensa seriamente em se casar, em ter uma casa e filhos, em se tornar responsável por uma família, condição que atestaria sua maturidade psicológica e autonomia na sociedade. Enfim, é adulto mas naquelas, né?

A adolescência tornou-se tão longa que a psicóloga carioca Tânia Zagury dedicou um livro inteiro, Encurtando a Adolescência, a esse assunto. Hoje, considera-se que a adolescência começa bem antes, já com uns 11 anos e alonga-se até um período indeterminado, que pode ir até a casa dos 20: 22, 23, 24 anos, sabe Deus quando. Essa visão, que vem dos próprios jovens com relação a eles mesmos, foi detectada pelo psicólogo paulista Yves de la Taille, autor do livro Labirintos da Moral, que assina junto com o educador Mário Sérgio Cortella. Diante do olhar estupefato do professor, todos os alunos do quarto ano de psicologia da USP, gente dos seus 23, 24 anos, levantaram a mão quando perguntados se consideravam a si próprios como adolescentes. Acreditam nisso porque certamente não têm autonomia. Podem ter independência na casa dos pais, total liberdade de ir e vir, mas não têm auto-suficiência, diz. Esse é, segundo Yves de la Taille, o grande fator que separa sua geração da de seus filhos: a capacidade de ficar em pé nas próprias pernas vinha mais cedo e era muito desejada. Havia um certo brio em sair de casa, manter-se sozinho, enfrentar a vida para ter independência e vida própria. Esse orgulho vinha do clima cultural vigente: ao sair de casa, rompiam-se as amarras com um sistema familiar duramente contestado e abriam-se caminhos para novas formas de viver em sociedade. Para a turbulenta geração dos anos 60 e 70, independência rimava com honra. Inaugurou- se uma outra época: os ídolos dos jovens passaram a ser os próprios jovens, com sua rebeldia e amor pela liberdade. Antes, os ídolos dos jovens eram seus próprios pais, afirma De la Taille.

Mudança brutal. A juventude, com sua beleza e ímpeto de vida, tornou-se o mais desejado dos bens. Por isso, os filhos de hoje querem permanecer adolescentes até a última ponta. E os pais também. Pensem bem: ter os filhos por perto, como se fossem crianças, pode aumentar, e muito, a ilusão de eterna juventude. E adiar o momento de se reestruturar um casamento, de se perguntar o que realmente gosta de fazer na vida, procurar projetos que incluam a realização pessoal. Reencontrar a própria individualidade, depois de tantos anos se dedicando a ajudar a formar a identidade dos filhos, pode ser um processo doloroso. Além de ser uma maneira inconsciente e engenhosa de não enfrentar a própria idade e, com isso, a proximidade da etapa final da existência (que também se alongou e tornou-se mais prazerosa e criativa, ainda bem).

Sábios são os indianos, que, encerrada a vida produtiva, de exercício profissional e criação de filhos, iniciam outra etapa completamente diferente, consagrada ao autoconhecimento e aperfeiçoamento interior. Fazem retiros, peregrinações espirituais, vão atrás de mestres ou se tornam um deles. Mesmo no Ocidente, onde a procura espiritual não parece ser tão visceral e profunda, muitos pais que soltaram seus filhos para o mundo tiveram a oportunidade de experimentar o que sempre gostariam de fazer e nunca haviam conseguido: viajar, ensaiar uma atividade artística ou literária (pintar, esculpir, tocar um instrumento, escrever), fazer cursos livres, entrar numa nova faculdade para depois, quem sabe, dar aulas ou dedicar-se a uma atividade voluntária. Os pais podem, numa imagem bem prosaica, voltar a comer a coxinha do frango, depois de tantos anos tendo deixado essa parte saborosa para os filhos durante as refeições.

Os 50, 60 e 70 anos, então, podem se tornar um rico período de busca de realização. E por que não? de felicidade. Aos 57 anos, Blanca Suarez, por exemplo, que durante mais de dez anos foi relações-públicas da Maison de la France, órgão oficial do turismo francês no Brasil, abandonou a idéia de continuar nesse ramo de atividade para se dedicar à paixão de sua vida: os animais. Inscreveu- se como voluntária numa ONG,a Arca, que acolhe animais enjeitados, e, por enquanto, não pensa em voltar ao circuito de eventos, festas e viagens. Conquistei o direito de fazer só o que meu coração diz. Mãe de um médico veterinário de 25 anos que tem mais quatro anos de mestrado e doutorado pela frente e que ainda mora em sua casa, ela não esperou para conquistar o espaço próprio. Estou me preparando para quando ele for embora.

