Mãe realizada, filho feliz!

25 10 2009

Você morre de culpa quando tem de sair para trabalhar e deixar o filho em casa? Não se preocupe tanto: o seu trabalho traz uma série de benefícios para a criança Jeanne Callegari.

Fonte:http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI3774-10513,00-CARREIRA+MAE+REALIZADA+FILHO+FELIZ.html

0,,14438627,00

É só você se levantar para ir ao trabalho, de manhã, que seu filho faz uma carinha de tristeza. Desde que as mulheres começaram a sair em massa para o mercado de trabalho, há 40 anos, precisam enfrentar esse tipo de dilema. Pensam que estão abandonando os filhos e que eles vão sofrer muito com sua ausência. E pensam nas conseqüências que isso trará para o futuro deles. Se isso passa por sua cabeça com freqüência, não se preocupe. Seu trabalho traz mais benefícios para seu filho do que você pode imaginar.

A primeira vantagem é óbvia: o dinheiro. A maioria das mulheres trabalha, hoje, por necessidade. As famílias precisam do salário de homens e mulheres. É uma tranqüilidade não depender apenas de uma fonte de renda. Se o marido ou a mulher perdem o emprego, situação não incomum, existe uma rede de segurança, algo que protegerá a todos, principalmente os filhos, durante a crise. Mesmo quando não há nenhum problema, o dinheiro permite que as crianças tenham acesso a coisas que não poderiam de outra forma. Uma escola de qualidade, aulas de natação, dança ou inglês. Essas atividades podem fazer a diferença no futuro, quando ela entrar no mercado de trabalho, e mesmo para se tornarem adultos mais equilibrados e saudáveis. Claro que não é preciso, nem recomendável, colocar a criança em milhares de atividades, deixando-a sem tempo livre para brincar e aprender livremente. Mas uma boa escola e uma ou duas atividades extras são bem-vindas. E isso custa caro.

Se o marido ganha o suficiente para os dois, a mulher se sente culpada em trabalhar, afinal, teoricamente, a família não precisa. Mas a situação não é tão simples. A jornalista americana Leslie Bennetts, autora do livro The Feminine Mistake (O Erro Feminino, inédito no Brasil), que fala das razões para as mulheres não pararem de trabalhar, argumenta que, nesse caso, as mulheres ficam dependentes do marido. E se ele pedir o divórcio? E se você quiser o divórcio? E se ele perder o emprego? E se acontecer um acidente? Nesses casos, toda a família fica vulnerável. Principalmente a criança, que vai se encontrar em uma situação difícil de repente.

Para o homem, é um alívio quando a mulher trabalha. “A responsabilidade de ser o único provedor é muito grande”, diz a psicóloga Ceres Alves de Araújo. A pressão diminui sobre ambos, o que melhora o astral em casa. Mais uma vantagem para os filhos, que podem contar com pais menos estressados e um clima leve.

Com as mulheres trabalhando, abre-se um espaço importante para que o homem participe mais da vida em família. A situação ainda não é a de uma divisão meio a meio, o que sobrecarrega muitas mães, mas aos poucos os homens começam a cozinhar, trocar fralda, levar ao médico. A criança ganha um pai participativo, mais presente que em qualquer geração anterior, que brinca e cuida dela. O dinheiro e a segurança não são os únicos motivos pelos quais as mulheres trabalham. A realização pessoal também conta. E aí acontece um paradoxo. “Quanto mais gostam do trabalho, mais as mulheres se sentem culpadas”, diz Ceres. Elas encaram como se abandonassem os filhos não por uma necessidade simples, mas por um motivo muito mais egoísta, que é se sentir bem com projetos pessoais.

Gostar do trabalho, porém, não deve ser motivo de culpa. “Uma mãe realizada e satisfeita com o trabalho transmite confiança para o filho”, diz a psicóloga Simone Savaya. O contrário também é verdadeiro: se a mãe decide ficar em casa e se sente frustrada por não trabalhar, isso vai refletir na relação com os filhos. Ela pode até, inconscientemente, culpar a criança por afastá-la da atividade de que gosta. Para o filho, então, vale muito mais ter uma mãe que trabalha, realizada e feliz, que uma mãe que fica com ela o tempo todo mas é frustrada, infeliz e dependente.

O trabalho dos pais, hoje, é motivo de orgulho para os filhos. Antigamente, ocorria o contrário. Dois estigmas pendiam sobre as crianças: o da mãe que trabalhava, pois significava que a família era pobre e precisava de duas rendas, e o dos pais separados. As crianças que viviam essas situações sofriam preconceitos e se sentiam diferentes do grupo. Hoje, o divórcio é uma situação normal, assim como o trabalho das mães. “É mais comum o contrário: se a mulher não trabalha, o filho vai querer saber o que há de errado com ela”, diz Ceres. As crianças se orgulham do trabalho dos pais, gostam de saber o que ocorre no escritório, perguntam, têm curiosidade.

Esse orgulho é um dos maiores presentes que os pais podem dar aos filhos. Sem perceber isso, muitos pais dizem a eles que vão trabalhar porque precisam. Melhor seria dizer, também, que vão trabalhar porque gostam, porque é legal. E que, um dia, ele também vai crescer e ter um trabalho bacana. O orgulho dos pais acaba se transformando em referência para as crianças. Como em todas as outras coisas, eles são seu modelo. Um pai que dá banho, troca fralda e faz o jantar mostra para os filhos que é normal para um homem realizar essas tarefas. Da mesma forma, a mãe que trabalha mostra para a filha que as mulheres também são responsáveis pelo sustento da casa; o mesmo vale para os meninos. “A gente observa que os filhos de mães que trabalham se tornam companheiros muito mais colaborativos quando crescem”, diz Ceres. Os pais dão o exemplo; as crianças ganham modelos que vão orientá-las para o resto da vida.

 Existe ainda outra vantagem. Se você trabalha fora, a tendência é que se preocupe com o que realmente importa. Quando as mulheres começaram a ter empregos, a culpa era muito, muito grande, ainda maior que hoje. Isso resultou em mães permissivas, que não conseguiam dizer “não” aos filhos ao fim do dia. De lá pra cá, a situação melhorou muito. A culpa existe, mas não impede que os pais imponham limites às crianças. Por outro lado, se você passa menos tempo com os filhos, a tendência é que se preocupe apenas com os hábitos mais relevantes. Você entende a importância da flexibilidade e sabe que de vez em quando não tem problema ele ficar acordado até mais tarde ou tomar um sorvete.

Desde que não sejam hábitos diários, tudo bem. Para seu filho, o resultado é uma mãe menos focada em detalhes, que se preocupa com o que é importante e não vai brigar por coisas à toa. A criança não precisa ficar do seu lado o tempo todo para ser feliz. Ao longo da história, mesmo com as mulheres trabalhando em casa, os filhos não passavam o dia grudados em suas saias. Eles corriam e brincavam ao ar livre, sendo cuidados por toda a comunidade. “Criança precisa de criança”, diz Ceres. Precisa brincar, correr, fazer amigos, desenvolver suas próprias habilidades e interesses. Ela tem mais chances de fazer isso se não passa o dia inteiro grudada na barra da saia da mãe.

Isso não significa que dá para ser uma mãe virtual, que mal está presente. “Se a mulher sai antes da criança acordar e volta depois que ela dormiu, não vejo benefício”, diz a terapeuta de família Magdalena Ramos. Claro que é legal conversar com o filho por telefone, matar a saudade durante o dia, mas isso não pode ser tudo. É importante tocar, abraçar, brincar. “Quando está com a criança, a mãe deve estar inteira. Corra, ria, se jogue no chão”, diz a terapeuta de família Magdalena Ramos. De nada adianta ficar assistindo à novela enquanto ele brinca sozinho no quarto.

