A Fotografia e suas múltiplas faces na contemporaneidade

19 05 2008
Fotografia de Hugo Tinoco

Luciene Rodrigues Rochael Galvão.

Vivemos num mundo em que as relações humanas passaram a ser mediadas por imagens. Elas operam nossa maneira de ver o mundo e a nós mesmos, sugerem não apenas a arte, mas um modo de pensar e viver.

A fotografia é um campo que pode ser visto como uma postura filosófica frente ao mundo. Embora, a maior parte das pessoas não utilizem a fotografia como arte, ela é um ritual social e objeto de poder. As câmeras acompanham a vida das pessoas, dão testemunho e provocam a impressão de união. A fotografia reafirma e oferece continuidade a amplitude familiar, dá a posse imaginária de um passado irreal. É um instrumento para conhecer as coisas e sua função no pensamento estético atual consiste em confirmar as idéias da arte; embora ela não seja uma arte em si; tem a capacidade de transformar seus temas em obras de arte e mídia. Por meio das imagens, as pessoas não raramente se iludem e se sentem indiferentes quando se deparam com o real. A sensação de estar eximido das calamidades com as quais nos deparamos incita a curiosidade em olhar fotos dolorosas e olhar para elas, sugere o sentimento de estar salvo.

Todavia, com a industrialização da fotografia, ela foi colocada à serviço de instituições de controle como objeto de poder e de informação; ou seja; um novo conhecimento se constituiu em torno da imagem. A sociedade capitalista precisa de uma cultura com uma base em imagens; ou seja; ela tem a necessidade de um grande volume de imagens que estimulem o seu consumo e de alguma forma cause um entorpecimento das diferenças sociais, definindo a realidade de duas formas: como contemplação para as massas e como objeto para os governantes. A razão para a necessidade de fotografar tudo consiste na própria lógica do consumismo. A medida que se produz imagens e as consumismos, mais precisamos delas, pois as possibilidades da fotografia são infinitas e se constitui um processo auto-devorador. Sendo assim, podemos pensar que o que caracteriza as sociedades modernas é que essas sociedades consomem imagens e não valores, instigando o individualismo e o imediatismo.