Por isso, tranqüilize-se, não é errado ter os filhos por perto, se realmente há necessidade disso e se você não se torna dependente da lufada de oxigênio que eles trazem para casa, tentando segurá-los com mimos ou chantagens emocionais. A história só fica meio esquisita quando não há essa precisão e há um certo comodismo por parte deles, uma espécie de pânico de enfrentar a vida e passar pelas eventuais dificuldades que irão se apresentar no caminho. Porque é claro que será diferente. Essa geração ama o conforto tanto quanto a geração passada gostava da liberdade. Mas o ser humano precisa de riscos e desafios para crescer, afirma Yves de la Taille. Enfim, precisa quebrar a cara às vezes. Filhotes são mesmo para sair do ninho, ainda que isso custe um pouquinho mais.

Você mesmo desempenhou o seu papel nessa mudança rumo a uma vida mais protegida. De peito aberto, sua geração ajudou a destruir convenções, balançar a moral estabelecida e dar uma sacudida geral nas ideologias. Foram derrubados os muros que bloqueavam a estrada e agora seus filhos passeiam por ela sobre asfalto macio. Eles têm mais tempo para aprender, mais abertura para viver e, de certa maneira,muito mais facilidades. Têm, em suma, acesso a informações e experiências quase inimagináveis em seu tempo. Por motivos diferentes (e são muitos, não tenha dúvida), sorte sua por ter vivido sua época. Sorte dos seus filhos por viverem a deles.

Agora, com o coração mais pacificado, leia o que acontece com seus filhos. Leia e reflita. E descubra, nele e em você, se há uma necessidade de mudança.

Chegou a hora?
Lembre-se sempre: seu filho já é um adulto.
Mesmo que não precise, faça questão de que ele ajude em casa.
Estabeleça com nitidez as responsabilidades dele.
Deixe claras as conseqüências do não cumprimento dessas regras.
Se ele pensar em sair, procure ajudá-lo no que for possível.
Não use suas dificuldades para mantê-lo em casa.
Se ele deseja ficar para ajudá-lo por alguma razão, reflita bem.
Procure retomar sua própria individualidade.
Inaugure uma fase de realização de sonhos e busca espiritual.

PARA SABER MAIS

LIVROS
Encurtando a Adolescência, Tânia Zagury,  Ed. Record.
Livro dos Avós, Lidia Aratangy e Leonardo Posternak, Ed. Artemeios.
Pais que Educam Filhos que Educam Pais, Lidia Aratangy, Ed. Celebrist. 





Equilíbrio entre tempo e dinheiro

22 09 2009
Equilíbrio entre tempo e dinheiro sustenta o ciclo da prosperidade
Seg, 21 Set, 18h00

SÃO PAULO – De acordo com o especialista em administração de tempo e produtividade, Christian Barbosa, a vida acontece em “ciclos pessoais”, marcados pela forma como as pessoas escolhem e decidem levar suas rotinas, conseguindo acumular riqueza ou não.

“Esses ciclos se equiparam à imagem de uma espiral, como um amortecedor de carro, que pode ser ascendente, descendente ou contínua no mesmo ponto”, explicou Barbosa.

O ciclo da prosperidade (ascendente) é aquele em que as pessoas dão resultados e sabem como usar bem o tempo. “Elas conseguem fazer o dinheiro render e aumentar, usam técnicas de planejamento para tempo e finanças e vivem de forma sustentável em todos os seus papéis”.

Quando a situação piora

Um outro ciclo é o da sobrevivência (contínuo no mesmo ponto), quando a pessoa não perde riqueza, mas também não acumula. Nesta situação, a pessoa se conforma apenas em sobreviver, tendo dinheiro suficiente para pagar suas contas e permanecer no mesmo ponto de sua carreira. O tempo, para elas, também é mal utilizado na maioria das vezes.

Pior do que essas pessoas, por sua vez, estão aquelas no ciclo da frustração (descendente). “Engloba as pessoas que não conseguem ter tempo para o que gostam, vivem cheias de problemas financeiros, pagam juros aos bancos, estão atrasadas em suas atividades e o estresse configura-se como parte integrante da vida”, ressaltou Barbosa.