A vida é feita de fases. Nos primeiros anos, seu filho vai exigir mais a sua presença, precisar de cuidados constantes. Talvez essa não seja a melhor hora para iniciar uma pós-graduação, um MBA ou aceitar um emprego que exija muitas viagens. E isso vale também para o marido, que, afinal, está mais presente na família. Depois de alguns anos, as crianças vão entrar na escola e ficar mais independentes. Aí é hora de voltar a investir pesado na carreira.

Mesmo sabendo de tudo isso, as mulheres podem balançar. Isso porque as crianças mostram, de todas as maneiras, que preferiam que os pais estivessem em casa. Elas reclamam. E são espertas, vão reclamar daquilo que sabem que vai magoar. Se ela percebe que você se sente culpada por deixá-la, é exatamente nessa tecla que ela vai bater. Portanto, se você se sentir mais segura ao sair, vai passar esse sentimento para o filho, que ficará mais tranqüilo. Claro que um emprego flexível, que permitisse a você controlar seus horários, ajudaria bastante.

A correria seria menos intensa. Essa questão, e as mudanças que já estão ocorrendo, são discutidas na próxima reportagem. Mesmo sem elas, porém, você pode se sentir segura. Pense em todas as coisas para as quais arruma tempo. A lista é extensa, não? Isso porque a mãe que trabalha tem muitos interesses.

Nenhum papel a limita ou define. Para a criança, essa mãe poderosa, capaz de dar conta de tantas coisas, é uma heroína. Um modelo que vale a pena ser seguido. Por isso, não se preocupe em dar conta de conciliar trabalho e filhos: você já faz isso.





Complicada e perfeitinha: como lidar com as dificuldades do dia-a-dia das mulheres

25 10 2009

Você vive se cobrando e, vira e mexe, acha que não é uma boa mãe, que deveria dar mais atenção às crianças, à casa, ao marido? Saiba que não é a única.

Fonte: http://revistacrescer.globo.com - outubro de 2009, edição 191.

Por Tamara Foresti

0,,14998691,00

Eu sou a pior mãe do mundo.” Quantas vezes você já se martirizou com esse pensamento? Você faz o melhor para os seus filhos, mas se culpa por ter demorado para trocar a fralda do bebê ou porque não colocou um casaco na mochila da filha. Enquanto observa as outras mães, sempre organizadas e sorridentes, se pergunta se vai dar conta da maternidade. Será que é só você que não tem tudo sob controle?

Definitivamente, você não está sozinha nesse barco. Muitas mulheres amam os filhos, mas não se sentem completamente felizes com a maternidade. Nesse quadro se encaixam as americanas Trisha Ashworth e Amy Nobile, que fizeram mais de 100 entrevistas para escrever Eu Era Uma Ótima Mãe Até Ter Filhos (Ed. Sextante). O livro conta a história de mães possíveis, dando conselhos bem-humorados de como superar as dificuldades do dia-a-dia. Veja trechos da nossa conversa com as autoras, que analisam o que é ser mãe hoje:

 ESCOLHAS

Um dos maiores desafios da mãe moderna é ter muitas opções, todas acompanhadas de uma pressão imensa em fazer a escolha certa. Se decidimos e nos arrependemos, vem a culpa. Crescemos achando que queremos e podemos fazer tudo. Por causa disso, nossas expectativas são altas demais. Pessoalmente, fizemos escolhas duras (Amy continuou trabalhando depois de ter filhos e Trisha optou por ser mãe em tempo integral), muito mais difíceis do que imaginávamos.

A CULPA


Culpa é o resultado das expectativas inatingíveis. Ela aparece quando não fazemos perfeitamente tudo o que planejamos. Precisamos alinhar nossas expectativas com a realidade. Uma vez feito isso, aprendemos a fazer escolhas conscientes e convivemos em paz com elas. Assim, deixamos a culpa de lado e paramos de nos comparar com outras mães. A primeira coisa para exorcizar esse fantasma é lembrar que não existe uma mãe perfeita. Em nossa cabeça, criamos um modelo materno cheio de atividades que achamos que deveríamos fazer e, para a maioria das mulheres, ele é irreal. Deveríamos sentar e pensar nas nossas expectativas, procurando priorizar algumas e deletar outras. Só assim começamos a fazer as melhores escolhas para a família.

 

0,,14998656,00 

Quem são as autoras Trisha  fazia propagandas para a TV até o nascimento dos filhos. É casada há 15 anos e mãe de Alexandra, de 8, Pierce, de 6, e Julia, de 4. Amy, casada há 10 anos, é relações públicas. Além de brincar com os filhos, Sam, de 5, e Emily, de 4, adora sair com as amigas

 

 

HUMOR E HUMILDADE

O primeiro passo para aprender a amar a maternidade o tanto quanto amamos nossos filhos é sermos honestas, conversando abertamente sobre nossos problemas com outras mães. Acreditamos que manter o senso de humor e humildade é importante – estamos todas juntas nesse barco e, se pudermos rir dos nossos escorregões e triunfos, o caminho vai ser mais gostoso. Muitas vezes ficamos obcecadas em planejar o futuro ou lamentar o que poderíamos ter feito de diferente no passado. Aprender a viver o aqui e o agora é melhor para a família toda. Uma mãe nos disse que 10 minutos dançando com seus filhos de manhã aumentava o astral do dia inteiro. Esse é um exemplo de como uma atividade simples pode transformar a rotina.

O CASAMENTO

Após o nascimento, as crianças passam a ser a prioridade da vida. Queremos que os maridos leiam nossas mentes e saibam, por intuição, quando precisamos de ajuda e quando devem ser proativos. Entrevistamos vários homens que disseram que fariam qualquer coisa pelas esposas, mas precisavam de um manual para saber como se portar.

CRIANDO FILHAS

Para criar as mães do futuro livres de culpa, precisamos ficar de olho no nosso comportamento. As meninas observam o jeito como nos tratamos. Se colocarmos sempre os outros na nossa frente, a ponto de nunca termos tempo para nós mesmas, é assim que elas serão quando crescerem. Mas se conviverem com uma mulher que se ama, se cuida e aproveita a vida, é isso que aprenderão. Nem todas as mulheres nascem sabendo ser mães. Esse é um dos maiores preconceitos (e expectativas) que criamos. Nem sempre temos instinto materno ou sabemos o que fazer. Na verdade, muitas das habilidades que tínhamos antes dos filhos não valem para a maternidade! Precisamos aprender a ser mães, o que é surpreendente e frustrante. Saber que muitas mulheres também sofrem com isso é um alívio.

SER MULHER

Não somos a mesma pessoa que éramos antes dos filhos. A chave para descobrir o nosso novo “eu” é lembrar que, além de mães, somos mulheres. Para sermos felizes com a maternidade, não podemos esquecer de nós mesmas, nos priorizando de vez em quando. Não se culpe por isso, pois é saudável para a família toda. Queremos que nossos filhos sejam felizes e, um dia, bons pais. Por isso, precisamos dar o exemplo.





Sucesso na carreira é sinônimo de solidão?

25 10 2009

CB026187

Cada uma na sua área, estas mulheres chegaram ao topo. São respeitadas pelas empresas, lideram equipes e, quase sempre, ganham mais que o marido. Descobriram, porém, que tantas conquistas podem custar caro. Numa conversa franca, elas discutem as ciladas da ascensão profissional e os truques para não cair nelas

Por Sibelle Pedral | fotos Fabio Heizenreder

Fonte: http://claudia.abril.com.br/materias/1779/?pagina1&sh=28&cnl=24&sc=

Agosto de 2004.

 

 

Depois de semanas negociando agendas carregadas, conseguimos reunir um timaço para discutir um tema que ainda é tabu: o quociente de solidão de executivas poderosas.

Cristiane Almeida, 43 anos, divorciada, é mãe de um garoto de 9. Formou-se médica fisiatra e coordena o Centro de Reabilitação do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Eneida Bini, 45 anos, casada, um filho de 17 anos, ex-presidente da Avon no Brasil, dirige hoje a Herbalife, multinacional de suplementos alimentares.

Vânia Curiati, 35, casada, tem gêmeos de 7 anos e uma menina de 4. É diretora de softwares da IBM no Brasil.

Beth Meger, 44, separada, tem dois filhos, um de 22 anos e outro de 5 meses. Ela criou e comanda a NS&A, agência que cuida da intermediação de negócios em publicidade.

Rosi de Castro, 38, casada, um garoto de 8 anos, é diretora administrativa da Bamberg, consultoria de imóveis de alto padrão em São Paulo.

Atuando como mediadora ao lado de CLAUDIA, a psicóloga Valéria Meirelles, que organiza workshops sobre mulher, carreira e vida pessoal.

CLÁUDIA: Foi preciso fazer renúncias para chegar aonde vocês chegaram?

 Eneida: Minha maior renúncia foi o tempo que não pude dedicar ao meu filho. Até ele completar 8 anos, cumpri muito bem o meu papel de mãe. Ainda era supervisora, executava as minhas tarefas e ia cedo para casa. Tirava férias de 30 dias! Quando assumi mais responsabilidades como diretora, acabaram-se as férias longas e passei a trabalhar após o expediente. Aí mudou a forma de me relacionar com a família. Felizmente, não houve ruptura: o César já tinha os amigos da escola, se preocupava com outras coisas. 

Rosi: Praticamente não tive licença-maternidade. Vinte dias depois da cesárea, estava na empresa com o bebê no moisés. Antes de completar 3 meses, ele já ficava dez horas por dia num berçário. Hoje me arrependo: perdi um momento importante da história do meu filho. 

Beth: Por causa da carreira, adiei muito a maternidade. Além de trabalhar sem parar, viajava demais. O resultado é que me tornei mãe só agora, aos 44 anos, depois de encerrar o segundo casamento, que durou mais de 20 anos – apesar de ter adotado o Ricardo, um garoto de 9 anos que certa manhã encontrei dormindo na porta da minha empresa. O fim daquela relação me fez repensar meus valores e quis ser mãe. Cheguei a procurar um banco de esperma, mas desisti quando o geneticista alertou que não podia dar nenhuma garantia sobre o caráter do bebê. Nessa época, numa viagem de trabalho, uma pessoa que eu conhecia havia muito tempo disse que gostaria de me dar um filho. Eu já conhecia bem o caráter dele. Fizemos uma viagem e voltei grávida.

 Valéria: Em nenhum momento você pensou em conciliar as duas coisas, o filho e a carreira?

 Beth: Em todos os momentos pensei nisso, mas meu marido não queria. Então, como na época a carreira supria as minhas necessidades de felicidade, eu me alimentava dela.

CLAUDIA:Tantas renúncias na vida pessoal não deixaram um gosto amargo? Sucesso pode ser sinônimo de solidão?

Rosi: Acho que sim. Na verdade, tem menos a ver com as renúncias e mais com o fato de não encontrar ninguém com quem dividir decisões. Já contei histórias da empresa para meu marido e ouvi críticas à minha atitude. No setor empresarial, você vai subindo e fazendo inimigos naturalmente. A tendência é ficar só e limitar a convivência às pessoas em quem realmente confia, ou seja, a família. Se nem na família existe apoio, tenho um problema.

 Beth: Nossa convivência fica restrita, o que pode causar solidão. Até dois anos atrás, por exemplo, não comemorava meu aniversário com festa. Minha grande dúvida era: as pessoas virão porque gostam de mim ou simplesmente porque sou a chefe? Outro momento de solidão vinculado à ascensão profissional é o final de semana. Você não tem para quem ligar, porque não sobrou espaço para amigos fora do trabalho.

 Vânia: Isso para mim é prioridade – e uma questão de disciplina. Pelo menos uma vez por mês, saio para jantar com os amigos da faculdade. Faço três horas de almoço para encontrar uma pessoa querida. Em contrapartida, se um dia for preciso trabalhar 15 horas seguidas, a empresa sabe que pode contar comigo.

 Eneida: Para mim a solidão aparece no momento das grandes decisões. Não posso compartilhar meus pontos de vista com muitas pessoas nem buscar opiniões diferentes. Por outro lado, amadurecemos à medida que a carreira progride. Procurei não me isolar nesse processo: fui aprendendo com as pessoas, me aproximando delas. Quando eu estava em plena ascensão, tinha que me empenhar tanto que aí, sim, me distanciava dos outros. Para mim, a solidão foi muito maior no começo.

 Valéria: É possível sair da solidão e administrar bem o estar sozinha. São coisas muito diferentes…

 Cristiane: Outro dia, li isso num livro budista. A solidão é a ausência do outro. Já a solitude é sentir-se feliz simplesmente por estar consigo mesma. A maturidade traz essa capacidade de ver a vida com outros olhos.

 CLAUDIA: Qual o papel dos maridos no sucesso profissional de vocês?

 Eneida: O meu é um “maridaço”. Se não fosse ele, acho que não teria feito nem metade do que consegui fazer. O Paulo já estava no nível gerencial quando entrei na Avon. Aí vieram as promoções e meu salário se aproximou do dele. Há um momento em que o homem começa a ficar um pouco inseguro, como se tivesse que ganhar mais sempre. Mas meu marido me apoiou o tempo todo, eventualmente cuidando do filho, ajudando no supermercado…

 Cristiane: Meu ex é uma das melhores pessoas que conheci na vida. O problema é que ele é um grande sonhador e eu sempre fui uma pessoa prática. A situação degringolou depois que fiz especialização em trauma de crânio nos Estados Unidos. Como é uma área que pouca gente estuda, na volta comecei a me projetar na profissão. Ele passou a implicar com o fato de eu trabalhar demais, e as coisas ficaram difíceis.

 Beth: Minha primeira separação tem uma história parecida: um marido sonhador, e eu numa situação de ascensão, inclusive salarial. Quando eu tinha uma reunião ou viagem, ele fazia um escândalo. A certa altura, precisei optar entre a relação amorosa e o trabalho. Escolhi o trabalho.

Rosi: Todas nós temos o sonho de encontrar uma pessoa que queira crescer com a gente, criar filhos. Mas isso é difícil. Muitos homens acham que a carreira deles vem em primeiro lugar. Se a mulher é forte e bem-sucedida, pensam: “Já não sou o primeiro na vida dela, tem a carreira”.

 Vânia: Sempre tive muito apoio. Este ano, pela primeira vez, não pude ir à festa de Dia das Mães da escola dos meus filhos. Meu marido me disse: “Não tem problema. Deixa que eu vou, mesmo que tenha que me vestir de mulher”. Era o único homem.

 CLAUDIA: Os filhos são os maiores afetados pela dedicação à carreira?

 Vânia: Os meus levam numa boa. Sabem que eu gosto do meu trabalho. Mas é claro que eu faço lição pelo telefone e o fim de semana é deles.

 Eneida: Uma vez disse para o meu filho: “Você gostaria que a mamãe parasse de trabalhar e ficasse com você em casa?” Ele tinha uns 12 anos e me respondeu: “Ficou louca? Imagine, o que você iria fazer aqui dentro?” É um menino ótimo, de cabeça boa, ajustado. Agora que está na Austrália, estudando, me preocupo com a solidão do meu marido. Trabalho até tarde e não estou em casa quando ele chega.