Para conseguir se manter no ciclo da prosperidade, Barbosa indicou que a pessoa faça uma autoanálise com o intuito de descobrir em que fase da vida se encontra.

Relação tempo e dinheiro

Além disso, é preciso encontrar a sinergia entre tempo e dinheiro, já que dificilmente uma pessoa conseguirá ter um sem o outro de forma equilibrada.

“Ou seja, para aproveitar o seu dinheiro, você precisa de tempo; e para gozar as suas horas livres, você necessita de recursos financeiros. Isso não significa a conquista de um sonho utópico ou ganhar na loteria, mas aprender a usar esses dois pontos fundamentais de maneira que gerem prosperidade, independentemente da quantidade possuída de cada um deles atualmente”.

Fonte: Finanças pessoais – Yahoo.com.br





O novo super-homem

18 09 2009

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O modelo masculino mudou, diversificou-se e ganhou novos papéis…

Por: Roger Schlegel

Foto: Ivan Shupikov

Primeiro encontro. Ela sugere um restaurante. Alguns drinques antes do jantar quebram o gelo. Na mesa, o prato de entrada é delicado, ela adora. O principal está no ponto. O vinho é divino e eles pedem outra garrafa. A sobremesa adoça o encontro. O café os ajuda a se manter atentos um ao outro. E o licor deixa um gosto de promessa no ar. Eles decidem ir a outro lugar mais tranqüilo. Ele pede a conta. A nota chega e ele se esforça para manter o rosto calmo, mas o valor é mais do que ele pode pagar. De repente, lembra-se dos gastos extras que teve com a ex-mulher, o carro e o conserto do banheiro. O que ele faz? a) Decide fazer um empréstimo no dia seguinte e paga a conta; b) Pede ajuda a ela para pagar a despesa; c) Paga metade e entrega a conta a ela; d) Entrega a conta toda para ela pagar; e) Fica paralisado, sem saber o que fazer.

Está difícil ser homem hoje em dia. São cada vez mais comuns situações como a descrita acima, em que os homens já não sabem como agir. O velho modelo dos nossos pais e avós já não serve mais, mas também não está sepultado. Continua por aí, nos assombrando. E, se há alguma certeza entre os estudiosos do assunto, é que o papel masculino está em transição, ou melhor, em multiplicação, pois agora não se pensa mais em um papel masculino, mas em papéis masculinos. Assim, no plural.

Mas, como toda transição, os novos tempos trazem oportunidades para quem encará-los com tranqüilidade. O papel de machão tinha seu lado confortável, porque era bom dominar, mas obrigava o homem a se fingir de Super-Homem, sem fragilidades ou contato com suas emoções. E tem coisa melhor do que chorar quando se está triste, dividir o sustento da casa e compartilhar decisões importantes? Para quem não tem superpoderes, nada mais confortável do que tirar a fantasia e viver feliz como Clark Kent.

Mudança forçada

Foi nas últimas três ou quatro décadas que o papel do homem mudou de maneira radical. O avô da gente sabia que não podia chorar ou mostrar sentimentos. Bonito era ser durão, agressivo, até. E trazer para casa o pão de cada dia, pois não ficava bem mulher trabalhar fora. Quem cuidava dele, da roupa passada ao zelo com a saúde, era a patroa. Natural: homem não prestava atenção nessas coisas. Sujeito muito vaidoso era maricas.

Todo mundo sabe que esses valores mudaram, mas não pense que foi porque o homem quis. Pelo contrário. Muitos quiseram resistir, mas não tiveram escolha, porque a mudança foi social. Os papéis de homem e mulher estão mudando desde a Revolução Industrial, no século 18, quando as máquinas facilitaram ou substituíram o trabalho humano. Não era preciso ser um Hércules para apertar botões, e a força bruta masculina, que por séculos foi o centro de seu papel, perdeu importância até chegarmos ao mundo de hoje, em que o trabalho intelectual é disparado o mais reconhecido. Outras revoluções acompanharam essa mudança. As mulheres saíram para o trabalho, ganharam salário, viraram consumidoras com voz própria e geraram negócios. De repente, elas tinham opinião e podiam até casar com quem quisessem. E ai do homem que ficasse em seu caminho. Mas tudo isso já é história.