 Cristiane: Se meu filho me liga a qualquer momento e diz que precisa de mim, largo tudo na hora para atendê-lo. Ele sabe que é a coisa mais importante da minha vida.

 CLAUDIA: Se fosse preciso deixar cair um dos pratinhos que a gente equilibra – os filhos, o trabalho, o relacionamento amoroso e outros mais -, qual vocês escolheriam?

 Cristiane: Deixei cair o da relação. E hoje acho que foi uma coisa boa. Meu marido está melhor, encontrou seu espaço. E eu me vi inteira para cuidar do meu filho.

 Eneida: Para mim, é o do trabalho. Se acontecer alguma coisa com o atual emprego, arrumo outro. Com a família, é bem mais complicado. As pessoas acham que, quando atingimos um determinado patamar profissional, a carreira se torna tudo na vida. Não é verdade. Meu trabalho pode ou não durar muito tempo e, no final, quero olhar para trás e encontrar a família, os amigos, a saúde em dia.

 Beth: A família é importante, mas não posso dizer simplesmente que deixo cair o pratinho do trabalho. A empresa é minha. Vários empregos dependem de mim. Se eu fechar a porta, prejudico muita gente.

 Valéria: A escritora e feminista Rosiska Darcy de Oliveira afirmou certa vez que a mulher, ao entrar no mercado de trabalho, fez um acordo secreto: ao empregador, prometeu que ele não perceberia que ela tem família; à família, que nem sequer notariam que ela tem um emprego. Pelo visto, não é bem verdade…

 Vânia: Se for verdade, devemos virar esse jogo. As empresas precisam aceitar que a mulher tenha uma família e criar condições flexíveis para que ela cresça na carreira. A culpa também é das mulheres, que insistem em tentar se adaptar mesmo que a empresa não mostre nenhum jogo de cintura. Na minha, procuramos conciliar as coisas. Um dia, cheguei tarde para uma reunião com o presidente porque tinha ido à festa de final de ano dos meus filhos na escola. Todos estavam me esperando. Como sabiam o porquê do meu atraso, alguns tentaram fazer gracinhas. Cortei na hora: “Estou vindo da festinha das crianças”. Nos sentamos e a reunião começou.

 CLAUDIA: Vocês têm truques para afastar a solidão?

 Eneida: Mesmo que você não tenha tempo para sair, o que custa pegar o telefone e ligar para alguém? Ontem, fiquei uma hora e meia parada no trânsito. Liguei para minha mãe, falei com duas amigas… Não perco o contato com as pessoas.

 Beth: Não sou de sair com amigos, mas não esqueço aniversário de ninguém. Não deixo passar batido. Outra estratégia é sempre encontrar um tempo quando alguém me procura para conversar. Minha agenda pode estar cheia, mas paro e ouço.

 CLAUDIA: Que conselho vocês dariam às mulheres que estão batalhando para subir na carreira talvez sem imaginar que triunfo não é necessariamente sinônimo de bem-estar?

 Rosi: Acho que elas devem se valorizar e repetir sempre: “Eu mereço”.

 Vânia: Elas precisam acreditar em sua força interior.

 Beth: Tudo na vida tem seu ônus. Todas terão que fazer escolhas. Então, é pesar os prós e os contras e seguir em frente. Quando a gente muda de emprego para ganhar mais, não sabe se os novos colegas vão nos respeitar tanto quanto os do trabalho anterior. O importante é ter foco e saber o que se quer conquistar.

 Eneida: É isso. E não se sujeitar a situações que as façam infelizes só em nome da carreira ou do dinheiro.

 Cristiane: Só quero lembrar que sucesso na carreira não é sinônimo de felicidade. Você pode ter a admiração dos colegas e não ser feliz.





Afinal, até onde as mulheres querem chegar na carreira?

15 10 2009

O preço que estamos… ou não estamos dispostas a pagar pelo topo.

Por: Iracy Paulina.

Reportagem de Liliane Simeão, Revista Cláudia, outubro de 2005.

DBU011  Ótimos salários, cargos de prestígio, benefícios e.. muitas horas extras são os prêmios de algumas executivas. Boa parte das mulheres, porém, tende a repensar suas metas e não apenas por buscar uma rotina mais tranquila.

Um estudo da Catalyst, organização americana que faz pesquisas sobre a participação feminina no mercado de trabalho, mostrou que uma das pedras no caminho das mulheres rumo aos cargos de comando é a dificuldade encontrada para incorporar uma jornada muito extensa. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão ao detectar que uma em cada três americanas com título em MBA não estava empregada em período integral, enquanto a proporção masculina era de um para 20. Com a experiência de quem já provou o gostinho do topo quando era presidente de uma indústria de embalagens metálicas, em São Paulo, a administradora de empresas Ana teresa Meireles, 45 anos, corre dessa tendência: sempre aceitou numa boa o trabalho em período integral. Messmo assim, ela resolveu dar uma guinada profissional. “Somos formados por várias facetas e, a cada momento, uma toma dianteira, ganha prioridade. Cumpri uma etapa importante e decidi que já era hora de ter mais liberdade de escolher os projetos que realmente queria tocar. A sabedoria está em não nos tornarmos refém de uma parte de nossas vidas, seja ela a carreira, os filhos, o casamento, o social, o status ou poder”, observa a administradora, que atualmente comanda a própria consultoria, a Focus.

Um executivo competente, segundo Ana teresa, não pode ser obsessivo, precisa ter uma mente aberta e receptiva. Ela cultiva o relacionamento com os amigos, viaja com a família de férias, dedica-se à corrida quase diariamente, curte os filmes que adora, saboreia a leitura de um bom livro, exercita o prazer da escrita. “Essas coisas são como alimentos vitais para mim”, explica Ana, que não se arrepende nem um pouco de ter deixado a presidência de uma grande empresa.

HOMENS SÃO MAIS COMPETITIVOS?

De acordo com uma pesquisa recente feita na Universidade de Pittsburgh, Estados Unidos, o apetite feminino pela competição é menor que o masculino. No experimento, homens e mulheres tinham que fazer o máximo de contas possível no prazo de cinco minutos. Os pesquisadores notaram que, mesmo se saindo bem sozinhas, elas evitaram as rodadas em que os grupos competiam entre si, o que não ocorria com os homens. Há quem defenda essa diferença seria inata e explicaria o fato de eles encararem a hierarquia corporativa como um ringue de luta, enquanto nós pisaríamos mais manso nesse terreno. Para a socióloga Clara Araújo, da Universidade Estadual do RJ, isso é bobagem. “As diferenças de expectativa são fruto da socialização. Com o avanço feminino no mercado de trabalho, mulheres bem sucedidas provavelmente são tão ambiciosas quanto os homens.”

Como gerente de RH da América Latina da unidade de negócios Health-care da General Eletric, a psicóloga Sandra Rodrigues, 39 anos, acredita que já chegou onde desejava. “Poderia ir mais longe, pois tenho talento e a GE investe nos colaboradores”, diz. Não faltaram oportunidades. A última aconteceu meses atrás, quando foi convidada a participar de um processo seletivo dentro da própria GE. “Teria que ficar muito tempo fora do Brasil”, explica. Estava aí um ônus com o qual ela não se dispunha a arcar. Desarranjaria toda a vida doméstica. “Quero acompanhar o desenvolvimento dos meus filhos. Por isso, não aceitaria um cargo que implicasse um volume muito grande de viagens, reuniões e encontros de negócios, restringindo assim os momentos de convivência com as crianças.” No atual posto desde 1999, ela chega a trablhar por volta das 9 horas, porque faz questão de tomar café da manhã todos os dias com os pequenos. Não sai depois das 8 da noite, por acreditar que o excesso de carga horária prejudica o rendimento. Quando é possível, nem vai à empresa, já que montou um home office e resolve os problemas em casa. Mas é sobretudo a sua função que a faz feliz. “Gosto de ajudar as pessoas a crescer, indicando cursos e orientando sobre posturas.”

Claro que existem muitas mulheres que entraram para valer na batalha pela liderança, como demonstra um levantamento feito desde 1994 pelo Grupo Catho, consultoria em RH de São Paulo. No primeiro ano da pesquisa, o porcentual de mulheres ocupando o topo da hierarquia nas empresas era de apenas 8% – número que dobrou em uma década. O mesmo estudo mostra, porém, que elas têm suas preferências: o último levantamento apontou que as áreas com maior número de executivas são as de recursos humanos (62%), relações públicas (57%) e administração (39%). Já aquelas que menos atraem as mulheres são as de processamento de dados (16%) e a industrial/engenharia (12%).

Postos avançados – Pesquisa do GRupo Catho, feita entre 2004/2005, mostra o porcentual de executivas em cargos-chave de 60 mil empresas:

Vice-presidente: 15%

Presidente: 16%

Diretoria: 21%

Gerente: 25%

Chefe: 34%

Supervisora: 37%

Coordenadora: 47%

Empregada: 48%





Trabalho e filhos, como conciliar?

2 11 2008

Cristiane Sinatura

654_2.jpg

Os tempos realmente são outros. Hoje as mulheres não mais limitam suas atividades às paredes de casa. Desde meados do século XX, elas começaram a sair para o mundo e hoje já têm um espaço definitivamente consolidado num meio antes dominado por homens.

Mas as mulheres modernas continuam empenhadas numa tarefa antiga: a de criar os filhos. Como conciliar, então, a atuação no mercado de trabalho com o papel de mãe? A resposta pode ser encontrada nas escolas de educação infantil.

“Muitas vezes, as famílias não cogitam contratar babás, por uma questão de confiança”, explica a psicóloga Maria Rocha, da Escola de Educação Infantil Ápice, na zona Sul de São Paulo. “Entretanto, nem sempre as mães estão dispostas a abrir mão de suas carreiras. Nesses casos, a escola é uma saída tão viável quanto saudável”.

Foi o caso de Carla Cristina de Barros. O filho Matheus, hoje com um ano e oito meses, está matriculado no berçário da Escola Ápice desde os quatro meses, em meio período. Na outra metade do dia, ele fica com os avós. Carla acredita que a escola seja importante para o desenvolvimento dos pequenos. “Em comparação a crianças que ficam em casa, acredito que meu filho tem crescido mais rápido”, explica a mamãe.

Apesar da angústia inicial, Carla diz que tanto ela quanto Matheus se ajustaram bem à experiência. Agora, mãe e filho enfrentam novo período de adaptação: Matheus está indo para o mini-maternal. “Mas ele é muito extrovertido e isso facilita o processo. Estou com o coração tranqüilo”, desabafa Carla.

Já Patrícia Aparecida Mello não se adaptou muito bem à experiência. Ela encaminhou à Ápice a pequena Giovanna, de quatro meses. “Ela passava 12 horas na escola, enquanto eu trabalhava”, conta a mãe. “No início, a separação me deixou angustiada. Quando passei a me sentir mais tranqüila, percebi que a Giovanna precisa também de convívio familiar”.

Quatro meses depois, a pequena voltou a passar os dias inteiros em casa. “Parei de trabalhar para ficar mais tempo com a minha filha, hoje com onze meses. Mas pretendo voltar a trabalhar ainda, em algum emprego que me permita ficar um pouco em casa”.

O ideal é que a criança pequena (em torno de dois anos) não passe o dia todo na escola. Deve haver uma ponderação harmoniosa, uma vez que os pais também precisam fazer parte da criação dos filhos. “É natural que a escola tenha mais tempo no processo de desenvolvimento infantil, mas os pais não podem simplesmente transferir para os educadores a formação moral de seus filhos”, expõe a psicóloga Maria Rocha.

Os cuidados dos pais
Enquanto os pais ficam responsáveis pela criação dentro de casa, a escola, por sua vez, precisa seguir uma série de cuidados especiais ao lidar com bebês e crianças pequenas. Espaços adequados para o sono, o banho, a alimentação; equipe especializada; condições de higiene impecáveis. Esses são apenas alguns dos fatores indispensáveis de que as escolas infantis precisam dispor.

“É importante ter em mente que cada criança precisa de um trato individualizado. Como elas ainda são muito pequenas, cada uma tem hábitos muito diferentes, principalmente os alimentares”, explica Maria. A psicóloga ainda frisa a importância de acompanhamento pediátrico tanto em casa como na escola. “As recomendações do médico devem ser seguidas à risca”.

Mas, antes de confiar os pequenos aos tratos da escola, os pais precisam estar atentos. É imprescindível que haja uma relação de confiança entre família e escola. “Os pais têm o direito de conhecer os procedimentos da escola, as condições de espaço e higiene, a maneira como as crianças são cuidadas”, enfatiza Maria. “A parceria e a comunicação entre pais e educadores fazem parte do desenvolvimento saudável das crianças”.

Nem sempre a família recorre às escolas apenas por não ter com quem deixar a criança pequena. Às vezes, os pais acreditam que os pequenos precisam de socialização desde cedo, do contato com outras crianças. “O espaço também é um grande atrativo para os pais, principalmente aqueles que moram em apartamentos e não querem que seus filhos fiquem muito tempo fechados em lugares pequenos”, conta a psicóloga.

Tanto Patrícia quanto Carla foram mães muito criteriosas no momento da escolha. Elas contam que visitaram diversas escolas antes da decisão final. Espaço físico, organização, alimentação, segurança, higiene, proposta e localização da escola são alguns dos fatores determinantes citados pelas mamães.

Os prós e os contras
A psicóloga Maria acredita que a escola realmente tenha muito a oferecer às crianças pequenas cujos pais trabalham fora de casa. “É importante ressaltar que a função da escola não é apenas vigiar a criança. Os educadores também são responsáveis por desenvolver os processos de aprendizagem dos pequenos, em parceria com familiares”, explica Maria Rocha.

Ela cita como exemplo bem sucedido os modelos de ensino adotados em países ricos como o Japão. “Lá as crianças têm um horário escolar fixo desde muito pequenas, das 8h às 16h”.

Contudo, há ressalvas. Alguns pediatras não recomendam a iniciação escolar precoce. Bebês ainda não possuem sistema imunológico totalmente desenvolvido, apresentando-se ainda muito frágil a doenças. Dessa forma, o contato com outras crianças pode ser um canal de contaminação perigoso, a despeito de todas as precauções em relação à higiene.

Todos os fatores devem pesar na escolha dos pais – recorrer às escolas infantis ou abrir mão da carreira? Caso seja dada preferência à primeira opção, confiança é a palavra de ordem. “Não é fácil para os pais abrirem mão da participação integral no crescimento dos filhos. Nada mais recomendável do que dividir a tarefa com alguém confiável”, finaliza Maria.





Mulheres Cuidam melhor da Carreira

24 10 2008

Em geral, as mulheres desempenham mais eficientemente do que os homens o seu papel numa rede de contatos, a chamada networking. Uma das razões é que, em atividades coletivas, as mulheres são mais organizadas. E, também, porque compreendem claramente quais atitudes são mais positivas. Apenas para efeito de reflexão, vamos listar algumas dessas atitudes:

Acessibilidade – é mais fácil para uma mulher conseguir acesso ou estabelecer contato com uma outra mulher do que com um homem.
Humildade – uma mulher tende a compreender outra mulher; o homem tende a ser apenas condescendente com uma mulher.
Dominação – a relação entre homem e mulher tende a ser de dominação, especialmente por parte dele, porque os homens se sentem mais facilmente ameaçados e se protegem tentando dominar, em parte também porque em número o masculino costuma prevalecer no mercado.
Objetividade – essa qualidade feminina encontra oposição na franqueza rude que os homens em geral preferem.
Sensibilidade – as mulheres em geral respondem melhor às nuanças entre empatia e simpatia. São mais preparadas para colaborar, dar e receber informações e demonstrar interesse.