A novidade é que o feminismo obrigou o homem a se questionar, e as questões não têm fim. Como se relacionar com essa nova mulher vencedora? Que lugar devem ter na vida do homem o trabalho, a família, o amor? Homem pode trair? Menino também chora? É o marido que tem de levar o carro ao mecânico e trocar lâmpadas? Ele tem de ganhar mais do que a esposa? Pode mostrar insegurança? E o que fazer com a conta do restaurante?

Seu pai tinha lá suas respostas para essas perguntas, mas as explicações dele não servem para você. Na falta de um modelo claro de homem no qual devemos nos espelhar, a geração que tem hoje entre, digamos, 20 e 50 anos está enfrentando o desafio de reinventar a masculinidade. É dose para leão – para usar uma expressão do vovô (aliás, alguém ainda se lembra do leão, esse bicho machista e fora de moda que era o rei dos animais?).

Busca de novos padrões

É difícil definir novos padrões capazes de deixar o homem atual à vontade. Mesmo inconscientemente, somos assombrados por comportamentos machistas. Até no caso daqueles que se julgam bem resolvidos. Não é uma cena incomum: o casal chega à noite do trabalho e o moderninho diz que vai ver o noticiário ou o começo do jogo – deixando para ela o preparo do jantar. Outro diz que dedica um bom tempo aos filhos, mas em geral é no lazer. As obrigações sobram para a mulher. Na separação, ele jamais cogitaria sinceramente ficar com as crianças. Pois é…

“Há muita propaganda enganosa sobre esse tal de novo homem”, avalia o psicólogo Bernardo Jablonski, professor da PUC do Rio. “O homem tem uma opinião liberal em relação às mulheres e aos papéis, mas na prática ainda se comporta mais como seu pai ou seu avô”, diz. Pode até ajudar nas tarefas domésticas, mas a própria expressão “ajudar” já pressupõe que esse trabalho não é sua responsabilidade. “As mulheres reclamam muito, mas compactuam com isso”, diz Jablonski. Natural. A transformação de um hábito é lenta. O homem muda, mas não na velocidade que ele – e, mais ainda, a mulher – gostaria. Além disso, é preciso estar atento à educação que se dá aos filhos. O professor da PUC acredita que mesmo as atuais gerações de homens urbanos são educadas para terem atitudes conservadoras. Os garotos são ensinados a separar sexo de afeto, o que não acontece com as garotas, por exemplo.

A saída para a encruzilhada masculina não é fácil, porque não basta negar tudo o que o homem machista fazia para se chegar a um novo modelo ideal. Isso serve, no máximo, de ponto de partida. Quer ver? Peguemos um consenso sobre o novo homem: ele não deve esconder suas emoções nem se negar a discutir seus sentimentos. Todo mundo de acordo, certo? E se o diretor chorar numa reunião, ao não saber responder a uma questão do presidente? Não pode, né? Nem que fosse mulher. No trabalho, tem que ser profissional. Então, vamos refazer. Fica assim: o homem não deve esconder seus sentimentos das pessoas de que gosta. Aí o sujeito vira para a esposa e diz, com o coração aberto: “Para mim é indiferente a maneira como você corta seu cabelo”. Piorou. Digamos então que “o homem não deve esconder seus sentimentos das pessoas de que gosta, desde que sua exposição não as magoe gratuitamente”. Talvez tenhamos que melhorar isso aí, mas já começa a complicar, né? E isso faz pensar: é razoável esperar que homens e mulheres entendam e respondam a todos os anseios uns dos outros? Homens podem pensar como mulheres e vice-versa? Homens e mulheres são diferentes

Marcianos e venusianas

Mesmo entre estudiosos do assunto, a resposta a essas perguntas depende do interlocutor. Na psicanálise, por exemplo, há quem acredite que as diferenças que enxergamos foram inventadas numa espécie de delírio coletivo, porque ser homem ou mulher não é o mais importante para definir quem somos. Já para a biologia, as diferenças são claras, e as pesquisas científicas trazem mais e mais detalhes sobre elas. Mas, embora as descobertas sejam interessantes, a capacidade dessa ciência para explicar os papéis sociais é limitada.

As pesquisas mais curiosas nessa área tratam do funcionamento do cérebro. O filósofo social e terapeuta familiar Michael Gurian, autor de livros sobre o assunto, acredita que os cérebros masculino e feminino têm características próprias. Ao longo de milhões de anos, o cérebro do homem esteve voltado para a caça e a construção, privilegiando as habilidades espaciais complexas. Por isso é mais fácil para ele medir, distribuir e manipular objetos, por exemplo. Em compensação, essas funções deixaram menos áreas cerebrais para o uso e a produção de palavras – um ponto forte das mulheres. Elas têm áreas dedicadas à linguagem nas duas metades do cérebro, enquanto eles só as têm em um dos hemisférios cerebrais, o esquerdo. Isso, dizem os biólogos, poderia explicar por que os homens tendem a agir primeiro e perguntar depois. O jeito mais meigo das mulheres e mais enérgico dos homens também poderia ser explicado por diferenças biológicas, sustenta Gurian (leia quadro na página 28).

Estuda-se também o comportamento e as atitudes dele e dela. “Homens e mulheres diferem em todas as áreas de suas vidas”, sustenta John Gray, autor de Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus, um best seller dos anos 90. Na sua avaliação, os dois “pensam, sentem, percebem, reagem, respondem, amam, precisam e apreciam diferentemente” – daí a definição de que é como se tivessem vindo de planetas diferentes. Gray acredita que a base de muitos problemas de relacionamento é o fato de homens e mulheres se esquecerem de que são bem diferentes. Eles esperam que as mulheres reajam como homens e elas esperam que os homens reajam como mulheres. Nada mais equivocado, sustenta Gray, depois de analisar questionários de mais de 25 mil pessoas e conversar com outros milhares.

Ele chegou a generalizações que, claro, não servem para encaixar o comportamento de todo mundo. Afinal, muitos homens também têm características femininas e vice-versa. Mas quer ver como as generalizações espelham atitudes de homens e mulheres que você conhece? Eles, os marcianos, não tendem a valorizar o poder, a competência e a eficiência? E as venusianas, elas não valorizam o amor, a comunicação, a beleza e os relacionamentos? Gray também sustenta, veja só, que as mulheres, quando têm um problema, querem falar sobre ele e precisam ser ouvidas com atenção para se sentirem apoiadas. Os homens, imagine, preferem se fechar até chegarem a algo que pareça uma solução. E ai daquela que der um conselho sem ter sido consultada! (Identificou-se? Leia outros exemplos no quadro na pág. 24.)

A masculinidade é tão complicada que merecia uma ciência nova. E não é que ela existe? É o masculismo, cuja principal indagação é “o que é ser homem?”. “O masculismo procura enxergar o homem como um todo, para redefini-lo”, afirma o psiquiatra Luiz Cuschnir, que trouxe para o Brasil o termo masculismo e é autor de sete livros sobre os papéis do homem e sua relação com as mulheres. Cuschnir coordena grupos de gênero no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, nos quais homens falam sobre suas vivências e angústias. Com base em sua experiência de 30 anos, o psiquiatra vê um avanço claro dos homens, que questionaram e ampliaram seus limites e saíram da estagnação para uma posição criativa. “Para chegarmos a novos papéis nos quais nos sintamos confortáveis, é preciso um aprendizado”, avalia Cuschnir, que não arrisca um prazo para que isso aconteça.

Na verdade, pouco importa. A mudança é um fato e, entre os problemas que ela pode trazer, os piores estão reservados a quem tentar parar o bonde da história. “Os homens e as mulheres que não quiserem ser atropelados deverão praticar a arte de seguir em frente sem mapas e modelos que predeterminem suas escolhas. A razão é simples: esses mapas e modelos não existem”, diz George Barcat, filósofo da Associação Palas Athena, de São Paulo. “A personalidade não é um dado, é fruto de um processo de criação de si mesmo.” O conselho é: não resista. Em vez disso, que tal atentar para as oportunidades que esse homem traz?

O direito de sentir

Já há conquistas para comemorar. Antes, os medos e fraquezas do homem eram inconfessáveis. Desde pequeno, ele aprendeu a segurar o choro cada vez que caía no chão. E achava que era o único responsável pelo bem-estar material e pela felicidade da esposa e dos filhos, tudo isso sem pedir ajuda para ninguém. Ele tinha que tomar decisões sozinho, quase sem compartilhar. Em resumo, o homem vivia a ilusão de que ter poder levaria à felicidade, uma fantasia perigosa que o levou a uma vida emocional desértica e a um infarto prematuro (na maioria das sociedades os homens vivem em média menos que a mulher, e isso não é genético).