No fundo, o que está em debate é simplesmente uma questão: porque uma pessoa (homem ou mulher) se relaciona ou não se relaciona com outras pessoas? Quem alcança a sua própria resposta, certamente fará um bom networking. Porque a resposta está no entendimento de si mesmo, dos padrões de reação, da personalidade e do temperamento.

A despeito de oportunidades iguais, as diferenças inerentes aos sexos são claras e fundamentais:

*Dois terços dos homens agem movidos pela racionalidade, e acham que a emoção distorce ou diminui a qualidade das decisões; dois terços das mulheres agem movidas pela sensibilidade, sob um ponto de vista mais emocional que não deixa enxergar as coisas somente como verdades absolutas e imutáveis.
*Outra diferença: os homens são motivados pela competitividade, que se manifesta na tentativa de controlar o ambiente; as mulheres pela segurança, que se manifesta na forma em que a maioria das mulheres procura conviver, com base em colaboração, harmonia, adaptação e comunidade.
Evidentemente que se fala em tendência, aqui; é uma generalização com propósito de discussão, até porque a tipologia biológica de uma pessoa tem peso, mas não é a única determinante do nosso destino.
Networking, como atividade coletiva, deve ser encarado como uma reunião de pessoas que querem ser amigas e obter benefícios dessa amizade, especialmente para fins profissionais. Para isso essas pessoas tentam minimizar as naturais diferenças – apesar de todas as pressões sociais – para chegar a um consenso, evitando qualquer aparência de superioridade. Dentro do networking, compreensão é palavra-chave.

AS MULHERES NO TRABALHO
No mercado de trabalho, a presença das mulheres tem sido tão ascendente em número e em expressividade no Brasil dos últimos anos, que as principais Associações Comerciais e Industriais do país criaram os seus Grupos da Mulher Empresária.
Embora no Brasil apenas 3,5% dos cargos executivos sejam ocupados por mulheres nos 300 maiores grupos privados, o fato mundial é outro: são mulheres que ocupam a presidência de aproximadamente 10% das maiores empresas privadas do mundo, segundo a revista Fortune 500. Uma das razões, dizem os analistas, é que mulheres executivas são mais objetivas do que os homens. Entre outras coisas, começam e terminam as reuniões na hora.
Vamos ver: um terço de todas as reuniões são absoluta perda de tempo. Além disso, um executivo passa quase metade do seu dia de trabalho preparando reuniões, participando de reuniões, pensando na próxima reunião ou avaliando como foi a última reunião. Quanto tempo soma o total desse envolvimento?
No entanto, as mulheres recebem salários menores do que os homens. No Brasil, 16,2% menos (pesquisa do Grupo Catho), e nos Estados Unidos 38% menos (pesquisa Catalyst). Talvez porque, ao mesmo tempo que as mulheres têm muitas qualidades iguais às dos homens, ainda aceitam trabalhar por menor salário.

Seja qual for a razão, é cada vez mais comum encontrar ofertas de emprego, no nível de gerência e acima, em que um requisito da vaga é pertencer ao sexo feminino.
Uma pesquisa do Grupo Catho, realizada entre 1.356 executivos, tem algumas constatações interessantes. Duas diferenças entre executivas e executivos merecem ser mencionadas aqui: a maioria das mulheres entrevistadas e a minoria dos homens entrevistados considera que o seu superior é autoritário; e as mulheres aceitam viajar, em média, somente a metade do tempo que viajam homens em funções profissionais semelhantes. As pesquisas apenas revelam a existência de determinadas situações, e não pretendemos neste artigo fazer qualquer julgamento sobre elas.
Vamos ver abaixo outros resultados dessa pesquisa. Conhecer esses resultados pode auxiliar mulheres a compreender e a fazer alguma coisa para melhorar sua carreira e sua posição no mercado de trabalho.

Satisfação geral no trabalho
A mulher, em geral, demonstra maior satisfação geral no trabalho que desempenham. A pesquisa mostra que 19,03% das mulheres consideram excelente o trabalho atual, enquanto que somente 10,66% dos homens se consideram totalmente satisfeitos.

Perspectivas de progresso
Exatamente 13,63% das mulheres entrevistadas consideram excelentes as perspectivas de progresso dentro da empresa para os próximos três anos, enquanto que apenas 8,59% dos homens pensam assim.

Clima organizacional
Para 11,31% das mulheres, o clima dentro da empresa é excelente; 7,32% dos homens, apenas, consideram isto.

Remuneração
30,78% das mulheres consideram boa ou excelente a remuneração que recebem; 22,73% dos homens consideram boa ou excelente a remuneração que recebem.

Estresse
A mulher é mais atingida pelo estresse causado pelo trabalho. Das entrevistadas, 37,01% confessaram estar submetidas a muito estresse com freqüência e 15,52% a intenso estresse continuamente; dos homens entrevistados o percentual foi de 35,23% e 7,76%, respectivamente.

SITES EXCLUSIVOS PARA MULHERES
A Internet não poderia tratar com menos deferência essas executivas que conquistam espaços mais e mais amplos do mercado profissional. Tanto que já existem alguns sites dedicados exclusivamente à mulher empresária.
Um deles é o www.womenconnect.com, para as mulheres que dominam o inglês. É um site variado, com publicação diária de artigos sobre temas políticos, reportagens específicas de assuntos do interesse da mulher executiva, espaço para “chats”, debates sobre carreira profissional da mulher executiva, negócios, finanças, e, é claro, saúde e beleza. Também não ficam de fora assuntos como a violência doméstica.
Um outro site é o www.advancingwomen.com, também em inglês, produzido e mantido pela Comunidade Internacional de Negócio e Carreira. É um site mais específico para a mulher executiva. Traz diariamente notícias veiculadas na grande imprensa sobre assuntos pertinentes, informa as empresas que contratam mulheres e ensinam como entrar em contato, oferece ferramentas de busca para a mulher empresária, mostram caminhos para entender as tendências das empresas modernas, dá aconselhamento financeiro, aproxima mulheres empresárias de outras, mantém links com entidades educacionais, também dá espaço para “chats” específicos da mulher e, é claro, também abordam a saúde e a beleza da mulher.
Em português, um dos sites disponíveis é o www.mulher.com.br. No entanto, a essência da página ainda é a luta pela conscientização da mulher, e presta poucos serviços a quem está um passo adiante.
Uma novidade dos sites é a apresentação de links para o estabelecimento de contatos com organizações internacionais que estudam a questão da mulher no mercado profissional. O acesso a esses sites permite um eficaz e abrangente networking.

“INTERNETWORKING”
A mulher que acha que os únicos lugares para estabelecer contatos profissionais importantes são coquetéis e convenções ainda não navegou o suficiente pela rede mundial. A Internet pode ser um local excelente para o networking das mulheres. Acessando determinados sites, as executivas podem se conectar a outras mulheres para bater papo e para discutir questões relacionadas ao sexo e que influenciam no trabalho. E não somente isso, mas aproveitar e até criar oportunidades para o avanço da carreira.
A rede de contatos pela Internet pode ser ainda mais proveitosa se forem contatadas as associações profissionais. Sites de busca como o Yahoo! oferecem listas de organizações e encontrar é muito fácil. Basta selecionar, no mecanismo de busca, palavras-chave como “mulher” ou “mulheres”. Essas associações são especialmente úteis porque empregadores potenciais que preferem contratar mulheres visitam mantêm com elas contato estreito.