Mas isso está mudando. Aos poucos, o homem se sente mais à vontade para entrar em contato com seus sentimentos e expressá-los, o que contribui para destrinchar seus problemas emocionais e fazê-lo mais feliz. Mas ainda há um longo caminho a percorrer.

É verdade que confessar medos e fracassos a um amigo, algo impensável há algumas gerações, já é coisa normal. Mas chorar diante do mesmo amigo, por amor ou algo que possa expressar fraqueza pessoal, ainda é um tabu no caminho da felicidade. E muitos homens ainda resistem à idéia de buscar ajuda com psicoterapia ou outras formas de equilíbrio, como yoga. A eles, o conselho dos especialistas: o mundo mudou. Não é vergonha pedir ajuda.

Esse caminho promete ainda mais satisfação. Luiz Cuschnir diz que o homem tem uma vida emocional tão rica quanto a mulher, mas é mais restritivo na comunicação dos sentimentos. “Isso se deve ao aprendizado por que passou na sociedade e na cultura e à própria reação das mulheres”, afirma o psiquiatra. Sim, a reação delas. Hoje, diz Cuschnir, são as mulheres que mostram grande dificuldade em ouvir o que o homem tem para dizer, inclusive porque o homem demanda uma abordagem específica de seus sentimentos, pois não trabalha com eles da mesma forma que sua parceira.

Ajuda nas contas

O homem ainda privilegia a esfera do trabalho em relação à vida sentimental ou familiar, segundo pesquisas de opinião e relatos de terapeutas. Continua sendo fundamental para a felicidade dele conseguir dinheiro e sucesso no trabalho. E não são poucas as esposas que esperam segurança material dos maridos. Mas está ficando para trás o tempo em que os homens literalmente morriam de trabalhar, sem dar atenção a outras formas de se realizar.

A emancipação financeira da mulher aliviou a pressão sobre ele, antes considerado o provedor por excelência, e o homem viu sair de seus ombros a responsabilidade exclusiva pelo sustento da família. Homem de seu tempo, o dono-de-casa Marcelo Saula, 33, não tem emprego remunerado. Cuida da casa e da filha enquanto a mulher, a jornalista Soninha Francine, trabalha. “Em casa, eu lavo a louça e a roupa, cozinho, limpo a casa e faço supermercado. Ela paga as contas – e não me sinto mal por isso.” É claro que causa estranhamento. “Às vezes rolam umas piadas, tipo ‘Ah, queria ser o seu marido, que não faz nada’”, diz Soninha. “As pessoas parecem esquecer que cuidar de filho e da casa é um supertrabalho.”

Dono-de-casa

Se a mulher fez o caminho de casa para a rua, os homens tomam o rumo inverso. Cozinhar e ficar com os filhos, por exemplo, se mostraram atividades prazerosas. Na TV, proliferaram programas de cozinha para homens.

Eles também se preocupam em assumir seu lugar na formação dos filhos. “Antes o pai saía cedo e voltava tarde, nem podia se dedicar aos filhos. Hoje é possível aproveitar o crescimento deles. De madrugada, quando o bebê chora, eu que levanto”, diz o jornalista Paulo Buscato, de São Paulo. E a presença do pai é fundamental, por exemplo, para ajudar um menino a se diferenciar da mãe, a construir sua identidade. Os homens estão hoje mais atentos para isso, não só por obrigação, mas também por prazer. Em terapias, é usual os homens relatarem como se sentem felizes convivendo com as crianças. “Nada paga a emoção de acompanhar o crescimento da filha”, diz o dono-de-casa Marcelo Saula.

O apego à casa aparece também no maior carinho com a decoração, antes uma prerrogativa feminina. “As tarefas da casa a gente divide por afinidade, sem essa coisa de eu fiz isso ou aquilo”, diz o pesquisador Marcelo Faria, 38, de Barretos. “Adoro cozinhar e assumi a cozinha. Quando ela chega do trabalho, a janta está pronta. Também cuido do jardim e planto meus temperos. A cada duas semanas compro flores para a casa.” Sua mulher, a professora de inglês Fabiana De Vito, diz que adora o arranjo, mas sabe que ele é incomum. “As pessoas estranham quando descobrem que ele cozinha e enfeita a casa.”

Também houve ganhos na flexibilidade da estrutura familiar. Homens e mulheres hoje têm liberdade para procurar sua felicidade em arranjos diferentes. A convivência sem casamento é mais aceita, as separações são vistas com maior naturalidade, os filhos deixaram de ser uma conseqüência esperada da união e se tornaram uma escolha. Todos ganharam o direito de procurar com menos restrições sua felicidade no campo sentimental. O homem não é mais escravo de relações de fachada, tão comuns no passado.

Ele se cuida

Livre da fórmula homem-provedor-mulher-prendada, o homem percebeu que cuidar de si dá prazer e não é vergonhoso. Cuidar do corpo, da pele e da roupa passou a ser tão comum quanto lavar o carro no domingo. A nova atitude cunhou até um nome novo, o metrossexual, criado nos anos 90 pelo inglês Mark Simpson para designar a pessoa (não só o homem) vaidosa ao extremo, que usa as facilidades das grandes cidades (metro é de metropolitano) para viabilizar um egocentrismo nada saudável. Nada a ver com o conceito que a indústria de cosméticos anda querendo vender, de um sujeito vaidoso e bem resolvido. Simpson esclarece que o metrossexual nem é necessariamente hétero, nem homem.

Reconhecer as conquistas e aproveitá-las ajuda a encarar a transição. A mudança traz insegurança, mas há muito o que ganhar, hoje e no futuro. “Apesar da crise, vivemos um momento riquíssimo”, diz Cuschnir. “Não se trata apenas de ver homens e mulheres mudando. Estamos presenciando a evolução da humanidade, que caminha para um patamar melhor.”

Eles e elas

Depois de aplicar 2 mil questionários e conversar com outros milhares de pessoas, o pesquisador norte-americano John Gray concluiu que homens e mulheres são tão diferentes que é como se tivessem vindo de planetas distintos. Veja as diferenças entre os marcianos e as venusianas:

O que valorizam

Eles prezam o poder, a competência, a eficiência e a realização;

Elas se importam com o amor, a comunicação, a beleza e os relacionamentos.

A auto-imagem

Eles avaliam seu sucesso por sua habilidade em alcançar resultados;

Elas tomam como base a qualidade dos seus relacionamentos.

O que vestem

Eles gostam de uniformes, como o de policial;

Elas curtem roupas que expressem seu humor no dia.

Diante dos problemas

Eles ficam em silêncio e tentam soluções sozinhos;

Elas querem conversar e compartilhar idéias.

Na comunicação

Eles adoram dar conselhos e detestam recebê-los sem pedir;

Elas se sentem amparadas quanto ouvidas com atenção.

Cabeça de homem

 

engenheiro – Desenvolvida ao longo de milhões de anos caçando e construindo, fez o homem apto para planejamento mecânico, medição, direção e manipulação de objetos.

introspectivo – A mulher tem duas áreas voltadas à comunicação no cérebro. O homem só tem uma. Eles usam metade do volume de palavras que as mulheres usam.

impulsivo – Os homens produzem menos serotonina, um tipo de tranqüilizante natural. Por isso, tendem a agir por impulso.

agressivo – As mulheres possuem em maior quantidade as substâncias que geram o instinto de “cuidar e acudir” e criam os laços afetivos. A deficiência dessas substâncias inclina o cérebro dele à agressividade e dificulta a criação de laços. Os machos humanos ainda têm mais testosterona, hormônio que favorece a competitividade.

memória ruim para emoções – O centro de memória no cérebro delas é maior e possui mais conexões com as áreas onde nascem as emoções. Os cientistas acham que essa diferença se desenvolveu ao longo da evolução para que elas pudessem decifrar os sinais das crianças.

relaxado O cérebro feminino está constantemente trabalhando e exige fluxo de sangue 15% maior do que o dos homens. O masculino diminui sua atividade com mais freqüência, como se cochilasse. É quando, por exemplo, um homem está diante da TV sem prestar atenção.

Fonte: Michael Gurian, autor de Afinal, o que Pensam os Homens?

 

Para saber mais:

• Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus John Gray, Rocco

• Homens sem Máscaras, Luiz Cuschnir, Campus

• Os Bastidores do Amor, Luiz Cuschnir, Elsevier

• Afinal, o que Pensam os Homens?, Michael Gurian, Elsevier

Fonte: Revista Vida Simples, edição de outubro de 2004.