Por: Joaquim Maria Botelho

Fonte: www.gestaodecarreira.com.br





Aliar família e profissão envolve risco…

15 09 2008

Por: Mariá Giuliese


As mulheres cresceram, evoluíram e descobriram que podiam competir no mercado de trabalho, ganhar respeito e independência, sair da tutela do homem, ter vida própria e estabelecer relações de parceria e de igualdade.

Mas, como toda evolução pressupõe frustrações e perdas, foi preciso pagar um preço. Não se trata de dúvida ou dilema entre carreira e família. Trata-se de acrescentar funções às existentes: a de filha, a de mulher e a de mãe.

Dúvidas como “é possível conciliar família e carreira?”, “do que se pode abrir mão?” e “qual é o melhor momento?” permeiam a vida das mulheres e devem ser respondidas a cada passo.

A dedicação excessiva ao trabalho e a busca desmesurada do sucesso cegam a mulher para a vida familiar e acarretam estresse, hipertensão, infarto, alcoolismo.

Por outro lado, a negação das necessidades intelectuais, de construir uma carreira, e a excessiva dedicação à família limitam, fragilizam e frustram. O crescimento implica preparar-se para administrar cada vez mais problemas. É preciso definir prioridades, fixar limites e dizer “não”.

A maternidade, por exemplo, só pode ser postergada até certa idade. Então, é preciso saber qual é o tempo de ser mãe. E, nesse caso, estar preparada para interromper temporariamente a corrida profissional. Mesmo que a interrupção não seja prolongada, é possível que ocorra demissão.

Escolher, apostar, correr o risco, administrar a realidade das diversas funções é a saída. É preciso saber qual é o tempo de ser mãe e o tempo de trabalhar.

A experiência do casamento e da maternidade é fator fundamental para o desenvolvimento da mulher e, certamente, contribui para fazer dela uma profissional melhor. Empresas e empresários deveriam saber disso.





Maternidade e Profissão

5 07 2008

Coragem. Essa é uma das palavras mais ditas de uma mãe para outra. Ainda que a dupla missão seja difícil, enfrentar as mudanças para viver a alegria da maternidade é a opção de muitas. Mas ao contrário das gerações passadas, em que a mulher tinha como papel principal ser mãe e dona-de-casa, hoje em dia, cada vez mais, a gravidez é uma escolha que vem depois do sucesso da carreira, da casa própria e do MBA. O “eu profissional” é anterior ao “eu mãe” e até ao “eu esposa”.

A redistribuição desses papéis, com a chegada da maternidade dá início aos dilema feminino. Iniciar a carreira após o nascimento dos filhos é muito difícil e pouco freqüente. Só 6% das mulheres começaram a trabalhar após a chegada dos filhos. Muitas delas tiveram filhos cedo e cursaram a faculdade durante ou depois da maternidade. A opção de começar a trabalhar com os filhos já crescidos é das mais raras e funciona melhor quando a pessoa é empreendedora, autônoma, abre negócio próprio ou vai trabalhar em empresa de familiares. O mercado corporativo atualmente é muito rigoroso e até preconceituoso, principalmente se considerarmos um currículo de mulher com filhos e sem experiência profissional. Furar a barreira de um avaliador, essa sim, é uma missão quase impossível.

Ter filhos nos dias de hoje é um anseio genuíno ou apenas fruto de pressão social. Ser mãe é um compromisso que exige muito esforço, paciência, persistência e dedicação, entre outros predicados. Quem prioriza a vida pessoal acima de tudo, dificilmente abre espaço para um filho ou acaba adiando a maternidade. Quem valoriza muito a carreira espera cada vez mais por um momento “certo” para ter filhos. Quanto maior a responsabilidade na empresa, mais a pausa pode abalar a vida profissional – ou não. Tudo depende da disposição, da tranqüilidade em relação ao próprio potencial. Mas será possível descobrir a hora apropriada para se ter filhos? Como tudo na vida, até mesmo a escolha do marido me parece muito mais uma aposta, um investimento, uma intuição, do que uma certeza. Depende do que a pessoa está valorizando naquele momento e se tem a preocupação de não deixar passar o período fértil. A fase reprodutiva da mulher é limitada e muito menos extensa do que a masculina. A idade para conceber muitas vezes não coincide com a vontade psicológica. Quantas profissionais com mais de 35 anos estão sofrendo com tratamentos porque deixaram para tomar a decisão nesse prazo último!

O envolvimento profissional define a hora de ser mãe em quase 1/3 dos casos e o adiamento do plano de ter filhos é de 5 anos, em média. A enxurrada de informações em que estamos submersas, a sensação de impermanência, o individualismo e a cultura do descartável, além de nos encontrarmos rodeadas de coisas temporárias, existe uma cobrança para que as pessoas se atualizem constantemente. O fato da mulher precisar se reconfigurar constantemente, gera um enorme stress.

Num especial da revista Cláudia, de 1 de Abril de 2006, chamou a atenção a reportagem: “Acredite: a maternidade pode impulsionar sua carreira”. Nela, consultoras de RH apontaram várias vantagens de mãe profissional. Veja:

Tolerância: mãe tem paciência e tolerância para aceitar que as situações não são exatamente como se espera e sabe que não dá pra ter tudo sob controle. No contato com as próprias limitações e com as das crianças, fica menos rígida nas relações e aceita melhor as limitações de cada um.

Organização: Depois da chegada dos filhos, aumentam tarefas e responsabilidades. É preciso priorizar as tarefas e organizar-se.

Concentração e foco: Como o tempo é precioso, a ordem é concentrar-se e focar as prioridades, ou seja, fazer o dia render.

Flexibilidade: Além da capacidade de lidar com imprevistos, a mãe costuma ter jogo de cintura para encontrar soluções. Adapta-se a novas exigências e novos cenários com facilidade.

Versatilidade: As múltiplas funções do dia-a-dia (mãe, esposa, profissional) geram habilidade para trocar de assunto ou tarefa rapidamente e transitar com desenvoltura por várias áreas e atividades.

Negociação: Convencer as crianças a tomar banho ou ensinar o dever exige habilidade de negociação, ponto valorizado pelas empresas.

Capacidade de delegar: Já que não dá pra resolver tudo sozinha, é inevitável delegar alguém os cuidados com os pequenos em pelo menos parte do dia. Saber delegar se traduz em não sobrecarregar e ainda valorizar os outros da equipe.

Observação: Capacidade de observar e compreender o que significa cada choro do bebê é um talento que se adquire. E a percepção aguçada pode ser trunfo na vida profissional.

Comunicação: Para educar bem os filhos, é preciso lançar mão da comunicação. Dar feedbacks à equipe fica mais fácil depois de exercitar essa habilidade com as crianças.

Perspectivas: A maternidade faz a gente perceber o que realmente importa, dando aos problemas o tamanho que eles têm de fato. O resultado é menos stress e mais chances de levar a vida profissional de maneira equilibrada.

Fragmentos do livro: Vida de Equilibrista: dores e delícias da mãe que trabalha. Cecília Russo Troiano. Ed. Cultrix.

www.vidadeequilibrista.com.br





Mulheres, estou chocada!

15 06 2008
Mulheres, estou chocada! E-mail

Irlei Wiesel *

Estamos no séc. XXI, em 2008. A força da mulher se consolida. Enfrentamos alguns obstáculos, mas nada que se compare ao passado. Acompanhe, a seguir, o massacre emocional instituído por três respeitados pensadores sobre as mulheres.
Lutero, um famoso teólogo alemão, reformador e protestante que influenciava a mente das pessoas no século XVI, afirmava:
- “O pior adorno que uma mulher pode querer usar é ser sábia”.
Já no séc. IV a.C., Aristóteles, filósofo grego, um respeitado guia intelectual de Alexandre, o Grande, afirmava:
-“A natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um homem inferior.”
No século XVI, o Rei da Inglaterra e chefe da Igreja Anglicana, Henrique VII, afirmava:
- “As crianças, os idiotas, os lunáticos e as mulheres não podem e não têm capacidade para efetuar negócios.”
O tempo passou e vivemos uma outra era. A dinâmica atual sugere mulheres livres, atuantes, empenhadas, escrevendo uma nova história.
Os pensadores atuais são unânimes em aplaudir a força e capacidade da mulher mundial. Atualmente, o valor da mulher é reconhecido, porém, pergunto-me, por que o índice de mulheres deprimidas, ansiosas e emocionalmente estressadas é tão acentuado?
Estamos livres, mas presas aos nossos estados fóbicos.
Estamos lindas, mas feias para nós mesmas.
Somos amadas, mas nos rejeitamos.
Desenvolvemos inúmeras capacidades, mas parece que nos falta a paz.
Administramos agendas, mas boicotamos nossas emoções.
Controlamos grandes negócios, contudo maior é nossa tristeza.
Somos confiantes nas estratégias profissionais, mas inseguras quanto à vida pessoal.
Conquistamos o reconhecimento, mas sentimo-nos vazias.
Por que vivemos essa dualidade?
Talvez, porque, apesar dos tempos serem outros, ainda guardamos, inconscientemente, memórias emocionais daquela época. Através da memória coletiva ou da memória individual.
Quando nossa memória fica presa ao passado, temos a sensação da dualidade. Sabemos quem somos, o que fazemos e qual nossa missão. Porém, involuntariamente, sentimos que algo nos prende. Questionamos, inclusive, nossa liberdade. Aprisionamo-nos em culpa e medo. Sufocamos. Entretanto, inacreditavelmente, a vida nos convida a seguir. E, seguimos, mas muitas vezes, espiamos a nossa volta, à procura da energia pesada que tem o poder de nos deprimir.
Mulheres, nossa luta é de séculos, nossa missão é desenvolver a auto-estima coletiva. Os tempos já foram muito difíceis. Sugiro que todas nós, cada uma, no seu momento, solte a energia proveniente de crenças negativas em relação a nossa condição de mulher.Precisamos, juntas, criar um inconsciente coletivo livre. Só assim, aos poucos, seremos, individualmente, mais tranqüilas.
A liberdade, muitas vezes, é conquistada após muitos séculos, portanto, valorizemos o que já foi feito e sejamos felizes!

*Irlei Wiesel é Psicoterapeuta, Escritora.





A Mulher que trabalha por dois

29 05 2008

FERNANDO HENRIQUE DA SILVEIRA NETO
Consultor do INSTITUTO MVC

Muito se tem escrito sobre liderança, motivação, delegação e gestão do tempo para executivos. E é possível perceber que quase todos os textos são escritos por e para os homens, que ao chegarem em casa descansam e pensam consigo mesmo: dever cumprido por hoje!

Será que as mesmas soluções sobre tempo se aplicam às mulheres executivas ou, de uma maneira geral, àquelas que trabalham durante o dia, e quando chegam em casa iniciam outra jornada como mães, mulheres e donas de casa?

Nos dias de hoje se espera das mulheres um desempenho semelhante ao dos homens nos ambientes de trabalho. Talvez até um pouco mais, como se isso fosse necessário para provar que elas são capazes de trabalhar tão bem quanto eles. Tudo que se espera da gestão do tempo de parte de executivos e profissionais no trabalho é válido para ambos os sexos.

O problema é que ao chegarem em casa, passa a haver uma distinção entre ambos. Não é que muitos homens hoje em dia não ajudem em casa, mas admitamos: não é regra geral.
A imagem clássica da chegada do homem em casa, desde os tempos de nossos avós e pais, mostra o homem sendo recebido pela mulher com um par de chinelos, indo tomar seu banho e jantando logo a seguir. A mulher tinha ficado em casa cuidando para que tudo desse certo nessa hora.
Mas isso mudou, e muito.

Não é raro encontrar mulheres que saem de casa antes e retornam depois dos maridos, têm responsabildades maiores no trabalho, são mais qualificadas e até ganham muito mais que eles.
Os reflexos disso no trabalho são inevitáveis, mas algumas dicas podem ajudar nessa delicada tarefa:

- é preciso que as mulheres admitam que vão ter que lidar com problemas domésticos mesmo estando longe de casa, como o filho que se machuca ou não quer comer, as lições do colégio e o atraso do motorista levando as crianças para o ballet e o judô;

- os homens também devem aprender a conviver com as mesmas mulheres, pois os minutos que elas gastam com a casa as deixam tranqüilas e as fazem render muito mais logo a seguir, certas de que seus problemas foram resolvidos;

- é bom que as empresas também aceitem isso tudo como normal daqui em diante; afinal, não são elas que falam tanto em qualidade de vida?

O reflexo na vida familiar e da casa também é grande, e uma nova postura se torna necessária, principalmente por parte dos filhos e do marido:

- a primeira e grande mudança é o estabelecimento de um pacto de ajuda mútua, no qual não se espera que o outro faça, mas se faz quando é necessário, cabendo a nós realizar naquele momento aquilo que outros não podem fazer por qualquer motivo (abrir a porta para a diarista, tomar recados ao telefone ou receber a roupa que o tintureiro está entregando)

- todos devem ter tarefas a cumprir, e não apenas esperar que a dona de casa o faça (afinal, é obrigação dela…). Exemplos típicos são arrumar a cama e botar a mesa.

- participar do processo de compras de supermercado, açougue ou padaria, olhando não apenas o seu lado, mas também a casa e a familia. Isso implica em comprar não só as guloseimas, mas também detergente, lâmpadas, sabão e saco de lixo entre outros.

- estabelecer um lugar comum para troca de mensagens e avisos que interessam a todos ou que podem influir nas decisões do dia-a-dia. A geladeira é um lugar recomendado, pois todos a usam com freqüência (lembretes sobre pagamentos, informações do seu roteiro de hoje e telefones onde pode ser achado, a nota dos remédios pedidos e entregues pela farmácia)

- respeitar ao máximo as regras da proação, principalmente se a casa não tem empregada ou se não é dia da diarista. Traduzindo: não deixe o copo na pia após beber água, pois le não se lava sozinho; estenda a toalha após o banho, pois ela não voa da sua cama para o varal por si mesma!

- evitar de todas as formas adotar posições comodistas e fugir das responsabilidades dizendo aos filhos: isso é sua mãe quem decide!

Às listas acima podem ser acrescentadas mil outras frases, simples como essas ou não, mas o recado importante está dado: empowerment, delegação, team building, proação, planejamento e comunicação tem lugar não apenas no trabalho mas sobretudo em casa.

Respeitar a mulher que trabalha fora de casa ou não é a proposta da nova família. Dividir com ela as responsabilidades domésticas é sinal de respeito e maturidade. É reconhecer que as mudanças no trabalho tem mais chances de ocorrer se eu souber implantá-las antes no meu ambiente familiar, onde os erros e acertos são tratados com amor e carinho, e não como veículos de competição e medição de resultados.
Além disso tudo, quantas famílias só realizam sonhos maiores de viagens, estudos e conforto por que são as mulheres executivas que garantem todos ou grande parte desses sonhos?
Você achou o que leu com cara de deja vu?

Talvez seja porque nós homens saibamos agir, mas infelizmente, não agimos como sabemos.

OBS. Material retirado da Palestra do INSTITUTO MVC Trabalhando por dois: O Tempo da Executiva.